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segunda-feira, 25 de maio de 2026

Emiliano Perneta: Vencidos

 
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Nós ficaremos, como os menestréis da rua,
Uns infames reais, mendigos por incúria,
Agoureiros da Treva, adivinhos da Lua,
Desferindo ao luar cantigas de penúria?

Nossa cantiga irá conduzir-nos à tua
Maldição, ó Roland?… E, mortos pela injúria,
Mortos, bem mortos, e mudos, a fronte nua,
Dormiremos ouvindo uma estranha lamúria?

Seja. Os grandes um dia hão de cair de bruço…
Hão de os grandes rolar dos palácios infectos!
E gloria à fome dos vermes concupiscentes!

Embora, nós também, nós, num rouco soluço,
Corda a corda, o violão dos nervos inquietos
Partamos! inquietando as estrelas dormentes!

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Os Sonetos — Antologia: diversas autorias, Coordenação Gráfica de Rogério Ramos e Capa e Ilustrações de Percy Deane, 1982, Edição especial para o Banco Lar Brasileiro S. A., L. R. Editores Ltda., São Paulo — SP; Emiliano David Perneta (1866 1921), paranaense nascido “em um sítio” na região de Pinhais, à época zona rural de Curitiba [hoje município de Pinhais PR], formado pela Faculdade de Direito de São Paulo (USP, Largo São Francisco), foi poeta, professor de português, jornalista e advogado; teve seus poemas divulgados em revistas e jornais da época, estreando em 1883 com publicação no periódico curitibano O Dilúculo; em 1887, já em São Paulo, fundou A Vida Semanária, da qual foi redator, depois foi coproprietário de A Quinzena Paulista: letras e artes (hoje, periódicos considerados raros, encontrados na Biblioteca Nacional) e, na companhia de outros intelectuais fundou a Folha Literária; em 1888 publicou seu primeiro livro, Músicas; após formar-se trabalhou como jornalista nos periódicos Cidade do Rio e Novidades, ambos no Rio de Janeiro, por um breve período exerceu o ofício de promotor de justiça em Minas Gerais, depois, de retorno a Curitiba, passou a lecionar, trabalhou como auditor do Exército, fundou a revista literária Victrix; integrando-se nos círculos boêmios da capital do estado, difundiu a leitura de autores franceses, Baudelaire entre os quais, e com isso impulsionou o movimento simbolista, ele próprio sendo considerado e reconhecido como “o maior expoente do simbolismo no Paraná”; suas obras: Músicas (1888), Carta à Condessa d’Eu (1889), O Inimigo (prosa dramática, 1889), Alegoria (prosa dramática, 1903), Ilusão (poemas, 1911), Pena de Talião (poema dramático, 1914), Setembro (póstumo, poemas, 1934); produziu libretos operísticos: Papilio Innocentia (ópera, baseada no romance Inocência, de Visconde de Taunay (1911) e A Vovozinha (ópera infantil, 1914); como jornalista, o poeta também colaborou no Diário Popular, na Gazeta de São Paulo e em mais periódicos; Emiliano Perneta foi um dos fundadores do Centro de Letras do Paraná (“núcleo da atual Academia Paranaense de Letras”), do qual tornou-se presidente de 1913 a 1918.

domingo, 3 de maio de 2026

Da Costa e Silva: Saudade

 
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Saudade! Olhar de minha mãe rezando
E o pranto lento deslizando em fio…
Saudade! Amor da minha terra… O rio
Cantigas de águas claras soluçando.

Noites de Junho. O caburé com frio,
Ao luar, sobre o arvoredo, piando, piando…
E à noite as folhas lívidas cantando
A saudade infeliz de um sol de estio.

Saudade! Asa de dor do Pensamento!
Gemidos vãos de canaviais ao vento…
Ai! mortalhas de neve sobre a serra…

Saudade! O Parnaíba velho monge
As barbas brancas alongando… E, ao longe
O mugido dos bois da minha terra…

