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[traduzido por Augusto de Campos]
Nada, esta espuma, virgem verso
A não designar mais que a copa;
Ao longe se afoga uma tropa
De sereias vária ao inverso.
Navegamos, ó meus fraternos
Amigos, eu já sobre a popa
Vós a proa em pompa que topa
A onda de raios e de invernos;
Uma embriaguez me faz arauto,
Sem medo ao jogo do mar alto,
Para erguer, de pé, este brinde
Solitude, recife, estrela
A não importa o que há no fim de
Um branco afã de nossa vela.
Salut
Rien, cette écume, vierge vers
A ne désigner que la coupe;
Telle loin se noie une troupe
De sirènes mainte à l'envers.
Nous naviguons, ô mes divers
Amis, moi déjà sur la poupe
Vous l'avant fastueux qui coupe
Le flot de foudres et d'hivers;
Une ivresse belle m'engage
Sans craindre même son tangage
De porter debout ce salut
Solitude, récif, étoile
À n'importe ce qui valut
Le blanc souci de notre toile.
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Mallarmé
[poemas: edição bilíngue], Coleção Signos — Tradução e textos/estudos de
Augusto de Campos, Décio Pignatari & Haroldo de Campos e Nota Introdutória
de Augusto de Campos, 4ª edição, 2010, Editora Perspectiva, São Paulo — SP; Stéphane
Mallarmé (1842 — 1898) ou Étienne Mallarmé, francês e parisiense, fez seus
primeiros estudos em um internato, foi expulso, decidiu aprender Inglês, viajou
para Londres, fez um ano de curso e, de volta à França, foi aprovado e
designado a lecionar inglês, iniciando sua carreira vitalícia como professor,
primeiro em escolas provinciais e depois em Paris; foi poeta, tradutor,
ensaísta, crítico literário e de arte e, claro, professor de inglês; de sua
biografia, consta ter sido um dos primeiros simbolistas franceses e um dos precursores
da poesia concreta; seus poemas iniciais surgiram na década de 1860 e, assim
como boa parte dos poetas de sua geração, ele também foi influenciado pela
poesia de Charles Baudelaire; à época, Mallarmé tornou-se figura central de um grupo
de escritores com os quais discutia poesia e arte, entre eles Paul Valéry, André
Gide e Marcel Proust; colaborou no jornal Le Parnasse Contemporain e publicou
seus textos poéticos e/ou ensaios nas revistas Artiste (revue l’Artiste, 1862),
Renaissance Artistique (1874), Independent Review (Revue indépendante, 1885 e 1888), Cosmopolis (1897); traduziu
Edgard Allan Poe, W. C. Elphinstone Hope e James Whistler; Stéphane Mallarmé
também recriou, dirigiu e editou a revista Última Moda (revue La Dernière
Mode, 1874), criada “no verão de 1873”, por seu amigo
e editor Charles Wendelen, composta apenas de gravuras e litografias; Mallarmé inovou-a
e revitalizou-a preenchendo com ensaios sobre estética literária e, de início,
fazendo uso dos pseudônimos Marguerite de Ponty, Miss Satin, Zizy, Olympe la
nègresse, Ix, Le Chef de bouche chez Brébant ...; sob sua direção, La Dernière
Mode resistiu por mais 8 edições, e Mallarmé, sozinho, escreveu sobre moda,
culinária e educação de crianças; suas obras: Herodíade (Herodíades, 1869), L'Aprés
midi d'un faune (A tarde de um fauno, 1876), Vers et Prose (antologia, 1892), Divagations
(coleção de ensaios, 1897), Un coup de dés jamais n'abolira
le hasard (Um Lance de Dados Jamais Abolirá o Acaso, 1897), Poésies (Poesias,
publicação póstuma, 1899) e outros textos, parte dos quais inacabados, como
Igitur (Igitur, conto poético-filosófico
iniciado em 1869), postumamente publicado inacabado em 1925.