domingo, 31 de julho de 2016

Cornélio Pires: Peripécia de viagem

Resultado de imagem para coletânea de poetas paulistas Editora minerva enéas de moura
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Imbarquei no trem de ferro,
lá na vila da  Faxina;
o bruto largô seu berro,
saiu cortano a campina.

De aturdido os óio cérro,
já cheio de areia fina...
chego in São Pólo. Saio... érro
no virá a primêra esquina.

Fico meio turtuviado:
gentarada, carro, bonde
e in tuda a parte um sordado.

Fico danado, me amólo;
vô durmi num sei adonde...
 Num venho mais p’ra São Pólo!

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Coletânea de Poetas Paulistas Seleção, Organização e Introdução de Enéas de Moura, 1951, Editora Minerva, Rio de Janeiro — RJ; Cornélio Pires (1884  1958), paulista de Tietê, autodidata, foi jornalista, escritor, folclorista, etnógrafo, ativista cultural, conferencista, contador de causos, poeta e cantador, enfim, um estudioso da cultura e dialeto caipiras; teve sua estréia na imprensa como aprendiz de tipógrafo em O Tietê (1905); trabalhou e/ou colaborou com os jornais O Comércio de São PauloO Estado de São PauloA Cidade de Santos, e também com as revistas O Pirralho, dirigida por Oswald de Andrade, A Careta, do Rio de Janeiro, A Farpa, de São Paulo, além de em outras publicações; dirigiu o hebdomadário O Movimento, de São Manuel  SP; em Piracicaba, colaborou com O Jornal e Jornal de Piracicaba; fundou com o caricaturista e desenhista Voltolino, o semanário humorístico O Sacy (1926); em 1909 teve publicada suas poesias no Almanaque d’O Malho; escreveu e publicou Musa Caipira (1910), O Monturo (poemetos, 1911), Versos (1912), Tragédia Cabocla (novela, 1914), Quem conta um conto... (1916), Conversas ao Pé do Fogo (1921), Cenas e Paisagens da minha terra (reunião de sua obra poética, 1921), As Estrambóticas Aventuras de Joaquim Bentinho o Queima-Campo (1924), Seleta Caipira (1926), Continuação das Estrambóticas Aventuras de Joaquim Bentinho — o Queima-Campo (1929), Sambas e Cateretês (folclore, 1932), Tá no Bocó (1935) e outros; realizou os filmes Brasil Pitoresco (com auxílio técnico do cineasta paulista Flamínio de Campos Gatti, 1923) Vamos passear (documentário, 1934); o ativista cultural Cornélio Pires viajou pelo país afora divulgando e apresentando o que pesquisava, também produziu e deixou registrado seus causos e outros achados caipiras (modas de viola, anedotas, cururus  e outros ritmos caipiras...) em dezenas de discos gravados nos anos 29 e 30 com duplas caipiras e artistas por ele descobertos.

sábado, 30 de julho de 2016

Stéphane Mallarmé: Angústia

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[traduzido por José Lino Grünewald]

Não vim domar teu corpo esta noite, ó cadela
Que encerras os pecados de um povo, ou cavar
Em teus cabelos torpes a triste procela
No incurável fastio em meu beijo a vazar:

Busco em teu leito o sono atroz sem devaneios
Pairando sob ignotas telas do remorso,
E que possas gozar após negros enleios,
Tu que acima do nada sabes mais que os mortos:

Pois o Vício, a roer minha nata nobreza,
Tal como a ti marcou-me de esterilidade,
Mas enquanto teu seio de pedra é cidade.

De um coração que crime algum fere com presas,
Pálido, fujo, nulo, envolto em meu sudário,
Com medo de morrer pois durmo solitário.

Stéphane Mallarmé
Mallarmé

Angoisse

Je ne viens pas ce soir vaincre ton corps, ô bête
En qui vont les péchés d'un peuple, ni creuser
Dans tes cheveux impurs une triste tempête
Sous l'incurable ennui que verse mon baiser:

Je demande à ton lit le lourd sommeil sans songes
Planant sous les rideaux inconnus du remords,
Et que tu peux goûter après tes noirs mensonges,
Toi qui sur le néant en sais plus que les morts:

Car le Vice, rongeant ma native noblesse
M'a comme toi marqué de sa stérilité,
Mais tandis que ton sein de pierre est habité