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Os Sonetos — Antologia: diversas autorias, Coordenação Gráfica de Rogério Ramos e Capa e Ilustrações de Percy Deane, 1982, Edição especial para o Banco Lar Brasileiro S. A., L. R. Editores Ltda., São Paulo — SP; Antônio Francisco Da Costa e Silva (1885 1950), piauiense de Amarante, licenciado em Direito pela Faculdade de Recife PE, funcionário concursado do Ministério da Fazenda, exerceu funções públicas no governo federal e foi poeta assentado em dois períodos literários o Simbolismo e o Parnasianismo; de sua biografia, consta que o próprio “dizia ter tido educação severa e ter começado a se interessar pela poesia ainda criança”, já aos 14 anos ensinou “as primeiras letras a alguns meninos da vizinhança”; infantolescente, também aprendeu e dedicou-se à escultura em madeira e à pintura; aos 16 anos [1901] teve seus primeiros poemas publicados na Revista do Grêmio Literário Amarantino; em Teresina, concluiu os “preparatórios” no Liceu Piauiense, em 1906 seguiu para Recife PE, fez matrícula na Faculdade de Direito, cursou três anos, interrompeu os estudos por força de sua aprovação em concurso e, a convite do governo federal, iniciou no serviço público em Belo Horizonte, depois São Paulo, Rio de Janeiro, São Luis do Maranhão, Manaus e Porto Alegre; de volta a Recife, concluiu os estudos em Direito e se formou em 1913; teve seus textos crônicas e crítica literária publicados em jornais e revistas dos locais por onde andou (entre os quais o Correio da Manhã, O Malho, Ilustração Brasileira [do RJ], O Diário de Minas [MG], o Estado do Amazonas [AM], o suplemento do Diário de Notícias [foi co-diretor, RS] e outros; obras poéticas: Sangue ([coletânea de poemas escritos entre 1902-1908], 1908), Zodíaco (1917, premiado pela Academia Brasileira de Letras), Verhaeren ([poema/ensaio], 1917, publicado na revista Apollo), Pandora (1919), Verônica (1927), Antologia (seleção dos livros anteriores, 1934), Poesias Completas (coletânea póstuma e inéditos inacabados, 1950); o poeta, reconhecido como “Príncipe dos Poetas Piauienses [1928]”, também escreveu a letra do Hino do Piauí [1923] e foi o primeiro ocupante da Cadeira nº 21 da Academia Piauiense de Letras (1917); Da Costa e Silva, que “sempre fora franzino, frágil, nervoso”, desde o “início de 1932”, por causas emocionais e contingências havidas em seu cargo e no ambiente de trabalho, viu sua saúde se deteriorar, esteve “internado, em 1933, no Sanatório Botafogo [Rio de Janeiro]” e, sem esperanças médicas, passou seus últimos e longos 17 anos de vida com a “mente perturbada”.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Olegário Mariano: Deslumbramento

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É amor? Não sei. Esta intranquilidade,
Este gozo na dor, esta alegria
Triste que vem de manso e que me invade
A alma, enchendo-a e tornando-a mais vazia;

Este cansaço extremo, esta saudade
De uma coisa que falta à vida... O dia
Sem sol, as noites ermas, a ansiedade
Que exalta e a solidão que anestesia,

É amor. Egoísmo de sofrer sozinho,
De as penas esconder do humano açoite,
De transformar as pedras do caminho

Em carícias sutis para colhê-las
E andar como um sonâmbulo, na noite,
Escancarando os olhos às estrelas...

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Os Sonetos (Antologia — Diversos autores), Coordenação Gráfica de Rogério Ramos e Capa e Ilustrações de Percy Deane, 1982, Edição especial para o Banco Lar Brasileiro S.A., LR Editores Ltda, São Paulo — SP; Olegário Mariano Carneiro da Cunha (1889  1958), pernambucano de Recife, político e diplomata, foi poeta, jornalista e letrista musical; estreante na vida literária aos 22 anos com o volume Angelus, viveu o período parnasiano-simbolista e de transição para o modernismo; escreveu para as revistas Careta e Para Todos  com o pseudônimo de João da Avenida; ficou conhecido como ‘o poeta das cigarras’ por causa de um de seus temas prediletos; obra literária: Angelus (1911), Sonetos (1912), Evangelho da Sombra e do Silêncio (1913), Água corrente (prefácio de Olavo Bilac, 1918), Últimas Cigarras (1920), Bataclan (crônicas em versos, 1923), Canto da minha terra (1930), Destino (1931), Vida, caixa de brinquedos (crônicas em versos, 1933), A Vida que já vivi, memórias (1945), Mundo Encantado (1955), e tantos outros títulos; como letrista, teve poemas musicados por Joubert de Carvalho (‘Cai, cai balão’, ’Tutu-marambá’ e outros); também fez parceria musical com diversos outros autores.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Pedro Kilkerry: O muro

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Movendo os pés dourados, lentamente,
Horas brancas lá vão, de amor e rosas
As impalpáveis formas, no ar, cheirosas...
Sombras, sombras que são da alma doente!

