
____________________
Ser a moça mais
linda do povoado.
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A bênção do Senhor em cada filho.
Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho...
Com o luar matar a sede ao gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho...
Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à "terra da verdade"...
Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de Princesa,
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A bênção do Senhor em cada filho.
Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho...
Com o luar matar a sede ao gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho...
Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à "terra da verdade"...
Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de Princesa,
E todos os meus Reinos de Ansiedade.
Charneca em Flor — 1931
____________________
Antologia
de Poemas para a Juventude (vários autores) — Organização e
Apresentação de Henriqueta Lisboa, 2003, 2ª edição, Ediouro Publicações
S/A, Rio de Janeiro — RJ; Florbela D'Alma da
Conceição Lobo Espanca (1894 — 1930), portuguesa do
Alentejo, poeta e contista, em vida escreveu e publicou Livro de Mágoas (1919), Livro
de Sóror Saudade (1923); após sua morte, publicaram-se Reliquiae, Charneca
em Flor e os contos As Máscaras do Destino e Dominó Negro (todos
em 1931).
Nenhum comentário:
Postar um comentário