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Ah! esta
mocidade! — Quem é moço
sente vibrar a febre enlouquecida
das ilusões, da crença mais florida
na muscular artéria de Colosso...
Das incertezas nunca mede o poço...
Asas abertas — na amplidão da vida,
páramo a dentro — de cabeça erguida,
vê do futuro o mais alegre esboço...
Chega a velhice, a neve das idades
e quem foi moço, volve, com saudades,
do azul passado, o fulgido compêndio...
Ai! esta mocidade palpitante,
lembra um inseto de ouro, rutilante,
sente vibrar a febre enlouquecida
das ilusões, da crença mais florida
na muscular artéria de Colosso...
Das incertezas nunca mede o poço...
Asas abertas — na amplidão da vida,
páramo a dentro — de cabeça erguida,
vê do futuro o mais alegre esboço...
Chega a velhice, a neve das idades
e quem foi moço, volve, com saudades,
do azul passado, o fulgido compêndio...
Ai! esta mocidade palpitante,
lembra um inseto de ouro, rutilante,
em derredor das chamas de um incêndio!

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Poesia
Fora da Estante (textos de vários poetas) — Volume 2, Organização de Vera
Aguiar (Coord.), Simone Assumpção e Sissa Jacoby, Ilustrações de Tatiana
Sperhacke, 2013, 7ª. edição, Editora Projeto, Porto Alegre — RS; João da Cruz e Sousa (1861 — 1898), catarinense nascido em Desterro, atual Florianópolis, filho de escravos alforriados e acolhido pelo
Marechal Guilherme Xavier de Sousa e esposa, estudou e foi educado nas melhores
escolas da região; com a morte de seus protetores teve que abandonar os estudos
e foi obrigado a trabalhar; sofreu perseguições raciais, foi proibido de
assumir o cargo de promotor público, por ser negro; já no Rio de Janeiro, em
1890, manteve contato com a poesia simbolista francesa, colaborou em alguns
jornais e publicou Missal (poemas em prosa, 1893) e Broquéis (poemas,
1893); em 1885, já publicara Tropos e Fantasias (poemas em
prosa), em conjunto com Virgílio Várzea; no Rio, mesmo bastante conhecido, só conseguiu arrumar um emprego miserável, como arquivista, na Estrada de Ferro
Central (do Brasil); foram editados postumamente Evocações (1898), Faróis (1900) e Últimos Sonetos (1905).
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