E eu, magro, espio... e um muro, magro, em frente
Abrindo á tarde as órbitas musgosas
Vazias? Menos do que misteriosas
Pestaneja, estremece... O muro sente!

E que cheiro que sai dos nervos dele,
Embora o caio roído, cor de brasa,
E lhe doa talvez aquela pele!

Mas um prazer ao sofrimento casa...
Pois o ramo em que o vento á dor lhe impele
É onde a volúpia está de urna asa e outra asa...

PEDRO KILKERRY
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Os Sonetos (Antologia — Diversos autores), Coordenação Gráfica de Rogério Ramos e Capa e Ilustrações de Percy Deane, 1982, Edição especial para o Banco Lar Brasileiro S.A., LR Editores Ltda, São Paulo — SP; Pedro  Militão Kilkerry (1885  1917), baiano de Santo Antonio de Jesus,  formado em Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito da Bahia, foi advogado, jornalista e poeta simbolista; fez parte do grupo literário baiano 'Nova Cruzada', vindo a publicar seus poemas em revista homônima e também em Os Anais, colaborando ainda com poemas e artigos em outros periódicos da capital baiana; não publicou nenhum livro em vida; sua obra  poemas e outros manuscritos, inclusive os mantidos oralmente por amigos e familiares , foi recuperada, recolhida e publicada pelo poeta Augusto de Campos, no volume ReVisão de Kilkerry (1970), que o considera um dos precursores do modernismo no Brasil; graças a este trabalho de garimpagem poética de Campos, a poesia de Kilkerry vem sendo percebida como uma das grandes forças do simbolismo brasileiro; antes, em 1921, seus poemas haviam sido reunidos por Jackson de Figueiredo, em "Humilhados e Ofendidos", estudo que lhe dedicara.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Moniz Barreto: Improviso

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Ver... e do que se vê logo abrasado,
Sentir o coração de um fogo ardente,
De prazer um suspiro de repente
Exalar, e após ele um ai magoado!

Aquilo que não foi ainda logrado,
Nem o será talvez, lograr na mente;
Do rosto a cor mudar constantemente,
Ser feliz e ser logo desgraçado;

Desejar tanto mais quão mais se prive,
Calmar o ardor que pelas veias corre,
Já querer, já buscar que ele se ative;

O que isto é, a todos nós ocorre:
— Isto é amor, e deste amor se vive!
— Isto é amor, e deste amor se morre!

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Os Sonetos (Antologia — Diversos autores), Coordenação Gráfica de Rogério Ramos e Capa e Ilustrações de Percy Deane, 1982, Edição especial para o Banco Lar Brasileiro S.A., LR Editores Ltda, São Paulo — SP; Francisco Moniz Barreto (1804 1868), baiano de Jaguaripe, militar e funcionário público, foi repentista e poeta; bibliografia: Clássicos e Românticos (1855), Poema Consagrado à S. Majestade, a Imperatriz D. Teresa Cristina Maria Cristina (1860), A Estátua e os Mortos (1862) e Álbum da Rapaziada (poemas eróticos e humorísticos, 1864).

terça-feira, 23 de abril de 2019

Botelho de Oliveira: Persuade a Anarda que ame [soneto]

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Anarda vê na estrela, que em piedoso
Vital influxo move amor querido,
Adverte no jasmim, que embranquecido
Cândida fé publica de amoroso.

Considera no Sol, que luminoso
Ama o jardim de flores guarnecido;
Na rosa adverte, que em coral florido
De Vênus veste o nácar lastimoso.

Anarda pois, não queiras arrogante
Com desdém singular de rigorosa
As armas desprezar do Deus triunfante:

Como de amor te livras poderosa,
Se em teu gesto florido e rutilante
És estrela, és jasmim, és sol, és rosa?

