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quarta-feira, 23 de março de 2016

Alfredo Cunha: Dourado bergantim, num mar distante, . . . [soneto]

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Dourado bergantim, num mar distante,
num mar que banha regiões graciosas,
povoadas de imagens fantasiosas,
como um tropel de fadas, doidejante...

À proa canta a Musa 
 o tripulante
que à flor de um lago, todo leite e rosas,
ou no dorso das vagas espumosas,
conduz ligeiro a quilha de diamante.

Ao país da quimera vai correndo
 fatal país donde jamais volvemos,
ao mesmo tempo tentador e horrendo.

E audaz buscando esses confins extremos,
o leve bergantim vão-no movendo
as pás argênteas de quatorze remos...



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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima, Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Alfredo Carneiro da Cunha (1863  1942), português de Fundão, formado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi advogado, jornalista, empresário de imprensa e tipografia, poeta, contista, ensaísta, escritor de obras teatrais; dirigiu e foi proprietário do periódico Diário de Notícias e da Tipografia Universal de Lisboa, colaborou nas revistas A Leitura, Branco e Negro, Brasil — Portugal, Serões, Boletim cultural e estatístico; escreveu e publicou Versos (reedição 1900 ?), O Diário de Notícias — A sua fundação e os seus fundadores (1914), Camilo Castelo Branco, Jornalista (1925), Goethe haveria lido Gil Vicente? (1932), Elementos para a História da Imprensa Periódica Portuguesa: 1641  1821 (1942) ...