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quinta-feira, 7 de maio de 2026

John Donne: Magia pela imagem


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[traduzido por Augusto de Campos]

Fixo meu olho no teu olho e flagro uma
Sombra de mim queimando no teu olho.
Meu retrato afogado numa lágrima
        Logo abaixo recolho.
Se entendesses de imagens e magias,
Com minha imagem nas pupilas frias,
De quantos modos tu me matarias?

Tuas lágrimas sorvo, doce humor,
E ainda que outras caiam, vou deixar-te;
Meu retrato se esvai, vai-se o temor
De ser enfeitiçado por tal arte;
        Só reténs, afinal,
Minha imagem num único local:
Teu coração, livre de todo o mal.

John Donne

Witchcraft by a Picture

I fix mine eye on thine, and there
        Pity my picture burning in thine eye,
My picture drowned in a transparent tear,
        When I look lower I espy;
                Hadst thou the wicked skill
By pictures made and marred, to kill,
How many ways mightst thou perform thy will?

But now I have drunk thy sweet salt tears,
         And though thou pour more, I'll depart;
My picture vanished, vanish all fears,
        That I can be endamaged by that art;
                Though thou retain of me
One picture more, yet that will be,
Being in thine own heart, from all malice free.
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o anticrítico — augusto de campos [poemas do autor e poemas bilíngue, de vários poetas], Texto-apresentação “Antes do Anti”, Traduções e Nota informativa de Augusto de Campos, 1986, 1ª reimpressão, Companhia das Letras, São Paulo — SP; John Mayra Donne (1572 1631), inglês e londrino, estudou na Hart Hall, atual Hertford College Oxford, depois consta ter ingressado na Universidade de Cambridge, ter concluído o curso, mas não ter sido diplomado devido sua recusa da prestação do Juramento da Supremacia juras de lealdade à rainha, protestante exigido dos formandos, por ele ser da religião católico-romana; foi poeta, pastor, diácono e sacerdote, advogado e reitor da Saint Paul Cathedral, em Londres; de sua biografia, também consta que após os estudos viajou pela Espanha e Itália e, de retorno a Londres, estudou Direito, primeiro no Thavies Inn e depois no Lincoln’s Inn; a poesia de John Donne, em sua grande maioria, não foi publicada com o poeta ainda em vida; seu legado poético foi preservado em cópias manuscritas que eram feitas e distribuídas a um pequeno e seleto grupo de admiradores e amantes da poesia; ao longo do século XVIII e grande parte do XIX, o poeta e sacerdote foi pouco lido e pouco apreciado, consta que apenas no final do ano 1800 “a poesia de Donne foi avidamente adotada por um grupo crescente de leitores e escritores de vanguarda. Sua prosa permaneceu praticamente despercebida até 1919”; publicações do autor: poemas: The Anniversaries (1621), Holy Sonnets (1633), The Good-Morrow (1633), The Canonization (1633), Love Poems (1905), John Donne: Divine Poems, Sermons, Devotions and Prayers (1990), The Complete English Poems (1991), John Donne’s Poetry (1991), John Donne: The Majors Works (2000), Poems on Several Occasions (2001), The Complete Poetry and Selected Prose of John Donne (2001), prosa: Devotions Upon Emergent Occasions and Death’s Duel (1624), Six Sermons (1634), Fifty Sermons (1649), Essayes in Divinity (1651), Paradoxes, Problems, Essayes, Characters (1652), Sermons Never Before Published (1661)...; John Donne “foi um importante poeta inglês da escola metafísica” e “é frequentemente considerado o maior poeta de amor da língua inglesa”.

terça-feira, 24 de março de 2026

John Donne: Elegia: Indo para o leito

 
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[traduzido por Augusto de Campos]

