sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Cruz e Sousa: Mocidade

Poesia Fora Da Estante Volume 2 Vera Aguiar - R$ 36,90 em Mercado Livre
____________________
Ah! esta mocidade! — Quem é moço
sente vibrar a febre enlouquecida
das ilusões, da crença mais florida
na muscular artéria de Colosso...

Das incertezas nunca mede o poço...
Asas abertas — na amplidão da vida,
páramo a dentro — de cabeça erguida,
vê do futuro o mais alegre esboço...

Chega a velhice, a neve das idades
e quem foi moço, volve, com saudades,
do azul passado, o fulgido compêndio...

Ai! esta mocidade palpitante,
lembra um inseto de ouro, rutilante,
em derredor das chamas de um incêndio!

____________________
Poesia Fora da Estante (textos de vários poetas)  Volume 2, Organização de Vera Aguiar (Coord.), Simone Assumpção e Sissa Jacoby, Ilustrações de Tatiana Sperhacke, 2013, 7ª. edição, Editora Projeto, Porto Alegre — RS; João da Cruz e Sousa (1861  1898), catarinense nascido em Desterro, atual Florianópolis, filho de escravos alforriados e acolhido pelo Marechal Guilherme Xavier de Sousa e esposa, estudou e foi educado nas melhores escolas da região; com a morte de seus protetores teve que abandonar os estudos e foi obrigado a trabalhar; sofreu perseguições raciais, foi proibido de assumir o cargo de promotor público, por ser negro; no Rio de Janeiro, em 1890, manteve contato com a poesia simbolista francesa, colaborou em alguns jornais e publicou Missal (poemas em prosa, 1893) e Broquéis (poemas, 1893); em 1885, já publicara Tropos e Fantasias (poemas em prosa), em conjunto com Virgílio Várzea; no Rio, mesmo bastante conhecido, só conseguiu arrumar um emprego miserável, como arquivista, na Estrada de Ferro Central (do Brasil); foram editados postumamente Evocações (1898), Faróis (1900) e Últimos Sonetos (1905).

Nenhum comentário:

Postar um comentário