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terça-feira, 13 de setembro de 2016

Luís de Camões: Ditoso seja aquele que somente . . . [soneto]

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Ditoso seja aquele que somente
Se queixa de amorosas esquivanças;
Pois por elas não perde as esperanças
De poder n′algum tempo ser contente.

Ditoso seja quem, estando ausente,
Não sente mais que a pena das lembranças;
Porque inda que se tema de mudanças,
Menos se teme a dor quando se sente.

Ditoso seja, enfim, qualquer estado
Onde enganos, desprezos e isenção
Trazem um coração atormentado.

Mas triste quem se sente magoado
D′erros em que não pode haver perdão,
Sem ficar n′alma a mágoa do pecado.

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Poesia Fora da Estante (textos de vários poetas) — Volume 2, Organização de Vera Aguiar (Coord.), Simone Assumpção e Sissa Jacoby, Ilustrações de Tatiana Sperhacke, 2013, 7ª. edição, Editora Projeto, Porto Alegre — RS; Luís Vaz de Camões (1524  1580), português, teria nascido em Lisboa ou em Coimbra, foi poeta e é considerado um dos maiores vultos da literatura em língua portuguesa da Renascença e um dos grandes poetas do mundo ocidental; foi através de sua obra poética que a língua portuguesa passou a expressar sentimentos, sensações, fatos e idéias de uma forma até então jamais alcançada por ninguém; retratou o humanismo e a expansão ultramarina, dois elementos que caracterizaram o Renascimento Português; celebrizou-se não tão somente por ter escrito Os Lusíadas, longo poema épico que expõe a história e a cultura portuguesa até à época vigentes, mas também pelo desenvolvimento de uma obra lírica na qual se encontram, entre os poemas mais famosos, os sonetos; foi só após a sua morte que teve reunida, na coletânea Rimas, sua obra lírica.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Paulo Leminski: A lua no cinema

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      A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
      a história de uma estrela
que não tinha namorado.

      Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
      dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!

      Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela,
      e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.

      A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
      que até hoje a lua insiste:
 Amanheça, por favor!

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Poesia Fora da Estante (textos de vários poetas) — Volume 2, Organização de Vera Aguiar (Coord.), Simone Assumpção e Sissa Jacoby, Ilustrações de Tatiana Sperhacke, 2013, 7ª. edição, Editora Projeto, Porto Alegre — RS; Paulo Leminski Filho (1944  1989), paranaense de Curitiba, foi escritor, poeta, crítico literário, tradutor, professor, músico e letrista; como seminarista da Ordem dos Beneditinos, no Mosteiro de São Bento em São Paulo, iniciou seus estudos de latim e grego; como judoca faixa-preta, estudou o idioma japonês e tomou contato com a cultura e a poesia do Oriente; participante do I Congresso Brasileiro de Poesia de Vanguarda, em Belo Horizonte, conheceu o poeta Haroldo de Campos, de quem se tornou amigo e parceiro em várias obras; cursou Direito e desistiu, cursou Letras e desistiu várias vezes; foi professor de História e de Redação em cursos pré-vestibulares, professor de judô, atuou em publicidade; após estréia com seus textos, na revista Invenção, do poeta Décio Pignatari, colaborou em outros periódicos e revistas de vanguarda; teve textos musicados e fez parcerias com Caetano Veloso e outros músicos-compositores-letristas; traduziu obras de Petrônio, Alfred Jarry, James Joyce, John Fante, John Lennon, Samuel Beckett, Yukio Mishima, conhecedor que era dos idiomas inglês, francês, latim, grego, japonês e espanhol; sua bibliografia: Matsuo Bashô (ensaio biográfico, 1983), Caprichos e Relaxos (poesia, 1983), Cruz e Sousa (ensaio biográfico, 1983), Descartes com lentes (conto, 1983), Jesus a.C. (ensaio biográfico, 1983), Agora é que são elas (romance, 1984), Anseios crípticos (1986), Leon Trotski: a paixão segundo a revolução (ensaio biográfico, 1986), Distraídos venceremos (poesias, 1987), Guerra dentro da gente (1988), Catatau (prosa poética experimental, 1989), 40 Clics (poesia, com fotografias de Jack Pires, 1990), La vie en close (poesia, 1991), Uma carta uma brasa através: cartas a Régis Bonvincino 1976 a 1981 (1992), Metamorfoses: uma viagem pelo imaginário grego (1994), Winterverno (1994), O ex-estranho (1996) e outros; recebeu premiações por sua obra.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Cruz e Sousa: Mocidade

Poesia Fora Da Estante Volume 2 Vera Aguiar - R$ 36,90 em Mercado Livre
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Ah! esta mocidade! — Quem é moço
sente vibrar a febre enlouquecida
das ilusões, da crença mais florida
na muscular artéria de Colosso...

