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Formas que em vão persigo: se
é que alguma
coisa ainda sois, mostrai-a ao
pensamento.
Quando mais me procuro, mais
me invento,
perco-me todo, esfaço-me na
bruma.
Nem um raio de luz neste
momento.
Que aconteceu, que a sombra se
avoluma?
Porque tudo se perde como a
espuma?
Porque a vida se esvai como um
lamento?
Formas que em vão procuro:
ardo em meu sonho,
quero fixar-vos. Luto. Que
medonho
pânico em tudo! Que clamor
profundo
sobe da treva! Que estertor
imenso!
Por que tudo agoniza quando
penso?
A solidão sem fim de antes do
mundo!
(O Instante e o Eterno — 1953)
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O Mundo Maravilhoso do Soneto,
de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel
Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Emílio Guimarães Moura (1902 — 1971), mineiro
de Dores do Indaiá, formado em Direito pela Faculdade de Direito da UFMG, foi jornalista,
poeta, escritor e professor universitário; trabalhou como redator de cadernos literários
dos periódicos Diário de Minas, Estado de Minas e A Tribuna de Minas Gerais e lecionou
na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Minas Gerais (FACE—UFMG),
da qual foi um dos fundadores e também diretor; junto com Carlos Drummond de Andrade
e outros, integrou o grupo que editou A Revista, primeiro órgão literário modernista
mineiro; suas obras: Ingenuidade (1931), Canto da hora amarga (1936), Cancioneiro
(1945), O espelho e a musa (1949), O instante e o eterno (1953), A casa (1961),
50 poemas escolhidos pelo autor (1961), Itinerário Poético (1969); recebeu
o Prêmio de Poesia do Instituto Nacional do Livro pela obra Itinerário Poético,
coletânea de todos os seus livros; Emílio Moura também exerceu as funções de Secretário
do Tribunal de Contas e Diretor da Imprensa Oficial, ambos em Belo Horizonte — MG.






