segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Álvares de Azevedo: Meu sonho

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Eu

Cavaleiro das armas escuras,
Onde vais pelas trevas impuras
Com a espada sanguenta na mão?
Por que brilham teus olhos ardentes
E gemidos nos lábios frementes
Vertem fogo do teu coração?

Cavaleiro, quem és? o remorso?
Do corcel te debruças no dorso…
E galopas do vale através…
Oh! da estrada acordando as poeiras
Não escutas gritar as caveiras
E morder-te o fantasma nos pés?

Onde vais pelas trevas impuras,
Cavaleiro das armas escuras,
Macilento qual morto na tumba?…
Tu escutas… Na longa montanha
Um tropel teu galope acompanha?
E um clamor de vingança retumba?

Cavaleiro, quem és?  que mistério,
Quem te força da morte no império
Pela noite assombrada a vagar?

O fantasma

Sou o sonho de tua esperança,
Tua febre que nunca descansa,
O delírio que te há de matar!…

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Poesia Fora da Estante (textos de vários poetas) — Volume 2, Organização de Vera Aguiar (Coord.), Simone Assumpção e Sissa Jacoby, Ilustrações de Tatiana Sperhacke, 2013, 7ª. edição, Editora Projeto, Porto Alegre — RS; Manuel Antônio Álvares de Azevedo (1831 1852), paulista e paulistano, poeta, chegou a cursar a Faculdade de Direito de São Paulo (USP  Largo São Francisco), mas teve seus estudos interrompidos ao contrair tuberculose, doença que o levou ao falecimento aos vinte anos de idade; devido a vinda prematura da morte, os textos do poeta só foram publicados postumamente: Lira dos Vinte Anos (poesia, 1853), Obras (1855), Macário (peça de teatro, 1855), A Noite na Taverna (1878), O Conde Lopo (1886).

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