Das incertezas nunca mede o poço...
Asas abertas — na amplidão da vida,
páramo a dentro — de cabeça erguida,
vê do futuro o mais alegre esboço...

Chega a velhice, a neve das idades
e quem foi moço, volve, com saudades,
do azul passado, o fulgido compêndio...

Ai! esta mocidade palpitante,
lembra um inseto de ouro, rutilante,
em derredor das chamas de um incêndio!

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Poesia Fora da Estante (textos de vários poetas)  Volume 2, Organização de Vera Aguiar (Coord.), Simone Assumpção e Sissa Jacoby, Ilustrações de Tatiana Sperhacke, 2013, 7ª. edição, Editora Projeto, Porto Alegre — RS; João da Cruz e Sousa (1861  1898), catarinense nascido em Desterro, atual Florianópolis, filho de escravos alforriados e acolhido pelo Marechal Guilherme Xavier de Sousa e esposa, estudou e foi educado nas melhores escolas da região; com a morte de seus protetores teve que abandonar os estudos e foi obrigado a trabalhar; sofreu perseguições raciais, foi proibido de assumir o cargo de promotor público, por ser negro; no Rio de Janeiro, em 1890, manteve contato com a poesia simbolista francesa, colaborou em alguns jornais e publicou Missal (poemas em prosa, 1893) e Broquéis (poemas, 1893); em 1885, já publicara Tropos e Fantasias (poemas em prosa), em conjunto com Virgílio Várzea; no Rio, mesmo bastante conhecido, só conseguiu arrumar um emprego miserável, como arquivista, na Estrada de Ferro Central (do Brasil); foram editados postumamente Evocações (1898), Faróis (1900) e Últimos Sonetos (1905).

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Álvares de Azevedo: Meu sonho

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Eu

Cavaleiro das armas escuras,
Onde vais pelas trevas impuras
Com a espada sanguenta na mão?
Por que brilham teus olhos ardentes
E gemidos nos lábios frementes
Vertem fogo do teu coração?

Cavaleiro, quem és? o remorso?
Do corcel te debruças no dorso…
E galopas do vale através…
Oh! da estrada acordando as poeiras
Não escutas gritar as caveiras
E morder-te o fantasma nos pés?

Onde vais pelas trevas impuras,
Cavaleiro das armas escuras,
Macilento qual morto na tumba?…
Tu escutas… Na longa montanha
Um tropel teu galope acompanha?
E um clamor de vingança retumba?

Cavaleiro, quem és?  que mistério,
Quem te força da morte no império
Pela noite assombrada a vagar?

O fantasma

Sou o sonho de tua esperança,
Tua febre que nunca descansa,
O delírio que te há de matar!…

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Poesia Fora da Estante (textos de vários poetas) — Volume 2, Organização de Vera Aguiar (Coord.), Simone Assumpção e Sissa Jacoby, Ilustrações de Tatiana Sperhacke, 2013, 7ª. edição, Editora Projeto, Porto Alegre — RS; Manuel Antônio Álvares de Azevedo (1831 1852), paulista e paulistano, poeta, chegou a cursar a Faculdade de Direito de São Paulo (USP  Largo São Francisco), mas teve seus estudos interrompidos ao contrair tuberculose, doença que o levou ao falecimento aos vinte anos de idade; devido a vinda prematura da morte, os textos do poeta só foram publicados postumamente: Lira dos Vinte Anos (poesia, 1853), Obras (1855), Macário (peça de teatro, 1855), A Noite na Taverna (1878), O Conde Lopo (1886).

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Paulo Leminski: Desencontrários

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Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
      Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
      Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.

      Mandei a frase sonhar,
e ela se foi num labirinto.
      Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
      para conquistar um império extinto.