Vem, Dama, vem, que eu desafio a paz;
Até que eu lute, em luta o corpo jaz.
Como o inimigo diante do inimigo,
Canso-me de esperar se nunca brigo.
Solta esse cinto sideral que vela,
Céu cintilante, uma área ainda mais bela.
Desata esse corpete constelado,
Feito para deter o olhar ousado.
Entrega-te ao torpor que se derrama
De ti a mim, dizendo: hora da cama.
Tira o espartilho, quero descoberto
O que ele guarda, quieto, tão de perto.
O corpo que de tuas saias sai
É um campo em flor quando a sombra se esvai.
Arranca essa grinalda armada e deixa
Que cresça o diadema da madeixa.
Tira os sapatos e entra sem receio
Nesse templo de amor que é o nosso leito.
Os anjos mostram-se num branco véu
Aos homens. Tu, meu anjo, és como o Céu
De Maomé. E se no branco têm contigo
Semelhança os espíritos, distingo:
O que o meu Anjo branco põe não é
O cabelo mas sim a carne em pé.
        Deixa que a minha mão errante adentre
Atrás, na frente, em cima, em baixo, entre.
Minha América! Minha terra à vista,
Reino de paz, se um homem só a conquista,
Minha Mina preciosa, meu Império,
Feliz de quem penetre o teu mistério!
Liberto-me ficando teu escravo;
Onde cai minha mão, meu selo gravo.
        Nudez total! Todo o prazer provém
De um corpo (como a alma sem corpo) sem
Vestes. As jóias que a mulher ostenta
São como as bolas de ouro de Atalanta:
O olho do tolo que uma gema inflama
Ilude-se com ela e perde a dama.
Como encadernação vistosa, feita
Para iletrados, a mulher se enfeita;
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns (a que tal graça se consente)
É dado lê-la. Eu sou um que sabe;
Como se diante da parteira, abre-
Te: atira, sim, o linho branco fora,
Nem penitência nem decência agora.
        Para ensinar-te eu me desnudo antes:
A coberta de um homem te é bastante.

John Donne

Elegy: Going to Bed

Come, Madam, come, all rest my powers defy;
Until I labour, I in labour lie.
The foe oft-times, having the foe in sight,
Is tired with standing, though he never fight.
Off with that girdle, like heaven's zone glittering,
But a far fairer world encompassing.
Unpin that spangled breastplate, which you wear
That th'eyes of busy fools may be stopped there.
Unlace yourself, for that harmonious chime,
Tells me from you, that now it is bed-time.
Off with that happy busk, which I envy,
That still can be, and still can stand so nigh.
Your gowns going off, such beauteous state reveals,
As when from flowery meads th'hill's shadow steals.
Off with your wiry coronet, and show
The hairy diadem which on you doth grow.
Off with those shoes; and then safely tread
In this love's hallowed temple, this soft bed.
In such white robes heaven's Angels used to be
Receaved by men; Thou Angel bringst with the
A heaven like Mahomet's Paradise; and though
Ill spirits walk in white, we easily know,
By this these Angels from an evil sprite;
They set our hairs, but these our flesh upright.
        Licence my roving hands, and let them go,
Behind, before, above, between, below.
O my America, my new-found-land,
My kingdom, safeliest when with one man manned,
My Mine of precious stones, My Empery;
How blessed am I in this discovering thee!
To enter into these bonds, is to be free;
Then where my hand is set, my soul shall be.
        Full nakedness! All joys are due to thee,
As souls unbodied, bodies unclothed must be,
To taste whole joys. Gems which you women use
Are as Atlanta's balls, cast in men's views,
That when a fool's eye lighteth on a gem,
His earthly soul may covet theirs, not them.
Like pictures, or like books' gay coverings made
For lay-men, are all women thus arrayed;
Themselves are mystic books, which onely we
(Whom their imputed grace will dignify)
Must see reveal'd. Then since that I may know,
As liberally, as to a midwife, show
Thy self: cast all, yea, this white linen hence;
Here is no penance due to innocence.
        To teach thee, I am naked first: why then
What needst thou have more covering than a man.
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o anticrítico — augusto de campos [poemas do autor e poemas bilíngue, de vários poetas], Texto-apresentação “Antes do Anti”, Traduções e Nota informativa de Augusto de Campos, 1986, 1ª reimpressão, Companhia das Letras, São Paulo — SP; John Mayra Donne (1572 1631), inglês e londrino, estudou na Hart Hall, atual Hertford College Oxford, depois consta ter ingressado na Universidade de Cambridge, ter concluído o curso, mas não ter sido diplomado devido sua recusa da prestação do Oath of Supremacy Juramento de Supremacia ,  juras de lealdade à rainha, protestante exigido dos formandos, por ele ser da religião católico-romana; foi poeta, pastor, diácono e sacerdote, advogado e reitor da Saint Paul Cathedral, em Londres; de sua biografia, também consta que após os estudos viajou pela Espanha e Itália e, de retorno a Londres, estudou Direito, primeiro no Thavies Inn e depois no Lincoln’s Inn; a poesia de John Donne, em sua grande maioria, não foi publicada com o poeta ainda em vida; seu legado poético foi preservado em cópias manuscritas que eram feitas e distribuídas a um pequeno e seleto grupo de admiradores e amantes da poesia; ao longo do século XVIII e grande parte do XIX, o poeta e sacerdote foi pouco lido e pouco apreciado, consta que apenas no final do ano 1800 “a poesia de Donne foi avidamente adotada por um grupo crescente de leitores e escritores de vanguarda. Sua prosa permaneceu praticamente despercebida até 1919”; publicações do autor: poemas: The Anniversaries (1621), Holy Sonnets (1633), The Good-Morrow (1633), The Canonization (1633), Love Poems (1905), John Donne: Divine Poems, Sermons, Devotions and Prayers (1990), The Complete English Poems (1991), John Donne’s Poetry (1991), John Donne: The Majors Works (2000), Poems on Several Occasions (2001), The Complete Poetry and Selected Prose of John Donne (2001), prosa: Devotions Upon Emergent Occasions and Death’s Duel (1624), Six Sermons (1634), Fifty Sermons (1649), Essayes in Divinity (1651), Paradoxes, Problems, Essayes, Characters (1652), Sermons Never Before Published (1661)...; John Donne “foi um importante poeta inglês da escola metafísica” e “é frequentemente considerado o maior poeta de amor da língua inglesa”.

