Nos tempos que vão longe — amor
era um segredo,
um sonho, que agitava o coração da
gente:
Um aperto de mão furtivo, quase a
medo,
um tímido sorriso, um olhar...
simplesmente.
Hoje é bem outro o amor — um frívolo
brinquedo,
uma febre exterior, que o coração
não sente.
Não encerra o dulçor de afeto puro
e ledo,
não traduz a emoção do amor de
antigamente.
No amor já não existe o áureo pomo
vedado
do paraíso ideal, tanto mais
desejado
quanto mais proibido. É uma coisa
banal...
Começa pelo fim. A abelha do
desejo
queima as asas febris ma volúpia
do beijo
e a flâmula do amor apaga-se,
afinal.

____________________
Coletânea de Poetas Paulistas —
Seleção, Organização e Introdução de Enéas de Moura, 1951, Editora
Minerva, Rio de Janeiro — RJ; Emiliana Delminda do
Amaral (1865 — 1963?), paulista de
Silveiras, foi romancista, poetisa e professora
autodidata; durante anos deu aulas particulares; seus textos foram
divulgados pela imprensa paulista (A Tribuna e Flama, de
Santos, Clarim, de Matão, Nova Era, de Franca, e outros
periódicos); escreveu e publicou Violetas (poesia, 1906), Miragens (poesia, 1908), Crepúsculo (poesia, 1914), Fragmentos
d’Alma (poesia, 1918), Segredo Fatal (romance,
1925), Calvário do Amor (romance, 1935), Folhas
Caídas (poesia, 1947); deixou
inéditos Minúsculas (contos) e O despertar da
luz (poesia).
Nenhum comentário:
Postar um comentário