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Poesia Fora da Estante (textos de vários poetas)  Volume 2, Organização de Vera Aguiar (Coord.), Simone Assumpção e Sissa Jacoby, Ilustrações de Tatiana Sperhacke, 2013, 7ª. edição, Editora Projeto, Porto Alegre — RS; Paulo Leminski Filho (1944  1989), paranaense de Curitiba, foi escritor, poeta, crítico literário, tradutor, professor, músico e letrista; como seminarista da Ordem dos Beneditinos, no Mosteiro de São Bento em São Paulo, iniciou seus estudos de latim e grego; como judoca faixa-preta, estudou o idioma japonês e tomou contato com a cultura e a poesia do Oriente; participante do I Congresso Brasileiro de Poesia de Vanguarda, em Belo Horizonte, conheceu o poeta Haroldo de Campos, de quem se tornou amigo e parceiro em várias obras; cursou Direito e desistiu, cursou Letras e desistiu várias vezes; foi professor de História e de Redação em cursos pré-vestibulares, professor de judô, atuou em publicidade; após estréia com seus textos, na revista Invenção, do poeta Décio Pignatari, colaborou em outros periódicos e revistas de vanguarda; teve textos musicados e fez parcerias com Caetano Veloso e outros músicos-compositores-letristas; traduziu obras de Petrônio, Alfred Jarry, James Joyce, John Fante, John Lennon, Samuel Beckett, Yukio Mishima, conhecedor que era dos idiomas inglês, francês, latim, grego, japonês e espanhol; sua bibliografia: Matsuo Bashô (ensaio biográfico, 1983), Caprichos e Relaxos (poesia, 1983), Cruz e Sousa (ensaio biográfico, 1983), Descartes com lentes (conto, 1983), Jesus a.C. (ensaio biográfico, 1983), Agora é que são elas (romance, 1984), Anseios crípticos (1986), Leon Trotski: a paixão segundo a revolução (ensaio biográfico, 1986), Distraídos venceremos (poesias, 1987), Guerra dentro da gente (1988), Catatau (prosa poética experimental, 1989), 40 Clics (poesia, com fotografias de Jack Pires, 1990), La vie en close (poesia, 1991), Uma carta uma brasa através: cartas a Régis Bonvincino 1976 a 1981 (1992), Metamorfoses: uma viagem pelo imaginário grego (1994), Winterverno (1994), O ex-estranho (1996) e outros; recebeu premiações por sua obra.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Gilberto Mendonça Teles: Cantiga

Poesia Fora da Estante - Volume 2 | Amazon.com.br
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Pergunto ao mar por que foge
e ao vento por que não vem.
O tempo levou a vida
para outra praia no além.
Há tanto pássaro voando,
meu sonho voou também.

Pousou nas cristas das vagas,
tornou-se espuma salgada
e veio dar nesta praia
onde não há mais ninguém.

E o mar que foge retorna,
retorna o vento também.
Só a vida que foi não volta,
só o tempo que foi não vem.

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Poesia Fora da Estante (textos de vários poetas) — Volume 2, Organização de Vera Aguiar (Coord.), Simone Assumpção e Sissa Jacoby, Ilustrações de Tatiana Sperhacke, 2013, 7ª. edição, Editora Projeto, Porto Alegre — RS; Gilberto Mendonça Teles, nascido em 1931, goiano de Bela Vista de Goiás, formado em Direito e Letras Neolatinas pelas UFG e UCG (Universidades Federal e Católica de Goiás) e com doutorado em Língua Portuguesa pela Universidade de Coimbra Portugal, professor, poeta e crítico literário, é detentor de uma vasta bibliografia em poesias, Alvorada (1955), Estrela d'Alva (1956), Fábula de Fogo (1958), Pássaro de Pedra (1962), Sintaxe Invisível (1967), A Raiz da Fala (1972), Arte de Armar (1977), e outros títulos editados e reeditados, além de ensaios, Goiás e Literatura A Poesia de Leo Lynce e o sentido simbolista da obra poética de Erico Curado (1964), A Poesia em Goiás (1964), O Conto Brasileiro em Goiás (1969), Drummond A Estilística da Repetição (1970), Vanguarda Européia e Modernismo Brasileiro (1972 e 1976 edição revista e aumentada), Camões e a Poesia Brasileira (1973), A Retórica do Silêncio (1979), Estudos de Poesia Brasileira (1985), A Escrituração da Escrita (1996) etc.; o poeta e ensaísta, diversas vezes premiado por sua atividade literária, também é reconhecido fora do país, com livros vertidos para outras línguas e publicados no exterior.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Paulo Leminski: Razão de ser

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Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
      preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
      Escrevo porque amanhece,
e as estrelas lá no céu
      lembram letras no papel,
quando o poema me anoitece.
      A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
      Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?