sábado, 21 de março de 2026

Stéphane Mallarmé: III – Cântico de São João [Herodias]

 
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[traduzido por Augusto de Campos]

O sol que um sobressalto
Apruma para o alto
Em breve redescente
    Incandescente

Por um momento a treva
Das vértebras se eleva
Em uníssono passo
    Por todo o espaço

Para que esta cabeça
Solitária apareça
No voo singular
    Da foice no ar

Em completa ruptura
Mais repele ou fratura
A desavença antiga
    Que ao corpo a liga

Bêbada de jejum
Que persegue nalgum
Salto louco a vogar
    Seu puro olhar

Lá no alto onde os cumes
Eternos têm ciúmes
De que possais vencê-los
    Todos ó gelos

Mas levada ao abismo
Pelo mesmo batismo
Que elegeu minha sina
    Grata se inclina.

Stéphane Mallarmé

III. Cantique de Saint Jean

Le soleil que sa halte
Surnaturelle exalte
Aussitôt redescend
    Incandescent

Je sens comme aux vertèbres
S'éployer des ténèbres
Toutes dans un frisson
    A l'unisson

Et ma tête surgie
Solitaire vigie
Dans les vols triomphaux
    De cette faux

Comme rupture franche
Plutôt refoule ou tranche
Les anciens désaccords
    Avec le corps

Qu'elle de jeûnes ivre
S'opiniâtre à suivre
En quelque bond hagard
    Son pur regard

Là-haut où la froidure
Éternelle n'endure
Que vous le surpassiez
    Tous ô glaciers

Mais selon un baptême
Illuminée au même
Principe qui m'élut
    Penche un salut.

(Hérodíade)
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Linguaviagem — Augusto de Campos: Ensaios, Estudos [acerca] de seis poetas selecionados & poemas traduzidos, Breve introdução e Tradução dos poemas [bilíngue], por Augusto de Campos, 1987, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Stéphane Mallarmé (1842 1898) ou Étienne Mallarmé, francês nascido em Paris, fez seus primeiros estudos em um internato, foi expulso, decidiu aprender Inglês, viajou para Londres, fez um ano de curso e, de volta à França, foi aprovado e designado a lecionar inglês, iniciando sua carreira vitalícia como professor, primeiro em escolas provinciais e depois em Paris; foi poeta, tradutor, ensaísta, crítico literário e de arte e, claro, professor de inglês; de sua biografia, consta ter sido um dos primeiros simbolistas franceses e um dos precursores da poesia concreta; seus poemas iniciais surgiram na década de 1860 e, assim como boa parte dos poetas de sua geração, ele também foi influenciado pela poesia de Charles Baudelaire; à época, Mallarmé tornou-se figura central de um grupo de escritores com os quais discutia poesia e arte, entre eles Paul Valéry, André Gide e Marcel Proust; colaborou no jornal Le Parnasse Contemporain e publicou seus textos poéticos e/ou ensaios nas revistas Artiste (revue l’Artiste, 1862), Renaissance Artistique (1874), Independent Review (Revue indépendante, 1885 e 1888), Cosmopolis (1897); suas obras: escreveu Hérodiade (Herodíade, 1869), L'Aprés midi d'um faune (A tarde de um fauno, 1876), Vers et Prose (antologia, 1892), Divagations (coleção de ensaios, 1897), Un coup de dés jamais n'abolira le hasard (Um Lance de Dados Jamais Abolirá o Acaso, 1897) e muitos outros textos; traduziu Edgard Allan Poe, W. C. Elphinstone Hope e James Whistler; Stéphane Mallarmé também recriou, dirigiu e editou a revista Última Moda (revue La Dernière Mode, 1874), a qual fora criada “no verão de 1873”, por seu amigo e editor Charles Wendelen, só publicando-a com gravuras e litografias; Mallarmé inovou-a e revitalizou-a com ensaios sobre estética literária e, de início, fazendo uso dos pseudônimos Marguerite de Ponty, Miss Satin, Zizy, Olympe la nègresse, Ix, Le Chef de bouche chez Brébant ..., resistiu por 8 edições escrevendo sozinho sobre moda, culinária e educação de crianças.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Mallarmé: O Sineiro

