quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Florbela Espanca: Rústica

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Ser a moça mais linda do povoado.
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A bênção do Senhor em cada filho.

Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho...
Com o luar matar a sede ao gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho...

Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à "terra da verdade"...

Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de Princesa,
E todos os meus Reinos de Ansiedade.

Charneca em Flor  1931

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Antologia de Poemas para a Juventude (vários autores) — Organização e Apresentação de Henriqueta Lisboa, 2003, 2ª edição, Ediouro Publicações S/A, Rio de Janeiro — RJ; Florbela D'Alma da Conceição Lobo Espanca (1894  1930), portuguesa do Alentejo, poeta e contista, em vida escreveu e publicou Livro de Mágoas (1919), Livro de Sóror Saudade (1923); após sua morte, publicaram-se ReliquiaeCharneca em Flor e os contos As Máscaras do Destino e Dominó Negro (todos em 1931).

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