Na gare um trem parte. Hora da despedida.
(Que passa, sem saber todo o mal que nos faz!)
Não tens nada a dizer-me? Adeus. Assim é a vida.
“Nunca mais te verei, nunca mais me verás...”
Mais um sonho que passa, e mais uma ferida
Que, para o coração, o destino nos traz.
Tu ficas a pensar: — “Toda a mulher olvida...”
E eu, antes de partir, sei que me esquecerás.
Uma sineta soa. Um ranger agitado
De ferragens, depois um silvo prolongado.
E o comboio lá vai nas trevas se afastando.
E terminou, assim, aquele sonho lindo...
Eu, triste, a imaginar que tu ficavas rindo,
Tu, rindo, sem saber que eu vinha chorando!
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Coletânea de Poetas
Paulistas — Seleção, Organização e Introdução de Enéas de
Moura, 1951, Editora Minerva, Rio de Janeiro — RJ; Colombina, ou Yde (Adelaide) Schloenbach Blumenschein
(1882 — 1963), paulista e
paulistana, fez parte de seus estudos na Alemanha; cronista e poetisa, publicou
seus primeiros poemas por volta de 1900, n’A Tribuna, de Santos — SP; colaborou com revistas e jornais de sua
época, como O Malho, Fon-Fon, Careta, Jornal das Moças, muitas vezes utilizando os pseudônimos Colombina ou Paula Brasil; criou a Casa do Poeta Lampião de Gás e O
Fanal, periódico da Casa por ela editado e do qual foi diretora; escreveu e
publicou Vislumbres (poesias, 1908), Versos em Lá menor (1930), Lampião de Gás
(1937), Uma cigarra cantou para você (1946), Distância: poemas de amor e de
renúncia (1948), Trovas (1955), Cantigas ao Luar (1960), Rapsódia Rubra: Poemas
à Carne (1961) e outros títulos; a poetisa, poliglota, falava alemão, francês,
inglês, espanhol e italiano, além da língua pátria.
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