 
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[traduzido por Augusto de Campos]

Embora o sino acorde uma voz que ressoa
Clara no ar puro e limpo e fundo da manhã
E desperta, infantil, uma outra voz que entoa
Um angelus por entre a alfazema e a hortelã,

O sineiro evocado à clave da ave, irmão
Sinistro cavalgando, a gemer sua loa,
A pedra que distende a corda em sua mão,
Só ouve retinir um vago som que ecoa.

Esse homem sou eu. Dentro da noite louca
Agrada-me puxar a corda do Ideal,
De pecados se alegra a plumagem leal

E a minha voz me vem aos pedaços e oca!
Mas um dia, cansado deste afã obscuro,
Ó Satã, eu roubo esta pedra e me penduro.

Mallarmé

Le sonneur

Cependant que la cloche éveille sa voix claire
A l'air pur et limpide et profond du matin
Et passe sur l'enfant qui jette pour lui plaire
Un angélus parmi la lavande et le thym,

Le sonneur effleuré par l'oiseau qu'il éclaire,
Chevauchant tristement en geignant du latin
Sur la pierre qui tend la corde séculaire,
N'entend descendre à lui qu'un tintement lointain.

Je suis cet homme. Hélas! de la nuit désireuse,
J'ai beau tirer le câble à sonner l'Idéal,
De froids péchés s'ébat un plumage féal,

Et la voix ne me vient que par bribes et creuse!
Mais, un jour, fatigué d'avoir enfin tiré,
Ô Satan, j'ôterai la pierre et me pendrai.

1862-1866
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Mallarmé [poemas: edição bilíngue], Coleção Signos — Tradução e textos/estudos de Augusto de Campos, Décio Pignatari & Haroldo de Campos e Nota Introdutória de Augusto de Campos, 4ª edição, 2010, Editora Perspectiva, São Paulo — SP; Stéphane Mallarmé (1842 1898) ou Étienne Mallarmé, francês e parisiense, fez seus primeiros estudos em um internato, foi expulso, decidiu aprender Inglês, viajou para Londres, fez um ano de curso e, de volta à França, foi aprovado e designado a lecionar inglês, iniciando sua carreira vitalícia como professor, primeiro em escolas provinciais e depois em Paris; foi poeta, tradutor, ensaísta, crítico literário e de arte e, claro, professor de inglês; de sua biografia, consta ter sido um dos primeiros simbolistas franceses e um dos precursores da poesia concreta; seus poemas iniciais surgiram na década de 1860 e, assim como boa parte dos poetas de sua geração, ele também foi influenciado pela poesia de Charles Baudelaire; à época, Mallarmé tornou-se figura central de um grupo de escritores com os quais discutia poesia e arte, entre eles Paul Valéry, André Gide e Marcel Proust; colaborou no jornal Le Parnasse Contemporain e publicou seus textos poéticos e/ou ensaios nas revistas Artiste (revue l’Artiste, 1862), Renaissance Artistique (1874), Independent Review (Revue Indépendante, 1885 e 1888), Cosmopolis (1897); traduziu Edgard Allan Poe, W. C. Elphinstone Hope e James Whistler; Stéphane Mallarmé também recriou, dirigiu e editou a revista Última Moda (revue La Dernière Mode, 1874), criada “no verão de 1873”, por seu amigo e editor Charles Wendelen, composta apenas de gravuras e litografias; Mallarmé inovou-a e revitalizou-a preenchendo com ensaios sobre estética literária e, de início, fazendo uso dos pseudônimos Marguerite de Ponty, Miss Satin, Zizy, Olympe la nègresse, Ix, Le Chef de bouche chez Brébant ...; sob sua direção a revista La Dernière Mode resistiu por mais 8 edições, e Mallarmé, sozinho, escreveu sobre moda, culinária e educação de crianças; suas obras: Herodíade (Herodíades, 1869), L'Aprés midi d'un faune (A tarde de um fauno, 1876), Vers et Prose (antologia, 1892), Divagations (coleção de ensaios, 1897), Un coup de dés jamais n'abolira le hasard (Um Lance de Dados Jamais Abolirá o Acaso, 1897), Poésies (Poesias, publicação póstuma, 1899) e outros textos, parte dos quais inacabados, como Igitur (Igitur, conto poético-filosófico iniciado em 1869), postumamente publicado inacabado em 1925.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Stéphane Mallarmé: A tumba de Edgar Poe