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Os Sonetos (Antologia — Diversos autores), Coordenação Gráfica de Rogério Ramos e Capa e Ilustrações de Percy Deane, 1982, Edição especial para o Banco Lar Brasileiro S.A., LR Editores Ltda, São Paulo — SP; Manoel Botelho de Oliveira (1636 1711), baiano de Salvador, formado em Direito na Universidade de Coimbra  Portugal e, de volta ao Brasil, exerceu advocacia, dedicou-se à política e foi poeta barroco; Manoel Botelho escreveu versos na forma de sonetos, madrigais, décimas, redondilhas, romances, oitavas e silvas; tendo sido cultor da poesia de Góngora, é tido como o maior representante do culteranismo gongórico no Brasil; bibliografia: Música do Parnasso (apresentado em quatro línguas: português, espanhol, italiano e latim, 1705).

sábado, 20 de abril de 2019

Geir Campos: Transensorial

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Talvez não venham a saber jamais
quanto de mim em ti carregas quando
vais ter com ela e fico só pensando
no que costuma haver entre os casais:

em pensamento vou a quanto vais
e quando a olhas eu a estou olhando
e quando a tocas eu a estou tocando
e teus genitais são meus genitais...

Quando chegas alfim de estar com ela
vejo teus olhos e ouço os olhos dela
dizendo coisas que ela a mim não diz:

vens leve e é também minha essa leveza
 e a alegria que em mim acha acesa
é mais um jeito meu de ser feliz.

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Os Sonetos (Antologia — Diversos autores), Coordenação Gráfica de Rogério Ramos e Capa e Ilustrações de Percy Deane, 1982, Edição especial para o Banco Lar Brasileiro S.A., LR Editores Ltda, São Paulo — SP; Geir  Nuffer Campos (1924 1999), nascido em São José do Calçado ES, formado em Direção Teatral (FEFIERJMEC, Rio de Janeiro), mestre e doutor em Comunicação Social (UFRJ), foi piloto da marinha mercante, professor universitário, poeta, jornalista, tradutor e ativista cultural; deixou-nos extensa obra e de grande valor; escreveu e publicou Rosa dos rumos (poesia, 1950), Arquipélago (poesia, 1952), Coroa de sonetos (1953), Da Profissão do Poeta (1956),  Canto Claro e poemas anteriores (1957), Operário do Canto (1959), O Gato Ladrão (teatro infantil, 1959), O Sonho de Calabar (teatro, 1959), A verdadeira história da Cigarra e da Formiga (teatro infantil, 1960), Carta aos Livreiros do Brasil (ensaio, 1960), Cantigas de acordar mulher (1964), Rúben Dário, Poeta Participante (ensaio, 1967), Édipo-Rei, de Sófocles (teatro, 1967), Castro Alves ou o Canto da Esperança (teatro, 1972), Diz que sim & Diz que não, de Brecht (teatro, 1977), Canto de Peixe e Outros Cantos (1977), O Vestíbulo (conto, 1979),  Tradução e Ruído na Comunicação Teatral (ensaio, 1981), Conto & Vírgula (1982), Pequeno Dicionário de Arte Poética (dicionário, 1960 e diversas outras edições), O que é Tradução (1986), etc etc etc, além de participação em muitas antologias poético-literárias; traduziu textos de Rilke, Kafka, Daniel Defoe, Brecht, Walt Whitman e outros autores.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Carlos Drummond de Andrade: Quarto em desordem

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Na curva perigosa dos cinqüenta
derrapei neste amor. Que dor! que pétala
sensível e secreta me atormenta
e me provoca à síntese da flor

que não sabe como é feita: amor,
na quinta-essência da palavra, e mudo
de natural silêncio já não cabe
em tanto gesto de colher e amar

a nuvem que de ambígua se dilui
nesse objeto mais vago do que nuvem
e mais defeso, corpo! corpo, corpo,

verdade tão final, sede tão vária,
a esse cavalo solto pela cama.
a passear o peito de quem ama.
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Os Sonetos (Antologia — Diversos autores), Coordenação Gráfica de Rogério Ramos e Capa e Ilustrações de Percy Deane, 1982, Edição especial para o Banco Lar Brasileiro S.A., LR Editores Ltda, São Paulo — SP; Carlos Drummond de Andrade (1902  1987), mineiro de Itabira, poeta, contista e cronista, viveu intensamente o seu tempo e nos ofereceu como legado incontáveis obras em verso e prosa, publicadas em livros, jornais e revistas, pelo país afora e no resto do mundo; sua obra: Alguma Poesia (1930); Brejo das Almas (1934); Sentimento do Mundo (1940); José (1942); Confissões de Minas, crônicas e artigos (1944); A Rosa do Povo (1945); Novos Poemas; Claro Enigma (1951); Contos de Aprendiz (1951); Viola de Bolso (1952); Passeios na Ilha, crônicas e artigos (1952); Fazendeiro do Ar (1954); Fala, Amendoeira, crônicas (1957); A Bolsa & A Vida, crônicas (1962); A Vida Passada a Limpo; Lição de Coisas (1962); Cadeira de Balanço, crônicas (1966); Versiprosa (1967); Boitempo (1968); A Falta que Ama (1968);  Caminhos de João Brandão, crônicas (1970); O Poder Ultrajovem, crônicas (1972); As Impurezas do Branco (1973); Menino Antigo — Boitempo II (1973); De Notícias & Não Notícias faz-se a Crônica (1974);  Discurso de Primavera, e algumas sombras (1977); Contos Plausíveis  (1981); Boca de Luar, crônicas (1984); Amar Se Aprende Amando (1985);  O Avesso das Coisas, aforismos (1988); Farewell (1996) e tantos outros títulos...

