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[traduzido por Silviano Santiago]
Encantada com tudo nunca se espantando com nada
uma mocinha cantava
de acordo com as estações seguindo o seu caminho
Quando as cebolas me farão rir
me farão chorar as cenouras
o burro da cartilha soube me ensinar a ler
a ler de verdade
Mas uma manivela desfez a primavera
e cubos de gelo atacaram o rosto dela
Tenho lágrimas demais para chorar
eles guerreiam contra a natureza
Eu que era íntima do sol
Não ouso mais olhá-lo de frente.
Le temps haletant
Poesia de Todos os Tempos: Jacques Prévert — Poemas, Seleção, Tradução e Introdução de Silviano Santiago, 2000, 8ª impressão, Editora Nova Fronteira, São Paulo — SP; Jacques Prévert (1900 — 1977), francês de Neuilly-sur-Seine, foi roteirista de cinema e poeta; sua obra: Paroles (1946), Le Cheval de Trois (1946), Histoires (1946), Contos para crianças não sábias e O pequeno leão (ambos de literatura infantil, 1947), Des bêtes (1950), Spectable (1951), Lettre des îles Baladar (literatura infantil, 1952), Tour le chant (1953), L’Opéra de lune (literatura infantil, 1953) e outros textos em verso e prosa e também para crianças; Jacques Prevért foi criador de roteiros e diálogos de extensa filmografia da escola do realismo poético francês, filmes estes realizados por Jean Renoir, Marcel Carné e outros cineastas; teve poemas musicados.
[traduzido por Silviano Santiago]
Encantada com tudo nunca se espantando com nada
uma mocinha cantava
de acordo com as estações seguindo o seu caminho
Quando as cebolas me farão rir
me farão chorar as cenouras
o burro da cartilha soube me ensinar a ler
a ler de verdade
Mas uma manivela desfez a primavera
e cubos de gelo atacaram o rosto dela
Tenho lágrimas demais para chorar
eles guerreiam contra a natureza
Eu que era íntima do sol
Não ouso mais olhá-lo de frente.
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| Jacques Prévert |
Le temps haletant
Émerveillée
de tout ne s'étonnant jamais de rien
une
fillette chantait
suivant
les saisons suivant son chemin
Quand les
oignons me feront rire
les
carottes me feront pleurer
l'âne de
l'alphabet a su m'apprendre à lire
à lire
pour de vrai
Mais une
manivelle a défait le printemps
et des
morceaux de glace lui ont sauté à la figure
J'ai trop
de larmes pour pleurer
ils font
la guerre à la nature
Moi qui
tutoyais le soleil
je n'ose plus le regarder en face.
____________________Poesia de Todos os Tempos: Jacques Prévert — Poemas, Seleção, Tradução e Introdução de Silviano Santiago, 2000, 8ª impressão, Editora Nova Fronteira, São Paulo — SP; Jacques Prévert (1900 — 1977), francês de Neuilly-sur-Seine, foi roteirista de cinema e poeta; sua obra: Paroles (1946), Le Cheval de Trois (1946), Histoires (1946), Contos para crianças não sábias e O pequeno leão (ambos de literatura infantil, 1947), Des bêtes (1950), Spectable (1951), Lettre des îles Baladar (literatura infantil, 1952), Tour le chant (1953), L’Opéra de lune (literatura infantil, 1953) e outros textos em verso e prosa e também para crianças; Jacques Prevért foi criador de roteiros e diálogos de extensa filmografia da escola do realismo poético francês, filmes estes realizados por Jean Renoir, Marcel Carné e outros cineastas; teve poemas musicados.











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