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O ledo
passarinho, que gorjeia,
de alma
exprimindo a cândida ternura,
o rio
transparente, que murmura,
e por
entre pedrinhas serpenteia:
o Sol,
que o céu diáfano passeia,
a Lua,
que lhe deve a formosura,
o sorriso
da aurora alegre, e pura,
a rosa,
que entre os zéfiros ondeia:
a serena,
amorosa primavera,
o doce
autor das glórias que consigo,
a deusa
das paixões e de Citera:
quanto
digo, meu bem, quanto não digo,
tudo em
tua presença degenera,
nada se
pode comparar contigo.
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O Mundo Maravilhoso
do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio
de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Manuel
Maria Barbosa du Bocage (1765 — 1805), português de Setúbal, foi poeta representante
do arcadismo lusitano; seguiu para Lisboa em 1783, se alistou na marinha de guerra,
frequentou a Academia Real dos Guarda-Marinhas, passou a participar da vida boêmia
da cidade, em 1786 partiu para Goa, colônia portuguesa na Índia, depois seguiu para
Damão, outra colônia naquele país, desertou, daí foi para Macau, possessão portuguesa
na China, retornando então para Portugal em 1790; Bocage escrevia desde a mais tenra
idade, ao publicar sua primeira obra, Rimas, em 1791, foi convidado a fazer parte
da Academia de Belas Artes Nova Arcádia e adotou o pseudônimo Elmano Sadino (Elmano
— anagrama de Manoel, e Sadino — homenagem ao Rio Sado, que banha Setúbal, cidade
onde nasceu; em 1794, “devido ao seu espírito
independente, sarcástico e indisciplinado, inquieto e atraído pela vida boêmia’,
foi expulso da Nova Arcádia; em 1797, acusado de heresia, de levar vida devassa
e disseminar “ideias contra a ordem social”, o poeta foi encarcerado, passando
por diversas prisões, hospícios e conventos; enquanto esteve recolhido no Hospício
das Necessidades, por força de sentença prisional, Bocage se dedicou aos estudos,
foi redator e traduziu várias obras, entre as quais as Metamorfoses, do poeta romano
Ovídio; após sua libertação no último dia de 1798, publicou mais duas novas séries
de poesias, as quais também deu o nome de Rimas (1799 e 1804); outros escritos publicados:
A Morte de D. Ignez, Improvisos de Bocage, Mágoas Amorosas de Elmano, Queixumes
do Pastor Elmano Contra a Falsidade da Pastora Urselina (1791), ...