Par un coeur que la dent d'aucun crime ne blesse,
Je fuis, pâle, défait, hanté par mon linceul,
Ayant peur de mourir lorsque je couche seul.
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Poemas — Stéphane Mallarmé, Tradução e Notas de José Lino Grünewald, (Saraiva de Bolso), 2015, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Stéphane Mallarmé (1842  1898) ou Étienne Mallarmé, francês nascido em Paris, foi poeta, tradutor, crítico literário e professor de inglês; considerado como um dos primeiros simbolistas franceses e um dos precursores da poesia concreta, consta que seus primeiros poemas surgiram na década de 1860 e que, como boa parte dos poetas de sua geração, também sofrera influência de Charles Baudelaire; Mallarmé é tido, durante os anos de 1880, como sendo a figura central de um grupo de escritores com quem discutia poesia e arte, entre os quais Paul Valéry, André Gide e Marcel Proust; fundou a revista Última Moda, onde escreveu sobre estética literária, colaborou no jornal Le Parnasse Contemporain e publicou na revista Cosmopolis; escreveu Herodíade (Herodíades, 1869), L'Aprés-midi d'un faune (A tarde de um fauno, 1876), Un coup de dés jamais n'abolira le hasard (Um Lance de Dados Jamais Abolirá o Acaso, 1897) e muitos outros textos; traduziu Edgard Allan Poe, W. C. Elphinstone Hope e James Whistler.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Antonio Lobo de Carvalho: Apenas vês deixada da costura . . . [soneto XXV]

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A João Xavier de Matos, namorando por grosso
 e miúdo quantas mulheres há em Lisboa.

Apenas vês deixada da costura
Por trás da adufa a tímida donzela,
Como um raio, João, com os olhos nela
Lhe encampas reverente uma mesura:

Safa-se a moça, e o pai que porventura
Vem chamar o aguadeiro da janela,
Repara então que a filha se acautela
Dessa tua cismática ternura.

Por amante basbaque a bom capricho
Te aponta ao dedo o ginja furibundo.
Se é que pronta não tem a pá de lixo:

Casa-te, amigo meu, e logra o mundo;
Que é descanso maior ser corno fixo,
Do que andar putanheiro vagabundo.

Antonio Lobo de Carvalho *

* Segundo o ilustrador de O Lobo da Madragoa, de Alberto Pimentel, editado em 1904, um romance misto biográfico e ficcional, onde o autor relata as aventuras e desventuras do poeta português.
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Antologia Pornográfica: de Gregório de Mattos a Glauco Mattoso, Organização e Introdução de Alexei Bueno (Coleção Saraiva de Bolso), 2011, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro  RJ; Antonio Lobo de Carvalho (1730? 1787), português de Guimarães, foi poeta satírico; consta que suas poesias, sátiras implacáveis, quase todas compostas em forma de soneto, provocavam a ira das pessoas atingidas, inclusive dos próprios mecenas e amigos mais próximos, o que lhe valeram várias vezes a prisão; o Lobo de Madragoa, como era conhecido o poeta, teve sua obra editada por Inocêncio Francisco da Silva, com o título de Poesias Joviaes e Satyricas (1852).

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Waldemar Lopes: O labirinto e a esfinge. O resto é o laço . . . [soneto do desencontro]

O labirinto e a esfinge. O resto é o laço
das surpresas, a ambígua segurança,
ou o lento volver, a cada passo,
às raízes perdidas da esperança.

Encontro ou desencontro, esse embaraço
dos seres, na aparente semelhança,
ante a mesma visão do alfange de aço,
sol do amanhã na paz da noite mansa.

Em giros de memória, a sombra vaga
e a imprecisão do acaso: agora e ausente,
começo de chegar e despedida.

(Dom de amor, dor de amar funda e pressaga!
de que vale seu êxtase pungente
se antes nos lembra a morte do que a vida?)

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Sonetos do Tempo Perdido — Waldemar Lopes, Introdução de Aurélio Buarque de Holanda, 1970, Editorial Palmares, Rio de Janeiro  RJ; Waldemar Freire Lopes (1911  2006), pernambucano de Quipapá, foi jornalista, literato, poeta e atuou também nas áreas de economia, administração pública e direito público internacional junto às instituições IBGE e OEA (Organização dos Estados Americanos); no jornalismo, atuou no Jornal do Commercio (Recife),  n’A Noite (Rio de Janeiro), na Folha Carioca, na Tribuna de Imprensa e em outros jornais e revistas especializadas; sua obra literária: Legenda (poesias, 1929), Sonetos do Tempo Perdido (1970), Inventário do Tempo (1974), Os Pássaros da Noite (1974), Sonetos da Despedida (1976), Sonetos do Natal (1977), Elegia a Joaquim Cardozo (1978), O Jogo Inocente (1979), Memória do Tempo (1981), Sonetos de Portugal (1984, 1994 e 2005), As Dádivas do Crepúsculo (1996), Austro-Costa no centenário do seu nascimento (1999), Cinza de Estrelas (2001); participou de várias instituições técnicas e culturais no Brasil e no exterior.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Mário de Sá-Carneiro: Escavação