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Poesia Fora da Estante (textos de vários poetas)  Volume 2, Organização de Vera Aguiar (Coord.), Simone Assumpção e Sissa Jacoby, Ilustrações de Tatiana Sperhacke, 2013, 7ª. edição, Editora Projeto, Porto Alegre  RS; Paulo Leminski Filho (1944  1989), paranaense de Curitiba, foi escritor, poeta, crítico literário, tradutor, professor, músico e letrista; como seminarista da Ordem dos Beneditinos, no Mosteiro de São Bento em São Paulo, iniciou seus estudos de latim e grego; como judoca faixa-preta, estudou o idioma japonês e tomou contato com a cultura e a poesia do Oriente; participante do I Congresso Brasileiro de Poesia de Vanguarda, em Belo Horizonte, conheceu o poeta Haroldo de Campos, de quem se tornou amigo e parceiro em várias obras; cursou Direito e desistiu, cursou Letras e desistiu várias vezes; foi professor de História e de Redação em cursos pré-vestibulares, professor de judô, atuou em publicidade; após estréia com seus textos, na revista Invenção, do poeta Décio Pignatari, colaborou em outros periódicos e revistas de vanguarda; teve textos musicados e fez parcerias com Caetano Veloso e outros músicos-compositores-letristas; traduziu obras de Petrônio, Alfred Jarry, James Joyce, John Fante, John Lennon, Samuel Beckett, Yukio Mishima, conhecedor que era dos idiomas inglês, francês, latim, grego, japonês e espanhol; sua bibliografia: Matsuo Bashô (ensaio biográfico, 1983), Caprichos e Relaxos (poesia, 1983), Cruz e Sousa (ensaio biográfico, 1983), Descartes com lentes (conto, 1983), Jesus a.C. (ensaio biográfico, 1983), Agora é que são elas (romance, 1984), Anseios crípticos (1986), Leon Trotski: a paixão segundo a revolução (ensaio biográfico, 1986), Distraídos venceremos (poesias, 1987), Guerra dentro da gente (1988), Catatau  (prosa poética experimental, 1989), 40 Clics (poesia, com fotografias de Jack Pires, 1990), La vie en close (poesia, 1991), Uma carta uma brasa através: cartas a Régis Bonvincino  1976 a 1981 (1992), Metamorfoses: uma viagem pelo imaginário grego (1994), Winterverno  (1994), O ex-estranho (1996) e outros; recebeu premiações por sua obra.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Cruz e Sousa: To sleep, to dream

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Dormir, sonhar o poeta inglês o disse...
Ah! Mas se a gente nunca mais sonhasse
ah! Mas se a gente nunca mais dormisse
e as ilusões não mais acalentasse?

E o que importava que o futuro risse
de um visionário que tal cousa ideasse;
se não seria o único que abrisse
uma exceção da vida humana à face?...

Se os imortais filósofos modernos
que derrubaram todos os infernos,
que destruíram toda a teogonia,

orientando a triste humanidade,
deixaram, mais e mais, a piedade
inteiramente desolada e fria?


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Poesia Fora da Estante (textos de vários poetas)  Volume 2, Organização de Vera Aguiar (Coord.), Simone Assumpção e Sissa Jacoby, Ilustrações de Tatiana Sperhacke, 2013, 7ª. edição, Editora Projeto, Porto Alegre — RS; João da Cruz e Sousa (1861  1898), catarinense nascido em Desterro, atual Florianópolis, filho de escravos alforriados e acolhido pelo Marechal Guilherme Xavier de Sousa e esposa, estudou e foi educado nas melhores escolas da região; com a morte de seus protetores teve que abandonar os estudos e foi obrigado a trabalhar; sofreu perseguições raciais, foi proibido de assumir o cargo de promotor público, por ser negro; já no Rio de Janeiro, em 1890, manteve contato com a poesia simbolista francesa, colaborou em alguns jornais e publicou Missal (poemas em prosa, 1893) e Broquéis (poemas, 1893); em 1885, já publicara Tropos e Fantasias (poemas em prosa), em conjunto com Virgílio Várzea; no Rio, mesmo bastante conhecido, só conseguiu arrumar um emprego miserável, como arquivista, na Estrada de Ferro Central (do Brasil); foram editados postumamente Evocações (1898), Faróis (1900) e Últimos Sonetos (1905).