Não desejeis
amar a toda a gente
com o mesmo afeto, o mesmo doce ardor:
seria um erro mau, e esse erro ingente
um manancial de humilhações e dor.
Dai aos vossos
amigos, pontualmente,
tudo o que tendes de mais fino: a flor
do vosso coração, a chama ardente,
sem fumo nem carvões, do vosso amor.
Sejam, no mundo
torvo, um claro mundo,
vossa ilha graciosa em mar profundo,
neste da vida revoltoso mar;
ilha aonde,
batidos de procelas,
vireis confiantes reparar as velas
e em porto sem
insídias ancorar.

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Coletânea de Poetas
Paulistas — Seleção, Organização e Introdução de Enéas de
Moura, 1951, Editora Minerva, Rio de Janeiro — RJ; Amadeu Ataliba
Arruda Amaral Leite Penteado (1875 — 1929), paulista de Capivari
(hoje Monte Mor), foi poeta, jornalista, crítico, folclorista, ensaísta e
filólogo; em São Paulo, trabalhou no Correio Paulistano, n’O Estado de São Paulo, exerceu cargos na administração pública e, no Rio de Janeiro, foi secretário do Gazeta de Notícias; escreveu e publicou Urzes (poesia, 1889), Névoa (poesia,
1902), Espumas (poesia, 1917), Letras Floridas (ensaio, 1920), O
Dialeto Caipira (filologia, 1920), Lâmpada Antiga (poesia, 1924), O
Elogio da mediocridade (ensaio, 1924), entre outros títulos.
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