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Na água-forte onde vejo o rigor
sem exemplo
Do severo perfil de teu busto de poeta,
Charles, o teu olhar, não sei por que, me inquieta,
Evocando o pavor de uma orgia num templo.
Penetra-me essa luz de encantos esquisitos,
Que deviam possuir, em rápidos instantes,
Os teus olhos fatais como dois sóis malditos,
Fixos num céu de sonhos de ópio alucinantes...
Há um ríctus singular na tua boca estranha...
E esse ríctus cruel, de tédio ou de loucura,
Imprime a esta água-forte uma vida tamanha,
Que desvairo ao fitá-la e, num trágico espanto,
Vejo Satã possuir, na paz da cela escura,
O corpo virginal de uma noviça em pranto...
Do severo perfil de teu busto de poeta,
Charles, o teu olhar, não sei por que, me inquieta,
Evocando o pavor de uma orgia num templo.
Penetra-me essa luz de encantos esquisitos,
Que deviam possuir, em rápidos instantes,
Os teus olhos fatais como dois sóis malditos,
Fixos num céu de sonhos de ópio alucinantes...
Há um ríctus singular na tua boca estranha...
E esse ríctus cruel, de tédio ou de loucura,
Imprime a esta água-forte uma vida tamanha,
Que desvairo ao fitá-la e, num trágico espanto,
Vejo Satã possuir, na paz da cela escura,
O corpo virginal de uma noviça em pranto...
Nota do Organizador:
A evocação de Baudelaire não
destoa da imagem que dele faziam os satanistas decadentes.
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Poesia Simbolista, Antologia —
Introdução, Seleção e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1965, Edições
Melhoramentos, São Paulo — SP; Álvaro de Sá Castro Meneses (1883 — 1920),
fluminense de Niterói, formado em Direito, além de ter exercido as funções de promotor
público e juiz, foi professor, jornalista e poeta; na área literária, pertenceu ao grupo simbolista fundador da revista Rosa-Cruz; escreveu e publicou Mitos (1898), Estrada de Damasco (1920) e também deixou-nos poesias esparsas; trabalhou longos anos no Jornal do Comércio.