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Carlos Pena Filho: Testamento do homem sensato

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Quando eu morrer, não faças disparates
nem fiques a pensar: “ Ele era assim...
mas senta-te num banco de jardim,
calmamente comendo chocolates.

Aceita o que te deixo, o quase nada
destas palavras que te digo aqui:
foi mais que longa a vida que eu vivi,
para ser em lembranças prolongada.

Porém, se, um dia, só, na tarde em queda,
surgir uma lembrança desgarrada,
ave que nasce e em voo se arremeda,

deixa-a pousar em teu silêncio, leve
como se apenas fosse imaginada,
como uma luz, mais que distante, breve.

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Os Sonetos (Antologia — Diversos autores), Coordenação Gráfica de Rogério Ramos e Capa e Ilustrações de Percy Deane, 1982, Edição especial para o Banco Lar Brasileiro S.A., LR Editores Ltda, São Paulo — SP; Carlos Souto Pena Filho (1930 1960), pernambucano de Recife, formado pela Faculdade de Direito de Recife, foi advogado, jornalista, poeta e autor de letras de música; obra poética: O Tempo de Busca (1952), Memórias do Boi Serapião (1956), A Vertigem Lúcida (1958), Livro Geral (1959); escreveu para jornais e, no Jornal do Commércio, de Recife, publicava duas colunas: ‘Literatura’ e ‘Rosa dos Ventos’.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

José Paulo Paes: Soneto quixotesco

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Uma espada qualquer, de qualquer aço,
Um cavalo de flanco palpitante,
Fortuna incerta, divagar constante,
Sereno o rosto, sempre altivo o braço.

No coração, em mui secreto espaço,
A figura de Dora, tão distante,
Mas tão perto, contudo, e tão reinante,
Que a ela se dedique o menor passo.

Desfeito o agravo, conjurado o mal,
Novo caminho, que neste exercício
Nenhum descanso cabe. E que afinal,

Por luta valerosa ou alto feito,
Eu ganhe reino e Dora, mas no peito
Morem saudades do passado ofício.

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Os Sonetos (Antologia — Diversos autores), Coordenação Gráfica de Rogério Ramos e Capa e Ilustrações de Percy Deane, 1982, Edição especial para o Banco Lar Brasileiro S.A., LR Editores Ltda, São Paulo — SP; José Paulo Paes (1926  1998), paulista de Taquaritinga, foi poeta, tradutor, ensaísta, crítico literário, jornalista e editor; formado em Química Industrial, durante anos trabalhou em laboratório farmacêutico (Curitiba  PR), sem jamais ter deixado de lado a literatura, gosto adquirido através de seu avô que era livreiro; na cidade paranaense colaborou com a revista Joaquim (1946 —  1948), dirigida por Dalton Trevisan; transferindo-se para São Paulo, passou a colaborar com os jornais Folha de São PauloO Estado de São PauloO TempoJornal de Notícias e Revista Brasiliense; escreveu e publicou: O Aluno (1947), Cúmplices (1951), Novas Cartas Chilenas (1954), Mistério em Casa (1961), Anatomias (1967), Resíduo (1973), Calendário Perplexo (1983), É isso Ali (1984), Gregos & Baianos  (ensaio, 1985), Um por Todos (poesia reunida, 1988), A Poesia Está Morta Mas Juro Que Não Fui Eu (1988), Prosas Seguidas de Odes Mínimas (1992), Lé com Cré (1993), A Meu Esmo (1995), De Ontem Para Hoje (1996), Um passarinho me contou (1997), Melhores poemas (1998),  Uma Letra Puxa a Outra (1998), Ri Melhor Quem Ri Primeiro (1999), O Lugar do Outro (1999), Socráticas (livro inédito, edição póstuma, 2001) e tantos outros títulos em parceria com poetas e escritores, no gênero poesia infantil e infanto-juvenil; como editor, verteu para o português autores gregos, dinamarqueses, italianos, norte-americanos e ingleses, tais como Charles Dickens, Joseph Conrad, Pietro Aretino, Konstantínos Kaváfis, Laurence Sterne, W. H. Auden, William Carlos Williams, J. K. Huysmans, Paul Éluard, Hölderlin, Paladas de Alexandria, Edward Lear, Rilke, Seféris, Lewis Carroll, Níkos Kazantzákis, Ovídio etc.; foi laureado com diversos prêmios literários nas categorias poesia, literatura infanto-juvenil e tradução.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Renata Pallottini: Há o tempo de nascer