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[traduzido por Augusto de Campos]

Tal que a Si-mesmo enfim a Eternidade o guia,
O Poeta suscita com o gládio erguido
Seu século espantado por não ter sabido
Que nessa estranha voz a morte se insurgia!

Vil sobressalto de hidra ante o anjo que urgia
Um sentido mais puro às palavras da tribo,
Proclamaram bem alto o sortilégio atribu-
Ído à onda sem honra de uma negra orgia.

Do solo e céu hostis, ó mágoa! Se o que escrevo
Idéia e dor não esculpir baixo-relevo
Que ao túmulo de Poe luminescente indique,

Calmo bloco caído de um desastre obscuro.
Que este granito ao menos seja eterno dique
Aos vôos da Blasfêmia esparsos no futuro.

Stéphane Mallarmé

Le tombeau d'Edgar Poe

Tel qu’en lui-même enfin l’éternité le change,
Le Poète suscite avec un glaive nu
Son siècle épouvanté de n’avoir pas connu
Que la mort triomphait dans cette voix étrange!

Eux, comme un vil sursaut d’hydre oyant jadis l’ange
Donner un sens plus pur aux mots de la tribu
Proclamèrent très haut le sortilège bu
Dans le flot sans honneur de quelque noir mélange.

Du sol et de la nue hostiles, ô grief!
Si notre idée avec ne sculpte un bas-relief
Dont la tombe de Poe éblouissante s’orne,

Calme bloc ici-bas chu d’un désastre obscur,
Que ce granit du moins montre à jamais sa borne
Aux noirs vols du Blasphème épars dans le futur.
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o anticrítico — augusto de campos [poemas do autor e poemas bilíngue, de vários poetas], Texto-apresentação “Antes do Anti”, Traduções e Nota informativade Augusto de Campos, 1986, 1ª reimpressão, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Stéphane Mallarmé (1842 1898) ou Étienne Mallarmé, francês nascido em Paris, foi poeta, tradutor, crítico literário e professor de inglês; considerado como um dos primeiros simbolistas franceses e um dos precursores da poesia concreta, consta que seus primeiros poemas surgiram na década de 1860 e que, como boa parte dos poetas de sua geração, também sofrera influência de Charles Baudelaire; Mallarmé é tido, durante os anos de 1880, como sendo a figura central de um grupo de escritores com quem discutia poesia e arte, entre os quais Paul Valéry, André Gide e Marcel Proust; fundou a revista Última Moda, onde escreveu sobre estética literária, colaborou no jornal Le Parnasse Contemporain e publicou na revista Cosmopolis; escreveu Herodíade (Herodíades, 1869), L'Aprés midi d'un faune (A tarde de um fauno, 1876), Un coup de dés jamais n'abolira le hasard (Um Lance de Dados Jamais Abolirá o Acaso, 1897) e muitos outros textos; traduziu Edgard Allan Poe, W. C. Elphinstone Hope e James Whistler.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Paul Valéry: Sob o sol

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[traduzido por Augusto de Campos]

Sob o sol em meu leito após a água
Sob o sol e sob o reflexo enorme do sol sobre o mar,
    Sob a janela,
Sob os reflexos e os reflexos dos reflexos
Do sol e dos sóis sobre o mar
    Nos vidros,
Após o banho, o café, as ideias,
    Nu sob o sol em meu leito todo iluminado
        Nu louco
            Eu!

(sem titulo, XVI, 204. — Cadernos, 1933)

Paul Valéry

Au soleil

Au soleil sur mon lit après l’eau
Au soleil et au reflet énorme du soleil sur la mer,
    Sous ma fenêtre
Et aux reflets et aux reflets des reflets
Du soleil et des soleils sur la mer
    Dans les glaces,
Après le bain, le café, les idées,
    Nu au soleil sur mon lit tout illuminé
        Nu seul fou
            Moi!

