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Por alta noite um padre numa
esquina,
De uma viela imunda, velha e
esguia,
Envolvido em alcoólica
neblina,
E esperando talvez a luz do
dia.
De espaços a fulgidia campina
Olhava distraído, mas, não via
Sequer um palmo só ante a
retina
E às pedras da calçada assim
dizia:
Há muito que morreu o Padre
Eterno,
E que são letra morta os
Evangelhos!
Espessa noite reina lá nos
céus!
O Verdadeiro Cristo e o
Falerno,
Ou o Porto guardado em tonéis
velhos;
E tu, ouro brilhante, és o meu
Deus.
Teixeira Bastos
(jornal A Vanguarda, 2/9/1911,
p. 1 — Rio de Janeiro)
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Ouve meu grito — Antologia de poesia operária (1894 — 1923), Pesquisa e Organização
de Bernardo Kocher (também com texto-Apresentação) e Eulalia Lahmeyer Lobo (também
com Introdução), 1987, UFRJ — Proed SR. 2e Editora Marco Zero, São Paulo — SP; Francisco
José Teixeira Bastos (1857 — 1901), português e lisboeta, formado pelo Curso Superior
de Letras [atual Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa], foi poeta, jornalista,
publicista e ensaísta que, nos últimos vinte e cinco anos do século XIX, adquiriu
reconhecimento, sendo considerado um dos indutores da teoria positivista de Augusto
Comte em Portugal; ladeado por Teófilo Braga, Teixeira Bastos editou vários periódicos
de crítica literária: dirigiu a revista Era Nova, a Revista de Estudos Livres, o
jornal O Positivismo, e colaborou nos periódicos O Século, Renascença, A Mulher,
O Pantheon, Galeria republicana, Livre Exame, entre outros; suas obras: Rumores
vulcânicos (poesia, 1879), Luís de Camões e a Nacionalidade Portuguesa (ensaio,
1880), Ensaios sobre a Evolução da Humanidade (ensaios, 1882), Vibrações do Século
(poesia, 1882), Princípios da Filosofia Positiva (ensaio, 1883), Teófilo Braga e
a sua Obra (ensaio, 1892), A crise: estudo sobre a situação política, financeira,
econômica e moral da nação (ensaio, 1894), Poetas brasileiros (crítica literária,
1895) ...; foi sócio-eleito da Academia Real das Ciências de Lisboa.