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[traduzido por Ricardo Gonçalves]
Com três ovos — cada clara
Bem batida, uma por uma,
Se prepara
Uma xícara de espuma
Branca e leve qual se fosse
Neve pura; põe-se então,
Com leite de amêndoa doce,
Quinze gotas de limão.
Depois se bate e adelgaça,
Visando-se obra perfeita,
Fina massa
Que se deita
Numas formas especiais.
E em cada pastel brocado
Lado a lado,
Põe-se a espuma e nada mais.
Os pastéis assim obtidos
São no forno muito quente,
Docemente,
Com cautela introduzidos.
Espera-se um pouco e, após,
Na bandejinha que os trouxe,
Enfileiram-se ante nós
Os pastéis de amêndoa doce.
Comment on fait les tartelettes amandines
Battez, pour qu'ils soient
mousseux,
Quelques oeufs;
Incorporez à leur mousse
Un jus de cédrat choisi;
Versez-y
Un bon lait d'amande douce;
Mettez de la pâte à flan
Dans le flanc
De moules à tartelette;
D'un doigt preste, abricotez
Les côtés;
Versez goutte à gouttelette
Votre mousse en ces puits,
puis
Que ces puits
Passent au four, et,
blondines,
Sortant en gais troupelets,
Ce sont les
Tartelettes amandines!
* Nota do Verso e Conversa: o atrevido aprendiz de blogueiro desta
página registra que o poema-receita Maneira de Fazer Pastéis de Amêndoa Doce (Comment
on fait les tartelletes amandines) é apresentado na comédia teatral Cyrano de
Bergerac (Acte II, Scene 4) como parte de uma fala de Ragueneau, poeta e pasteleiro, um dos
personagens da peça.
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Antologia de Poemas para a infância (diversos autores), Organização de Henriqueta
Lisboa e Ilustrações de Dawidson França, 3ª edição, 2009, Ediouro Publicações, Rio
de Janeiro — RJ; Edmond Eugène Alexis Rostand (1868 — 1918), francês de Marselha,
formado em Direito, sem nunca ter exercido a profissão, foi poeta, escritor e dramaturgo;
tornou-se conhecido como dramaturgo, pela autoria da peça Cyrano de Bergerac; obras:
Le Gant Rouge (peça, A Luva Vermelha, 1888), Ode à la Musique (poesia, 1890), Les
Musardises (Divagações, poesia, 1891), Les Deux Pierrots (Os Dois Pierrôs, 1893),
Les Romanesques, comédia, 1893), La Princesse Lontaine (A Princesa Longínqua, peça
escrita em versos, 1895), La Samaritaine (A Samaritana, peça escrita em versos,
1897), Pour la Grèce (poesia, 1897), Cyrano de Bergerac (comédia dramática escrita
em versos, 1897), L’Aiglon (O Filhote de Águia, drama, 1900), Un Soir à Hernani
(poesia, 1902), La Dernière Nuit de Don Juan (A Última Noite de Don Juan, peça,
1911) e outros textos.