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"Tudo tem a sua ocasião própria
e todo propósito de baixo do céu
tem seu tempo."
Eclesiastes  3:1

Há o tempo de nascer e o de morrer.
Entre os dois são o Homem e seu tempo:
o largo espaço-tempo, claro campo
que vai desde o viver ao não viver.

Há o tempo de cantar e de sofrer
e o de cantar sofrendo, e o de, cantando
sofrer; e há o tempo desse canto,
que o tempo dado ao homem é mercê.

Há o tempo de fazer e o de destruir,
o tempo de sorrir e o de chorar,
de se manchar e de se desmanchar;

há o tempo de abraçar e o de partir
e o de nascer, no tempo de abraçar
e o de morrer, no tempo de partir.

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Os Sonetos (Antologia — Diversos autores), Coordenação Gráfica de Rogério Ramos e Capa e Ilustrações de Percy Deane, 1982, Edição especial para o Banco Lar Brasileiro S.A., LR Editores Ltda, São Paulo — SP; Renata Pallottini, nascida em 1931, paulista e paulistana, formada em Filosofia na PUC  SP, em Direito na USP  Largo São Francisco e em Dramaturgia e Crítica na Escola de Arte Dramática na USP   SP, além de ter estudado teatro em cursos livres da Sourbonne Nouvelle, em Paris, dramaturga, professora universitária, ensaísta, tradutora e poeta, tem vasta obra poética, além de textos para teatro, ensaios, literatura infanto-juvenil e traduções; bibliografia:  Acalanto  (1952),  O Cais da Serenidade, O Monólogo Vivo (1956), A Casa (1958), Nós, Portugal, Livro de Sonetos, A Faca e a Pedra (1962), Antologia Poética, Os Arcos da Memória (1971), Mate é a Cor da Viuvez (contos, 1974), Coração Americano (1976), Chão de Palavras (1977), Noite Afora (1978), Cantar meu Povo, Tita, a Poeta (literatura infantil 1984), A Menina que queria ser Anja (1987) Esse Vinho Vadio (1988), Obra Poética (1995) etc, além de várias publicações na área de teatro e ensaios; recebeu premiações por sua obra.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Sosígenes Costa: Abriu-se um cravo no mar

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A noite vem do mar cheirando a cravo.
Em cima do dragão vem a sereia.
O mar espuma como um touro bravo
E como um cão morde a brilhante areia.

A noite vem do mar cheirando a cravo.
Com palidez de lírio, a lua cheia
surge brilhando e a água do mar prateia
e o mar cintila como um pombo flavo.

O odor de cravo pela noite aumenta.
A noite, em vez de azul, está cinzenta.
Sente-se o aroma até no lupanar.

O mar atira no rochedo o açoite.
Aquele aroma aumenta pela noite.
É o cravo que o dragão trouxe do mar.

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Os Sonetos (Antologia — Diversos autores), Coordenação Gráfica de Rogério Ramos e Capa e Ilustrações de Percy Deane, 1982, Edição especial para o Banco Lar Brasileiro S.A., LR Editores Ltda, São Paulo — SP; Sosígenes Marinho da Costa (1901  1968), baiano de Belmonte, foi professor de instrução primária, jornalista, escritor e poeta; colaborou com o jornal Diário da Tarde, de Ilhéus, foi membro da 'Academia dos Rebeldes', grupo modernista baiano, e divulgou seus versos em jornais e revistas da época; o seu livro Obra Poética (1959), foi vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura de 1960, na categoria poesia; o poeta aposentou-se como telegrafista do antigo DCT Departamento de Correios e Telégrafos.