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Suspensos nos salões dos tetos
decorados,
Que de arabescos orna o gesso
alvinitente,
Ó lustres de cristal,
enganadoramente
Ao mesmo tempo sois sonoros e
calados.
Pesados, emprestais, no entanto, à
pompa ambiente,
Onde há ricos painéis entre
florões doirados,
A mais aérea graça, e os olhos
deslumbrados
Sentem que os cega o vosso encanto
reluzente.
Que o silêncio em redor guarde a
fragilidade
Translúcida que sois, e ouçam-se
quase a medo
Os rumores quaisquer que em torno
a vós se formem!
Toquem-vos docemente a sombra e a
claridade...
Nem se turbe, jamais, ó lustres, o
segredo
Das vibrações que em vós,
musicalmente dormem!
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Os Mais Belos Sonetos
Brasileiros — Seleção e Notas de Edgard Rezende, da Academia Fluminense de
Letras — Prefácio de Oliveira e Silva, 2ª edição, 1947, Casa Editora
Vecchi Ltda., Rio de Janeiro — RJ; Eduardo Gaspar da Costa Guimarães, (1892 — 1928), ou Eduardo Guimaraens, gaúcho de Porto Alegre, foi escritor, tradutor, jornalista
e poeta; colaborou com diversos periódicos da capital gaúcha (Folha da Manhã,
Jornal do Comércio, Diário, Federação e Correio do Povo) e do Rio de Janeiro (A
Hora, Rio-Jornal, A Imprensa, Boa Hora e revista Fon-Fon); junto a Cruz e Sousa
e Alphonsus de Guimaraens, formou a trindade simbolista no Brasil; escreveu e
publicou Caminho da Vida (poesias, 1908), Arabela e Atanael (contos, 1912), A
Divina Quimera (poesias, 1916), As Mulheres de D. João (comédia, sem data), Núpcias
de Antígone (tragédia, sem data); consta que, aos dezesseis anos, para ver
publicado seu primeiro soneto, ‘Aos Lustres’, teve que convencer o editor do Jornal da Manhã, que exigiu do poeta a comprovação de autoria do poema;
assinava suas obras como Eduardo Guimaraens.