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Eu
Cavaleiro das
armas escuras,
Onde vais pelas
trevas impuras
Com a espada
sanguenta na mão?
Por que brilham
teus olhos ardentes
E gemidos nos
lábios frementes
Vertem fogo do
teu coração?
Cavaleiro, quem
és? o remorso?
Do corcel te
debruças no dorso…
E galopas do
vale através…
Oh! da estrada
acordando as poeiras
Não escutas
gritar as caveiras
E morder-te o
fantasma nos pés?
Onde vais pelas
trevas impuras,
Cavaleiro das
armas escuras,
Macilento qual
morto na tumba?…
Tu escutas… Na
longa montanha
Um tropel teu
galope acompanha?
E um clamor de
vingança retumba?
Cavaleiro, quem
és? — que mistério,
Quem te força da
morte no império
Pela noite
assombrada a vagar?
O fantasma
Sou o sonho de
tua esperança,
Tua febre que
nunca descansa,
O delírio que te
há de matar!…

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Poesia Fora da Estante (textos
de vários poetas) — Volume 2, Organização de Vera Aguiar (Coord.), Simone Assumpção e Sissa Jacoby, Ilustrações de Tatiana
Sperhacke, 2013, 7ª. edição, Editora Projeto, Porto Alegre — RS;
Manuel Antônio Álvares de Azevedo (1831 — 1852), paulista e
paulistano, poeta, chegou a cursar a Faculdade de Direito de São Paulo
(USP — Largo São Francisco), mas teve seus estudos interrompidos ao
contrair tuberculose, doença que o levou ao falecimento aos vinte anos de idade; devido
a vinda prematura da morte, os textos do poeta só foram publicados
postumamente: Lira dos Vinte Anos (poesia, 1853), Obras (1855), Macário (peça
de teatro, 1855), A Noite na Taverna (1878), O Conde
Lopo (1886).
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