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Ditoso seja aquele que somente
Se queixa de amorosas esquivanças;
Pois por elas não perde as esperanças
De poder n′algum tempo ser contente.
Ditoso seja quem, estando ausente,
Não sente mais que a pena das lembranças;
Porque inda que se tema de mudanças,
Menos se teme a dor quando se sente.
Ditoso seja, enfim, qualquer estado
Onde enganos, desprezos e isenção
Trazem um coração atormentado.
Mas triste quem se sente magoado
D′erros em que não pode haver perdão,
Se queixa de amorosas esquivanças;
Pois por elas não perde as esperanças
De poder n′algum tempo ser contente.
Ditoso seja quem, estando ausente,
Não sente mais que a pena das lembranças;
Porque inda que se tema de mudanças,
Menos se teme a dor quando se sente.
Ditoso seja, enfim, qualquer estado
Onde enganos, desprezos e isenção
Trazem um coração atormentado.
Mas triste quem se sente magoado
D′erros em que não pode haver perdão,
Sem ficar n′alma a mágoa do pecado.
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Poesia Fora da Estante (textos
de vários poetas) — Volume 2, Organização de Vera Aguiar (Coord.),
Simone Assumpção e Sissa Jacoby, Ilustrações de Tatiana
Sperhacke, 2013, 7ª. edição, Editora
Projeto, Porto Alegre — RS; Luís Vaz de Camões
(1524 — 1580), português, teria nascido em Lisboa ou em
Coimbra, foi poeta e é considerado um dos maiores vultos da literatura em
língua portuguesa da Renascença e um dos grandes poetas do mundo ocidental; foi
através de sua obra poética que a língua portuguesa passou a expressar sentimentos, sensações, fatos e idéias de uma forma até então jamais alcançada
por ninguém; retratou o humanismo e a expansão ultramarina, dois elementos que caracterizaram o Renascimento Português; celebrizou-se não tão somente por ter
escrito Os Lusíadas, longo poema épico que expõe a história e a
cultura portuguesa até à época vigentes, mas também pelo desenvolvimento de uma
obra lírica na qual se encontram, entre os poemas mais famosos, os sonetos; foi
só após a sua morte que teve reunida, na coletânea Rimas, sua obra lírica.






