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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Teixeira Bastos: Cena noturna

Resultado de imagem para Ouve meu grito antologia de poesia operária 1894 1923
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Por alta noite um padre numa esquina,
De uma viela imunda, velha e esguia,
Envolvido em alcoólica neblina,
E esperando talvez a luz do dia.

De espaços a fulgidia campina
Olhava distraído, mas, não via
Sequer um palmo só ante a retina
E às pedras da calçada assim dizia:

Há muito que morreu o Padre Eterno,
E que são letra morta os Evangelhos!
Espessa noite reina lá nos céus!

O Verdadeiro Cristo e o Falerno,
Ou o Porto guardado em tonéis velhos;
E tu, ouro brilhante, és o meu Deus.

Teixeira Bastos

(jornal A Vanguarda, 2/9/1911, p. 1 — Rio de Janeiro)

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Ouve meu grito — Antologia de poesia operária (1894 — 1923), Pesquisa e Organização de Bernardo Kocher (também com texto-Apresentação) e Eulalia Lahmeyer Lobo (também com Introdução), 1987, UFRJ — Proed SR. 2e Editora Marco Zero, São Paulo — SP; Francisco José Teixeira Bastos (1857 1901), português e lisboeta, formado pelo Curso Superior de Letras [atual Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa], foi poeta, jornalista, publicista e ensaísta que, nos últimos vinte e cinco anos do século XIX, adquiriu reconhecimento, sendo considerado um dos indutores da teoria positivista de Augusto Comte em Portugal; ladeado por Teófilo Braga, Teixeira Bastos editou vários periódicos de crítica literária: dirigiu a revista Era Nova, a Revista de Estudos Livres, o jornal O Positivismo, e colaborou nos periódicos O Século, Renascença, A Mulher, O Pantheon, Galeria republicana, Livre Exame, entre outros; suas obras: Rumores vulcânicos (poesia, 1879), Luís de Camões e a Nacionalidade Portuguesa (ensaio, 1880), Ensaios sobre a Evolução da Humanidade (ensaios, 1882), Vibrações do Século (poesia, 1882), Princípios da Filosofia Positiva (ensaio, 1883), Teófilo Braga e a sua Obra (ensaio, 1892), A crise: estudo sobre a situação política, financeira, econômica e moral da nação (ensaio, 1894), Poetas brasileiros (crítica literária, 1895) ...; foi sócio-eleito da Academia Real das Ciências de Lisboa.

sexta-feira, 13 de junho de 2025

Teixeira Bastos: O Sol da Nova Idéia

 
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As imagens dos célicos devassos
Em negro pó desfeitas o ar semeiam;
Levadas para o vento revolteiam
As crenças divinas em estilhaços.

Os deuses já morreram nos espaços
Os altivos e os templos bamboleiam;
Os tronos d’ouro estalavam ou baqueiam
e fogem dos reis trêmulos dos paços.

Dos credos sem sentido as densas brumas
Se dissolvem na noite, quais espumas
Na areia da praia que reluz!

O mundo velho dorme em longa treva
Entanto ao longe vejo que se eleva
O Sol da nova ideia a branca luz!

(Publicado em “A Voz Operária”, Campinas, 05/10/1919.)
(Documentação: A Poesia Anarquista, por Yara Aun Khoury —
Depto. de História da FCS/PUC-SP [Rev. Bras. de Hist. —
S. Paulo, v.8 nº 15, pp. 215-247, set.1987/fev.1988])

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Sociedade & Cultura — Revista Brasileira de História Nº 15 — Órgão da ANPUH — Associação Nacional dos Professores Universitários de História, Volume 8, setembro de 1987 / fevereiro de 1988, [várias autorias, Editora Marco Zero — São Paulo — SP; Francisco José Teixeira Bastos (1857 1901), português e lisboeta, formado pelo Curso Superior de Letras [atual Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa], foi poeta, jornalista, publicista e ensaísta que, nos últimos vinte e cinco anos do século XIX, adquiriu reconhecimento, sendo considerado um dos indutores da teoria positivista de Augusto Comte em Portugal; ladeado por Teófilo Braga, Teixeira Bastos editou vários periódicos de crítica literária: dirigiu a revista Era Nova, a Revista de Estudos Livres, o jornal O Positivismo, e colaborou nos periódicos O Século, Renascença, A Mulher, O Pantheon, Galeria republicana, Livre Exame, entre outros; suas obras: Rumores vulcânicos (poesia, 1879), Luís de Camões e a Nacionalidade Portuguesa (ensaio, 1880), Ensaios sobre a Evolução da Humanidade (ensaios, 1882), Vibrações do Século (poesia, 1882), Princípios da Filosofia Positiva (ensaio, 1883), Teófilo Braga e a sua Obra (ensaio, 1892), A crise: estudo sobre a situação política, financeira, econômica e moral da nação (ensaio, 1894), Poetas brasileiros (crítica literária, 1895) ...; foi sócio-eleito da Academia Real das Ciências de Lisboa.