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domingo, 19 de julho de 2015

Eduardo Guimarães: Aos lustres

Resultado de imagem para eduardo guimarães poeta Dos Lustres
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Suspensos nos salões dos tetos decorados,
Que de arabescos orna o gesso alvinitente,
Ó lustres de cristal, enganadoramente
Ao mesmo tempo sois sonoros e calados.

Pesados, emprestais, no entanto, à pompa ambiente,
Onde há ricos painéis entre florões doirados,
A mais aérea graça, e os olhos deslumbrados
Sentem que os cega o vosso encanto reluzente.

Que o silêncio em redor guarde a fragilidade
Translúcida que sois, e ouçam-se quase a medo
Os rumores quaisquer que em torno a vós se formem!

Toquem-vos docemente a sombra e a claridade...
Nem se turbe, jamais, ó lustres, o segredo
Das vibrações que em vós, musicalmente dormem!
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Os Mais Belos Sonetos Brasileiros — Seleção e Notas de Edgard Rezende, da Academia Fluminense de Letras — Prefácio de Oliveira e Silva, 2ª edição, 1947, Casa Editora Vecchi Ltda., Rio de Janeiro — RJ; Eduardo Gaspar da Costa Guimarães, (1892  1928), ou Eduardo Guimaraens, gaúcho de Porto Alegre, foi escritor, tradutor, jornalista e poeta; colaborou com diversos periódicos da capital gaúcha (Folha da Manhã, Jornal do Comércio, Diário, Federação e Correio do Povo) e do Rio de Janeiro (A Hora, Rio-Jornal, A Imprensa, Boa Hora e revista Fon-Fon); junto a Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens, formou a trindade simbolista no Brasil; escreveu e publicou Caminho da Vida (poesias, 1908), Arabela e Atanael (contos, 1912), A Divina Quimera (poesias, 1916), As Mulheres de D. João (comédia, sem data), Núpcias de Antígone (tragédia, sem data); consta que, aos dezesseis anos, para ver publicado seu primeiro soneto, ‘Aos Lustres’, teve que convencer o editor do Jornal da Manhã, que exigiu do poeta a comprovação de autoria do poema; assinava suas obras como Eduardo Guimaraens.