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quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Edmond Rostand: Maneira de Fazer Pastéis de Amêndoa Doce*

 
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[traduzido por Ricardo Gonçalves]

Com três ovos cada clara
Bem batida, uma por uma,
Se prepara
Uma xícara de espuma
Branca e leve qual se fosse
Neve pura; põe-se então,
Com leite de amêndoa doce,
Quinze gotas de limão.

Depois se bate e adelgaça,
Visando-se obra perfeita,
Fina massa
Que se deita
Numas formas especiais.
E em cada pastel brocado
Lado a lado,
Põe-se a espuma e nada mais.

Os pastéis assim obtidos
São no forno muito quente,
Docemente,
Com cautela introduzidos.
Espera-se um pouco e, após,
Na bandejinha que os trouxe,
Enfileiram-se ante nós
Os pastéis de amêndoa doce.

Edmond Rostand

Comment on fait les tartelettes amandines

Battez, pour qu'ils soient mousseux,
Quelques oeufs;
Incorporez à leur mousse
Un jus de cédrat choisi;
Versez-y
Un bon lait d'amande douce;
Mettez de la pâte à flan
Dans le flanc
De moules à tartelette;
D'un doigt preste, abricotez
Les côtés;
Versez goutte à gouttelette
Votre mousse en ces puits, puis
Que ces puits
Passent au four, et, blondines,
Sortant en gais troupelets,
Ce sont les
Tartelettes amandines!

* Nota do Verso e Conversa: o atrevido aprendiz de blogueiro desta página registra que o poema-receita Maneira de Fazer Pastéis de Amêndoa Doce (Comment on fait les tartelletes amandines) é apresentado na comédia teatral Cyrano de Bergerac (Acte II, Scene 4) como parte de uma fala de Ragueneau, poeta e pasteleiro, um dos personagens da peça.
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Antologia de Poemas para a infância (diversos autores), Organização de Henriqueta Lisboa e Ilustrações de Dawidson França, 3ª edição, 2009, Ediouro Publicações, Rio de Janeiro — RJ; Edmond Eugène Alexis Rostand (1868 1918), francês de Marselha, formado em Direito, sem nunca ter exercido a profissão, foi poeta, escritor e dramaturgo; tornou-se conhecido como dramaturgo, pela autoria da peça Cyrano de Bergerac; obras: Le Gant Rouge (peça, A Luva Vermelha, 1888), Ode à la Musique (poesia, 1890), Les Musardises (Divagações, poesia, 1891), Les Deux Pierrots (Os Dois Pierrôs, 1893), Les Romanesques, comédia, 1893), La Princesse Lontaine (A Princesa Longínqua, peça escrita em versos, 1895), La Samaritaine (A Samaritana, peça escrita em versos, 1897), Pour la Grèce (poesia, 1897), Cyrano de Bergerac (comédia dramática escrita em versos, 1897), L’Aiglon (O Filhote de Águia, drama, 1900), Un Soir à Hernani (poesia, 1902), La Dernière Nuit de Don Juan (A Última Noite de Don Juan, peça, 1911) e outros textos.

domingo, 4 de abril de 2021

genésio dos santos: pão & poesia *

 
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PÃO
é a poesia
tão somente isso
um alimento
(março/2011)

entrei pensando em iguaria fina
um chá em xícara com logo bordado
um pão de ló talvez um bom-bocado
mingau de milho verde em terrina...

doce deleite tranças e beijinhos
baba de moça sonhos apressados...
um café puro ou melhor um pingado
que a garçonete serve com carinho.

pão com manteiga quentado na chapa
e a média com café de coador...
(ou chá gelado pra espantar calor?)

tantos manjares põem dúvida na boca
até confundem o versejador:
quero um abraço! e com bastante amor!

(SP, 2017—2021)


* Nota do Verso e Conversa: as fotos acima fazem referência a uma das padocas de sampa visitadas pelo atrevido aprendiz de blogueiro desta página, em seus pitistópes para um café e/ou lanche, quando em caminhadas e idas a sebos literários e livrarias; A Poesia  Monumento fica na vila de mesmo nome, bairro do Ipiranga, havendo outra panificadora A Poesia, esta, no bairro do Tatuapé; além das citadas, algumas outras padarias também receberam visitas deste andarilho do blogue, padocas tais que, em suas xícaras, pires e pratos, traziam/trazem logos bordados com trechos poéticos de bardos, além de gravuras fotográficas dos respectivos autores: uma, a Palma de Ouro, fica no bairro do Bixiga, junto à Câmara municipal, outra, a Saturno, ficava no bairro da Aclimação (ficava, pois já fechou)...
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Genésio dos Santos, nascido em 1952, paulista de Itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou Número Um (poesias, 1978) e Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal O Espelho — SP, Folha Bancária, participou do jornal Brinque (do coletivo cultural do Seeb-SP, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário Na Moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do Sindicato dos Bancários de São Paulo; é aprendiz de blogueiro.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Genésio dos Santos: poemetílico

Resultado de imagem para livros antigos
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caberá poesia num copo de vodca?
e se adicionarmos gelo e limão
e entabularmos um naco de prosa
com a companhia que estiver à mão?

