
____________________
[traduzido por Joaquim Brasil
Fontes]
Ei-la no atrium, a loura Lycóris
Sob onda de perfumes docemente
inclinada.
Como um choupo amarelo ao rocio se expande,
Seus cabelos no seio chovem, longos e floridos.
Nos caniços, tu viste, sob um rio
azulado,
À tarde, insinuar-se a fronte da
pálida Febe?
— Ela dorme em seu banho e o colo
de alabastro,
Como a lua, prateia-lhe um jorro
caído do céu.
Seu dedo que sob a água serena
desfolhava uma rosa
Tal uma odorante oferece um cálice
verde:
Desce, Ó Hebe morena! verte, com a
rósea mão
O vinho que faz arder um coração, a
todo coração aberto.
Ei-la no atrium, a loura Lycóris
Sob onda de perfumes docemente
inclinada:
Como teu arco de prata, Diana nas
selvas lançada,
Sob seus amantes eleitos o belo
corpo repousa.
![]() |
| Stéphane Mallarmé |
Rève Antique
Elle est dans l'atrium la blonde
Lycoris
Sous un flot parfumé mollement renversée.
Comme un saule jauni
s'épand sous la rosée,
Ses cheveux sur son sein pleuvent longs et fleuris.
Dans les roseaux, vis-tu, sur un
fleuve bleuâtre,
Le soir, glisser le front de la pâle Phoebé?
— Elle dort dans son bain et sa gorge d'albâtre,
Comme la lune, argente un flot du ciel tombé.
Son doigt qui sur l'eau calme
effeuillait une rose
Comme une urne odorante offre un calice vert:
Descends, ô brune Hébé! verse de ta main rose
Ce vin qui fait qu'un coeur brûle, à tout coeur ouvert.
Elle est dans l'atrium la blonde
Lycoris
Sous un flot parfumé mollement renversée:
Comme ton arc d'argent, Diane aux forêts lancée,
Se détend son beau corps sous ses amants choisis.
____________________
Os Anos
de Exílio do Jovem Mallarmé — Joaquim Brasil Fontes, Estudos Literários 24,
2007, Apresentação/Ensaio 'A Paixão da Ausência' de Pedro Meira Monteiro, Ateliê
Editorial, São Paulo — SP; Stéphane Mallarmé (1842 — 1898) ou Étienne Mallarmé,
francês nascido em Paris, foi poeta, tradutor, crítico literário e professor de
inglês; considerado como um dos primeiros simbolistas franceses e um dos
precursores da poesia concreta, consta que seus primeiros poemas surgiram na
década de 1860 e que, como boa parte dos poetas de sua geração, também sofrera
influência de Charles Baudelaire; Mallarmé é tido, durante os anos de 1880,
como sendo a figura central de um grupo de escritores com quem discutia poesia
e arte, entre os quais Paul Valéry, André Gide e Marcel Proust; fundou a
revista Última Moda, onde escreveu sobre estética literária, colaborou no
jornal Le Parnasse Contemporain e publicou na revista Cosmopolis; escreveu
Herodíade (Herodíades, 1869), L'Aprés-midi d'um faune (A tarde de um fauno,
1876), Un coup de dés jamais n'abolira le hasard (Um Lance de Dados Jamais
Abolirá o Acaso, 1897) e muitos outros textos; traduziu Edgard Allan Poe, W. C.
Elphinstone Hope e James Whistler.