(Sans titre, XVI, 204. — Cahiers, 1933)
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Linguaviagem — Augusto de Campos: Ensaios, Estudos [acerca] de seis poetas selecionados & poemas traduzidos, Breve introdução e Tradução dos poemas [bilíngue], por Augusto de Campos, 1987, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Ambroise-Paul-Toussaint-Jules Valéry (1871 1945), mais conhecido como Paul Valéry, francês de Sète, fez seus estudos secundários no Lycée de Montpellier, cursou Direito, exerceu diversas funções na esfera pública francesa, foi filósofo, professor, crítico, ensaísta e poeta considerado um dos expoentes da escola Simbolista; seus primeiros versos vieram à luz a partir de 1889, ao mesmo tempo em que frequentava a faculdade, tendo sido publicados nos periódicos Revue Maritime de Marseille, La Revue Indépendante, de Paris, e La Conque; em 1924 foi um dos cofundadores da revue littéraire Commerce [revista literária]; suas obras: A Jovem Parca (La Jeune Parque, 1917), Album de vers Anciens (1920), Charmes (1922), Analetos (1927), Discours aux l’honneur de Goethe (1932), Mauvaises pensées et autres (1942), etecetera etecetera; foram publicadas postumamente Mon Fauste (Meu Fausto, 1946), Vues (Visualizações, 1948), Lettres à quelques-uns (Cartas para alguns, 1952), Cahiers, 2 vol. condensés (Cadernos, 2 volumes condensados, 1970) e outros; o poeta Paul Valéry é tido como o autor de poemas dos mais significativos entre os que foram produzidos no século XX, ao lado de obras de T. S. Eliot, Ezra Pound, Fernando Pessoa, Rainer Maria Rilke ...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Aleksandr Blok: Veneza II *

 
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II

Pelas lagunas, frio vento.
Gôndolas mudas tumbas.
Esta noite, jovem e doente,
Sob a coluna do leão sucumbes.

Na torre, com uma canção de chumbo,
Os gigantes dão a hora noturna.
Na laguna lunar Marcos mergulha
Sua iconóstase soturna.

Nas sombras das galerias dos palácios,
À palidez da lua passos.
Salomé, esgueirando-se, passeia
Minha cabeça em sangue nos seus braços.

Tudo dorme palácios, canais, gente.
Só o passo deslizante da princesa
sobre o peito negro uma cabeça
Contempla a treva em torno com tristeza.

agosto 1909

Aleksandr Blok

Венеция

2

Холодный ветер от лагуны.
Гондол безмолвные гроба.
Я в эту ночь больной и юный
Простёрт у львиного столба.

На башне, с песнию чугунной,
Гиганты бьют полночный час.
Марк утопил в лагуне лунной
Узорный свой иконостас.

В тени дворцовой галлереи,
Чуть озарённая луной,
Таясь, проходит Саломея
С моей кровавой головой.

Всё спит дворцы, каналы, люди,
Лишь призрака скользящий шаг,
Лишь голова на чёрном блюде
Глядит с тоской в окрестный мрак.

август 1909 г.

