Mostrando postagens com marcador Isidro Nunes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Isidro Nunes. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Isidro Nunes: Manhã tropical

 
____________________
Surge das bandas rubras do Levante,
Envolto em gaze de ouro e rosa o Dia.
Vibra no espaço a nota dominante
D’uma orquestral e terna sinfonia!

A luz do sol, no azul, forte e vibrante
Vem colorindo a esconsa serrania
Que, muito ao longe, em vulto de gigante,
O céu e o mar, soberba desafia!

E as brumas vão precipites fugindo...
Vão como pombas tímidas, medrosas
Das encostas no báratro caindo.

Há pelo ar uns frêmitos de festa...
Florescem lírios, desabrocham rosas,
E a vida em tudo, a rir, se manifesta!

(Meteoros — 1906, 2ª edição, 1911)

____________________
Café Paris: Os Precursores, por Maria José da Silva Fernandes e Emílio Maciel Eigenheer, com a colaboração de Felipe Castilho Newman de Queiroz e Raphael Giovanini Barros Santana, 2014, Editora Novas Ideias, Niterói — RJ; Isidro Nunes Ferreira (1879 1955), nascido em Resende RJ, caixeiro comercial, militar, jornalista, cronista e poeta, foi um dos pioneiros frequentadores do Café Paris, reduto de intelectuais em Niterói no início do século XX; colaborou na revista A Cruzada, de Niterói, nos jornais Imprensa e Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, na revista literária Nova Cruz, de São Paulo, no jornal O Pharol, de Juiz de Fora MG, entre outros periódicos da época, e tendo exercido cargos de direção em alguns deles; obras: Ninfas (1902), Meteoros (1906 e 1911, 2ª edição), Torre Azul (1923 e 1953, 2ª edição), Horas de Leitura (coletânea de ensaios, crônicas e poemas, 1928), Última Colheita (1933 e 1953, 2ª edição).

domingo, 21 de novembro de 2021

Isidro Nunes: Agonia do Sol

 
____________________
É de tarde. No espaço iluminado e quente,
Paira funda expressão de grande nostalgia!
Que paisagem sublime e que doce poesia
Neste nosso formoso e vasto continente!...

Cessara por completo, o bulício do dia...
O horizonte estremece, e a gaze transparente
Do crepúsculo cai, serena e brandamente,
Como um floco de neve, além de serrania.

E nessa hora de paz e recolhimento,
Em que mais sugestiva a saudade nos arde,
De alguém cuja alma vibra em nosso pensamento,

Há por tudo o gemer de misteriosa lira!
E lá, no Ocaso em fogo, à surdina da tarde,
O Sol, o morno Sol, agonizando expira!...

(A Cithara: revista bi-mensal, Niterói,
ano 1, nº 1, 28 de fev. 1905, p. 8.)

____________________
Café Paris: Os Precursores, por Maria José da Silva Fernandes e Emílio Maciel Eigenheer, com a colaboração de Felipe Castilho Newman de Queiroz e Raphael Giovanini Barros Santana, 2014, Editora Novas Ideias, Niterói — RJ; Isidro Nunes Ferreira (1879 1955), nascido em Resende RJ, caixeiro comercial, militar, jornalista, cronista e poeta, foi um dos pioneiros frequentadores do Café Paris, reduto de intelectuais em Niterói no início do século XX; colaborou na revista A Cruzada, de Niterói, nos jornais Imprensa e Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, na revista literária Nova Cruz, de São Paulo, no jornal O Pharol, de Juiz de Fora MG, entre outros periódicos da época, e tendo exercido cargos de direção em alguns deles; obras: Ninfas (1902), Meteoros (1906 e 1911, 2ª edição), Torre Azul (1923 e 1953, 2ª edição), Horas de Leitura (coletânea de ensaios, crônicas e poemas, 1928), Última Colheita (1933 e 1953, 2ª edição).

domingo, 17 de outubro de 2021

Isidro Nunes: No ermo

____________________
Ao meigo poeta A. Gonçalves

A noite é escura, é tenebrosa, é feia,
Tudo repousa em volta da choupana
Somente o leque da palmeira abana
A deusa bruma que no ar serpeia...

Desliza em baixo fugitiva veia
Correm ofídias entre os pés de cana,
E solitária, dentro da cabana
Jaz uma pobre já do mundo alheia!...

Soluça, e chega convulsando choro...
A Deus socorro tristemente implora,
E à vida espera o laciente termo!

O vento ulula qual cruel açoite
Na imensa e treda solidão da noite
E a pobre expira no sombrio ermo!...

(jornal O Fluminense, Niterói,
26 nov. 1902, p. 2.)

____________________
Café Paris: Os Precursores, por Maria José da Silva Fernandes e Emílio Maciel Eigenheer, com a colaboração de Felipe Castilho Newman de Queiroz e Raphael Giovanini Barros Santana, 2014, Editora Novas Ideias, Niterói — RJ; Isidro Nunes Ferreira (1879 1955), nascido em Resende RJ, caixeiro comercial, militar, jornalista, cronista e poeta, foi um dos pioneiros frequentadores do Café Paris, reduto de intelectuais em Niterói no início do século XX; colaborou na revista A Cruzada, de Niterói, nos jornais Imprensa e Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, na revista literária Nova Cruz, de São Paulo, no jornal O Pharol, de Juiz de Fora MG, entre outros periódicos da época, e tendo exercido cargos de direção em alguns deles; obras: Ninfas (1902), Meteoros (1906 e 1911, 2ª edição), Torre Azul (1923 e 1953, 2ª edição), Horas de Leitura (coletânea de ensaios, crônicas e poemas, 1928), Última Colheita (1933 e 1953, 2ª edição).

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Isidro Nunes: O Relógio de minha sala

____________________
Bate... bate, Relógio! O tempo passa
Na eterna sucessão das horas mansas;
E tu, velho operário de ênea raça,
Não sentes a fadiga, não descansas!

Muitas vezes registras a desgraça,
Outras tantas, o sonho, as esperanças...
 Para alguns, de cicuta enches a taça,
 Gozos a outros, a mancheias, lanças.

Mas, escravo de eterno itinerário,
Levando o espaço e o tempo de vencida,
Vais, sereno, cumprindo o teu fadário...

E eu, dia a dia, ao ver-te, vou cismando
Nas horas más de toda a minha vida,
Que há muito os teus ponteiros vão marcando!...
____________________
Antologia de Poetas Fluminenses (vários autores) — Rubens Falcão, Carta-Prefácio de Agripino Grieco, 1968, Gráfica Record Editora, Rio de Janeiro — RJ; Isidro Nunes Ferreira (1897 1955), um dos pioneiros frequentadores do Café Paris, reduto de intelectuais em Niterói no início do século XX, foi militar e poeta; colaborou na revista A Cruzada, de Niterói, e na ImprensaGazeta de Notícias, no Rio; escreveu e publicou Ninfas (1902), Meteoros (1906), Torre Azul (1ª. edição, 1923 e, 2ª. edição, 1953), e Última  Colheita.