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— O que vales, junto à forja,
Cingindo o sujo avental?
— E a ti que te vale a gorja
Do teu diadema real?
— Eu mando tropas e armadas,
Sustenho povos na mão...
— Pois eu tempero as espadas,
Que fazem a revolução!
— E eu tenho um cetro que ao
vê-lo
Curvam-se as raças fiéis...
— Pois eu possuo o martelo
Que prega a forca dos reis!
— És um divino espantalho...
— E tu, que vales, vilão?!
— Eu forjo o anel do trabalho,
Tu forjas a escravidão!
— Eu tenho o sangue que deve
Recordar-me os faraós...
— E eu o do peão que em Grève
Decapitou teus avós.
— Tu és das trevas o leito...
— Mentes, eu laboro a luz!
— Eu prego a luz do direito...
— E eu prego as leis de Jesus!
— Tu és a noite, eu o dia,
Deslumbram-te os vivos sóis...
Tu fundes a tirania,
Eu fundo os pulsos aos heróis!
(Lobo da Costa, 1989)
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Revolta e protesto na poesia brasileira
— 142 poemas sobre o Brasil [diversas autorias], Organização e Apresentação de André
Seffrin, 2021, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Francisco Lobo da Costa (1853 — 1888), gaúcho de Pelotas,
foi jornalista, poeta e teatrólogo; consta de sua biografia que aos doze anos publicou
seu primeiro poema no jornal Eco do Sul, aos quinze anos empregou-se na agência
de telégrafo de Pelotas; a partir daí publicou seus textos em jornais nos quais
trabalhou como redator e repórter, em especial no Eco do Sul, Diário de Pelotas
e Progresso Literário; fundou um semanário literário, A Castália (1869 — 1870); suas obras: Rosas pálidas (poemas, 1872), Espinhos d’Alma (romance, 1872), O Filho das
Ondas (peça teatral, 1873), Lucubrações (poesias, 1874), Dispersas e Auras do Sul
(publicações póstumas, poesias), Lobo da Costa (ensaio de Alice Campos Moreira
e breve antologia do poeta, 1989), além de textos esparsos nos periódicos já citados
acima e em outros; o poeta Lobo da Costa, que teve uma parte da vida na boemia e
no alcoolismo, estivera internado, e, mesmo com a campanha de amigos do Grêmio dos
Lunáticos, uma associação de jovens intelectuais que veio em seu socorro, acabou
encontrado morto, nu e com todos seus pertences furtados, numa rua de sua cidade;
faleceu em 19 de junho de 1888, aos trinta e quatro anos.