* Nota do tradutor Augusto de Campos: O segundo, de uma série de três poemas sob esse título.
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Linguaviagem — Augusto de Campos: Ensaios, Estudos [acerca] de seis poetas selecionados & poemas traduzidos, Breve introdução e Tradução dos poemas [bilíngue], por Augusto de Campos, 1987, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Aleksandr Blok (1880 1921), russo de São Petersburgo, estudou Direito, desistiu, transferiu-se para o departamento eslavo-russo da Faculdade de História e Filologia (историко-филологического факультета) da Universidade de São Petersburgo e ali se formou, foi poeta lírico, escritor, tradutor, publicitário, dramaturgo e crítico literário; ainda estudante tornou-se famoso como poeta simbolista; de sua biografia, consta que “aos cinco anos de idade” iniciou-se na arte poética, aos dez anos, criou dois números da revista “Ship (Корабль), e, de 1894 a 1897, Aleksandr Blok e seus irmãos criaram e publicaram a revista ‘manuscrita’ “Vestnik (Вестник), num total de 37 edições; a partir sobretudo da Revolução de 1905, sua poesia passou a refletir profunda preocupação social; depois da Revolução de Outubro (1917) escreveu “relativamente” pouca poesia; em 1918, seu longo poema Os Doze (Двенадцать) provocou acirradas polêmicas: muitos revolucionários consideraram tal obra “alheia ao verdadeiro espírito de Outubro”, já a maioria dos seus amigos e antigos companheiros do simbolismo passaram a ver o poeta como “um trânsfuga, um renegado”; tido “como o poeta máximo do simbolismo russo”, ele próprio já via tal corrente como “completamente ultrapassada, pelo menos nos últimos anos de vida”; suas obras: em poesia: До света (Ante Lucem [Antes da luz], 1898-1900), Стихи о Прекрасной Даме (Versos sobre a bela dama, 1904-1905), Нечаянная радость e Снежная маска (O gozo imprevisto e Máscara de neve, ambos em 1907), Земля в снегу (A terra na neve, 1908), Ночные часы (As horas da noite, 1911), Двенадцать (Os doze, 1918), para teatro: Балаганчик (O teatro de feira), Король на площади (O rei na praça), Незнакомка (A desconhecida), todos de 1906, Песня Судьбы (A canção do Destino, 1908), Роза и Крест (A rosa e a cruz, 1913), Рамзес (Ramsés, 1919) ...; nos anos 1918-1920, o poeta foi eleito e ocupou várias funções no governo revolucionário que se iniciava, trabalhou muito, cansou-se, talvez daí possa decorrer seu “silêncio criativo”, teve sua saúde minada e adoeceu; na primavera de 1921, Aleksandr Blok e outro poeta pediram permissão à burocracia do governo para buscar tratamento da saúde fora do país, na Finlândia, e tiveram seu visto de saída negado, tal autorização só foi concedida após interferência de outros escritores russos, mas chegou tarde; o escritor Maximo Gorky, um dos intervenientes pró Blok, só soube do visto em 6 de agosto e, no dia seguinte, o poeta faleceu.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Arthur Rimbaud: Vênus Anadiômene

 
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[traduzido por Augusto de Campos]

Como de um verde túmulo em latão o vulto
De uma mulher, cabelos brunos empastados,
De uma velha banheira emerge, lento e estulto,
Com delícias bastante mal dissimulados;

Do colo graxo e gris saltam as omoplatas
Amplas, o dorso curto que entra e sai no ar;
Sob a pele a gordura cai em folhas chatas,
E o redondo dos rins como a querer voar...

O dorso é avermelhado e em tudo há um sabor
Estranhamente horrível; notam-se, a rigor,
Particularidades que demandam lupa...

Nos rins dois nomes só gravados: CLARA VÊNUS;
E todo o corpo move e estende a ampla garupa
Bela horrorosamente, uma úlcera no ânus.

Arthur Rimbaud

Vênus Anadyomène

Comme d’un cercueil vert en fer blanc, une tête
De femme à cheveux bruns fortement pommadés
D’une vieille baignoire émerge, lente et bête,
Avec des déficits assez mal ravaudés;

Puis le col gras et gris, les larges omoplates
Qui saillent; le dos court qui rentre et qui ressort;
Puis les rondeurs des reins semblent prendre l’essor;
La graisse sous la peau paraît en feuilles plates:

L’échine est un peu rouge, et le tout sent un goût
Horrible étrangement; on remarque surtout
Des singularités qu’il faut voir à la loupe…

Les reins portent deux mots gravés: CLARA VENUS;
Et tout ce corps remue et tend sa large croupe
Belle hideusement d’un ulcère à l’anus.

[27 de julho de 1870]
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Verso Reverso Controverso: Augusto de Campos estudos críticos e poemas bilíngue de várias autorias, Apresentação, Tradução dos poemas, Informação bibliográfica e Notas de Augusto de Campos, 2ª edição revista, 1998, Editora Perspectiva, São Paulo SP; Jean-Nicolas Arthur Rimbaud (1854 1891), francês de Charleville, estudou no Collège Charleville e foi poeta do simbolismo francês; recebeu influências de Victor Hugo, Georges Izambard seu professor de retórica , Paul Verlaine, Charles Baudelaire e Walt Whitman entre outros e é considerado um dos nomes mais influentes da história da poesia ocidental; o poeta, que aos 20 anos de idade abandonou a literatura e retomou a vida sem rumo que levava desde a adolescência, escreveu praticamente as suas obras primas entre os 15 e 18 anos; publicou em vida apenas Uma Temporada no Inferno (Une saison en enfer, 1873), porém escreveu também Poésies (1871) e Iluminações (Illuminations, 18731875); Rimbaud, além de, talvez, ter sido um dos primeiros poetas a viver sua própria poesia, influenciou autores da geração perdida, beatniks e existencialistas, tais como Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald, Ezra Pound, Jack Kerouac, Allen Ginsberg, William Burroughs etc.; em 1878, deixou a Europa e partiu para o Oriente Médio e a África, passou a viver em Aden, Harar e outras localidades, realizando expedições, comercializando peles e marfim e traficando armas em regiões inóspitas e de deserto; em 1886, a revista La Vogue publicou grande parte de Illuminations, com a informação errada de que o poeta já havia falecido; de fato, Arthur Rimbaud morreu cinco anos depois, em 10 de dezembro de 1891, após hospitalização em Marselha e ter a perna amputada devido a um tumor cancerígeno em seu joelho direito.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Aleksandr Blok: Noite. Fanal. Rua. Farmácia. . . .

