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quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Lobo da Costa: O rei e o operário


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O que vales, junto à forja,
Cingindo o sujo avental?
E a ti que te vale a gorja
Do teu diadema real?

Eu mando tropas e armadas,
Sustenho povos na mão...
Pois eu tempero as espadas,
Que fazem a revolução!

E eu tenho um cetro que ao vê-lo
Curvam-se as raças fiéis...
Pois eu possuo o martelo
Que prega a forca dos reis!

És um divino espantalho...
E tu, que vales, vilão?!
Eu forjo o anel do trabalho,
Tu forjas a escravidão!

Eu tenho o sangue que deve
Recordar-me os faraós...
E eu o do peão que em Grève
Decapitou teus avós.

Tu és das trevas o leito...
Mentes, eu laboro a luz!
Eu prego a luz do direito...
E eu prego as leis de Jesus!

Tu és a noite, eu o dia,
Deslumbram-te os vivos sóis...
Tu fundes a tirania,
Eu fundo os pulsos aos heróis!

(Lobo da Costa, 1989)

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Revolta e protesto na poesia brasileira — 142 poemas sobre o Brasil [diversas autorias], Organização e Apresentação de André Seffrin, 2021, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Francisco Lobo da Costa (1853 1888), gaúcho de Pelotas, foi jornalista, poeta e teatrólogo; consta de sua biografia que aos doze anos publicou seu primeiro poema no jornal Eco do Sul, aos quinze anos empregou-se na agência de telégrafo de Pelotas; a partir daí publicou seus textos em jornais nos quais trabalhou como redator e repórter, em especial no Eco do Sul, Diário de Pelotas e Progresso Literário; fundou um semanário literário, A Castália (1869 1870); suas obras: Rosas pálidas (poemas, 1872), Espinhos d’Alma (romance, 1872), O Filho das Ondas (peça teatral, 1873), Lucubrações (poesias, 1874), Dispersas e Auras do Sul (publicações póstumas, poesias), Lobo da Costa (ensaio de Alice Campos Moreira e breve antologia do poeta, 1989), além de textos esparsos nos periódicos já citados acima e em outros; o poeta Lobo da Costa, que teve uma parte da vida na boemia e no alcoolismo, estivera internado, e, mesmo com a campanha de amigos do Grêmio dos Lunáticos, uma associação de jovens intelectuais que veio em seu socorro, acabou encontrado morto, nu e com todos seus pertences furtados, numa rua de sua cidade; faleceu em 19 de junho de 1888, aos trinta e quatro anos.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Lobo da Costa: A última confissão de Eugênia Câmara

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O padre era um tipo venerando,
mais pálido que o mármore de Carrara,
ela a seus pés de uma beleza rara
tinha os olhos no chão, o seio arfando.

Deserto estava o templo, porém, quando
a voz do sacerdote se escutara,
abriu-se a porta da secreta ara
e um arcanjo de luz passou chorando.

Crê em. Deus, minha filha? Eu o idolatro.
De que se acusa? Que pecado há feito?
Meu padre, perdoai-me, eu tenho quatro!

Credo em cruz! brada o velho, a mão no peito.
Amo a glória, o prazer, amo o teatro,
e Castro Alves morreu por meu respeito!

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60 Poetas Trágicos — Organização, seleção, nota de apresentação e traços biobibliográficos de Sergio Faraco, 2016, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; Francisco Lobo da Costa (1853 1888), gaúcho de Pelotas, foi jornalista, poeta e teatrólogo; consta de sua biografia que aos doze anos publicou seu primeiro poema no jornal Eco do Sul, aos quinze anos empregou-se na agência de telégrafo de Pelotas; a partir daí publicou seus textos em jornais nos quais trabalhou como redator e repórter, em especial no Eco do Sul, Diário de Pelotas e Progresso Literário; fundou um semanário literário, A Castália (1869 1870); bibliografia: Espinhos d’Alma (romance, 1872), O Filho das Ondas (peça teatral, 1873), Lucubrações (poesias, 1874), Dispersas e Auras do Sul (publicações póstumas, poesias), além de textos esparsos nos periódicos já citados acima e em outros; o poeta Lobo da Costa, que teve uma parte da vida na boemia e no alcoolismo, estivera internado, e, mesmo com a campanha de amigos do Grêmio dos Lunáticos, uma associação de jovens intelectuais que veio em seu socorro, acabou encontrado morto,  nu e com todos seus pertences furtadosnuma rua de sua cidade; faleceu em 19 de junho de 1888, aos trinta e quatro anos.