
Meu coração, este país medonho,
em que Deus periclita e o Inferno avança,
tem as florestas negras do meu sonho
e as cordilheiras verdes da esperança.
Doura-o, às vezes, um clarão risonho:
é a crença morta que ressurge, mansa...
Mas sobrevém o temporal tristonho
da dúvida cruel brandindo a lança.
Brilham, no céu, os astros em delírio.
No meu país, de onde fugiu a calma,
brotam, chorando, as rosas do martírio.
Maldito coração, que Deus te açoite!
De que valem os sóis que tenho n´alma
se existe em mim a maldição da noite?
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