 
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[traduzido por Augusto de Campos]

Noite. Fanal. Rua. Farmácia.
Uma luz estúpida e baça.
Ainda que vivas outra vida,
Tudo é igual. Não há saída.

Morres e tudo recomeça,
E se repete a mesma peça:
Noite rugas de gelo no canal.
Farmácia. Rua. Fanal.

[10 de outubro de] 1912

(Do Ciclo “Dança da Morte”)

Aleksandr Blok

Пляски смерти

Ночь, улица, фонарь, аптека,
Бессмысленный и тусклый свет.
Живи еще хоть четверть века
Всё будет так. Исхода нет.

Умрешь начнешь опять сначала
И повторится всё, как встарь:
Ночь, ледяная рябь канала,
Аптека, улица, фонарь.

10 октября 1912
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Poesia Russa Moderna [várias autorias] — Traduções e Notas de Augusto e Haroldo de Campos e de Boris Schnaiderman, com revisão e colaboração mútuas dos tradutores, e Prefácios da 1ª e 2ª edições de Boris Schnaiderman, Coleção Signos Volume 33, 2ª reimpressão da 6ª edição, 2012, Editora Perspectiva, São Paulo — SP; Aleksandr Blok (1880 1921), russo de São Petersburgo, estudou Direito, desistiu, transferiu-se para o departamento eslavo-russo da Faculdade de História e Filologia (историко-филологического факультета) da Universidade de São Petersburgo e ali se formou, foi poeta lírico, escritor, tradutor, publicitário, dramaturgo e crítico literário; ainda estudante tornou-se famoso como poeta simbolista; de sua biografia, consta que “aos cinco anos de idade” iniciou-se na arte poética, aos dez anos, criou dois números da revista “Ship (Корабль), e, de 1894 a 1897, Aleksandr Blok e seus irmãos criaram e publicaram a revista ‘manuscrita’ “Vestnik (Вестник), num total de 37 edições; a partir sobretudo da Revolução de 1905, sua poesia passou a refletir profunda preocupação social; depois da Revolução de Outubro (1917) escreveu “relativamente” pouca poesia; em 1918, seu longo poema Os Doze (Двенадцать) provocou acirradas polêmicas: muitos revolucionários consideraram tal obra “alheia ao verdadeiro espírito de Outubro”, já a maioria dos seus amigos e antigos companheiros do simbolismo passaram a ver o poeta como “um trânsfuga, um renegado”; tido “como o poeta máximo do simbolismo russo”, ele próprio já via tal corrente como “completamente ultrapassada, pelo menos nos últimos anos de vida”; suas obras: em poesia: До света (Ante Lucem [Antes da luz], 1898-1900), Стихи о Прекрасной Даме (Versos sobre a bela dama, 1904-1905), Нечаянная радость e Снежная маска (O gozo imprevisto e Máscara de neve, ambos em 1907), Земля в снегу (A terra na neve, 1908), Ночные часы (As horas da noite, 1911), Двенадцать (Os doze, 1918), para teatro: Балаганчик (O teatro de feira), Король на площади (O rei na praça), Незнакомка (A desconhecida), todos de 1906, Песня Судьбы (A canção do Destino, 1908), Роза и Крест (A rosa e a cruz, 1913), Рамзес (Ramsés, 1919) ...; nos anos 1918-1920, o poeta foi eleito e ocupou várias funções no governo revolucionário que se iniciava, trabalhou muito, cansou-se, talvez daí possa decorrer seu “silêncio criativo”, teve sua saúde minada e adoeceu; na primavera de 1921, Aleksandr Blok e outro poeta pediram permissão à burocracia do governo para buscar tratamento da saúde fora do país, na Finlândia, e tiveram seu visto de saída negado, tal autorização só foi concedida após interferência de outros escritores russos, mas chegou tarde; o escritor Maximo Gorky, um dos intervenientes pró Blok, só soube do visto em 6 de agosto e, no dia seguinte, o poeta faleceu.