e se a conversa ajustar-se aos versos,
 relações humanas, futebol, política... 
os quais vindo às pencas ou mesmo dispersos
jamais se acanharem e mostrarem-se à crítica?

haverá poesia, argumenta o poeta,
só quando a Loucura flertar com a Razão
e a coisa abstrata rimar co'a concreta

vodca com gelo e suco de limão
trazem regozijos a este ser asceta
que nega ser Sim e afirma ser Não

(março de 2015)

Imagem relacionada
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Genésio dos Santos Ferreira, nascido em 1952, paulista de Itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; veio pra São Paulo no início da década de setenta do século e milênio passados e hoje é um bicho urbano adaptado; até agorinha mesmo foi bancário, hoje aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou Número Um (poesias, 1978) e Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para os jornais O Espelho — SP, Folha Bancária e pilotou o devezenquandário Na Moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do Sindicato dos Bancários de São Paulo; é aprendiz de blogueiro.

domingo, 21 de dezembro de 2014

laboratório: sonetempero

 
cheiroverdeoutrascoresoutroscheiros
camomilafunchocravogergelim
cebolinhapimentãosalsalecrim
coloríficohortelãpápricalouro
segurelhalhoporótomilhozimbro
rosmaninhocardamomoaçafrão
finesherbesalfavacaipolimão
ervadocealcaparracurryendro
alcaráviamangeronanizmostarda
cogumelodillmastruzamendoim
raizfortecurcumapimentabranca
nozmoscadasalgengibrekümelcoentro
cerefóliobaunilhamanjericão
shoyuallspicecanelacominhorégano

fotosAdriana Gragnani  textoGenésio dos Santos
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Adriana Gragnani busca ângulos concretos e abstratos e fotografa; Genésio dos Santos, ativista da palavra, é aprendiz de blogueiro.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O Espelho SP: A "passeata" do verdinho

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[O Espelho  Informativo dos funcionários do Banco do Brasil AGCEN SP Ano I n° 6 Setembro de 1980]

          Dias destes, quando eu saía da Estação São Bento do Metrô, mais ou menos ao meio-dia-e-meia, deparei com muitas caras que não me eram estranhas. Eram todos bancários, nossos colegas aqui do Banco. Muita gente. Umas trezentas pessoas. Homens e mulheres. E seguiam, decididos, à Florêncio de Abreu.
          Passeata estranha aquela, raciocinei. Sem gritos nem slogans, mas só podia ser passeata. E pra algum ato público. O que mais levaria tantos bancários juntos pelas ruas do centro e numa só direção? Nesta selva de pedra só passeata consegue este milagre.
          Meio-de-semana, meio-dia-e-meia, trezentos bancários e bancárias do BB abandonam suas cadeiras, suas mesas, seus carimbos e seguem em passeata convocada por não sei quem, pro ato público não sei onde e pra protestar contra não sei o quê. Desta vez  a coisa vai, pensei exultante.
          Engraçado. Alguma coisa no entanto estava fora dos eixos. Onde andavam as lideranças, que não vi ninguém ali nem nas imediações? Cadê os megafones, as faixas? E a bandinha, pra arrastar mais gente? Era preciso mais que depressa avisar as lideranças...!
          Ato contínuo, parei na primeira banca de jornal e adquiri uma fichinha de telefone. E, de um orelhão, eu já estava discando: três-meia, meia-três... foi quando vi Satélio, que seguia junto com o povão.
          Assim que ele me viu, fui perguntando:
           Você por aqui também?
           Sim, estou com o pessoal. Respondeu.
           Aonde vai ser o ato?
           Que ato? Retrucou Satélio, com cara de quem não estava entendendo nada.
           O ato público! Então você não está indo pro ato público dos funcionários do Banco do Brasil?
           Eu não estou sabendo de ato público nenhum. Eu e mais esse povão vamos pro verdinho, o vegetariano do setenta-e-sete da Florêncio. Vamos também?
           Não, eu já vim almoçado de casa. Respondi gaguejando e meio sem graça com a tremenda gafe que eu havia dado.
          Após eu ficar sabendo que quase todo dia o pessoal almoçava lá no verdinho, dei qualquer desculpa a Satélio, depositei o fone no gancho, retirei a fichinha devolvida e me despedi. Segui em direção ao Banco, matutando. Então todo esse povão está deixando de almoçar no Gervásio, e o Banco nem tchuns? Quanta safanagem, hein! Depois vêm dizer que a administração é sensível  aos problemas que afligem o funcionalismo da casa! Tudo babozeira. Se o pessoal prefere almoçar fora apesar de ter que desembolsar mais dinheiro, quer dizer que lá no onze a bóia continua aquelas coisas. E os funcionários das locadoras, que são obrigados almoçarem lá? Eles têm os tíquetes carimbados, que são válidos somente para uso interno. Dá dó deles!
          Entrei no elevador, ruminando muitas coisas. Meio sonhando-meio acordado.
          Já era quase uma hora. Mais um dia de serviço me esperava.
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Satélio, P. da Silva  e Genésio dos Santos são uma só pessoa e assumem, em uníssono, a autoria desta crônica.