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Numa ânsia de ter alguma cousa,
Divago por mim mesmo a procurar,
Desço-me todo, em vão, sem nada achar,
E a minh'alma perdida não repousa.

Nada tendo, decido-me a criar:
Brando a espada: sou luz harmoniosa
E chama genial que tudo ousa
Unicamente à força de sonhar...

Mas a vitória fulva esvai-se logo...
E cinzas, cinzas só, em vez do fogo...
 Onde existo que não existo em mim?

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Um cemitério falso sem ossadas,
Noites d'amor sem bocas esmagadas 
Tudo outro espasmo que princípio ou fim...

Paris, 3 de maio de 1913.

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Poesia Reunida — Mário de Sá-Carneiro — Texto Integral, Organização e Apresentação de Alexei Bueno, Edições Saraiva de Bolso, 2014, Nova Fronteira — Rio de Janeiro — RJ; Mário de Sá-Carneiro (1890 1916), português de Lisboa, cursou Direito em Coimbra, sem concluir os estudos, e foi poeta, contista e ficcionista, sendo considerado um dos expoentes do Modernismo em Portugal; foi responsável pela edição da revista literária Orpheu, causadora de escândalo nos meios literários à época; seus textos foram registrados, nas revistas Alma Nova e Contemporânea, parte em vida, e, depois, postumamente, também nas revistas Pirâmide e Sudoeste; é de sua autoria Amizade (peça teatral, 1912), Princípio (novelas, 1912), A Confissão de Lúcio (romance, 1914), Dispersão (poesias, 1914), Céu em Fogo (novelas, 1915); publicações póstumas: Indícios de Oiro (textos mais significativos de sua obra, 1937), Cartas a Fernando Pessoa (correspondências, 2 volumes, 1958 e 1959) e outros títulos; cometeu suicídio, não sem antes revelar tal intenção em correspondência a seu amigo e poeta Fernando Pessoa.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Jorge Nagao: Uma naite na bibliô do Mariô

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          Numa noite dessas.
           Ei, vocês não vão embora, não?
          Manu e a Vieja, surpreendidas, se entreolham.
           Quem está aí?  diz a Vieja.
           Eu, Mário de Andrade, aqui na terceira fileira, na estante de cima.
           Ué, os livros falam?  assusta-se Manu.
           Antes, apenas ouvíamos, graças às orelhas, mas agora podemos falar porque colocaram um chip mágico na encadernação de alguns de nós, na semana passada  diz Mário.
           E o que tem?  diz Manu.
          — Com isso, nós, autores ungidos, ganhamos vida literária ou, literalmente, ganhamos uma nova reencar(de)nação. Assim que vocês saem, nós batemos um papo. Mas hoje já passou da hora e vocês ainda estão aí  diz Mário de Andrade.
           Estamos fazendo hora extra porque temos pilhas de livros pra repor nas estantes. Estou curiosa. Vocês conversam sobre o quê? comenta Manu.
          — Sobre vocês duas. E vocês, por que estão falando tanto de mim?  diz Mário.
           Reformaram a sua casa, setenta anos depois de sua partida diz Manu.  Vieram governador, secretário de cultura, o Luiz Bras, os atelienses, muita gente. Sua casa está linda! Ah, e quero saber: vocês, livros-vivos, sobre o que conversam?
           Rá rá rá, isso é segredo.
           Quem disse isso?  diz Manu.
          — Emílio de Menezes, primeira fileira, penúltima estante.
          — Sabe o que vocês são? Intelectuais fofoqueiros!  reage a Vieja.
          — Tá vendo?! Esse é o jogo da Vieja, nos indignar. Dá pra conversar com uma pessoa agressiva e despreparada?  rebate Emílio.
          — Então, converse comigo  sugere Manu.
          — O que você quer ser quando crescer?  perguntou o poeta-humorista.
          — Tá me tirano? Tenho dezessete anos, cara, não sou mais uma criança. Mas vou responder: quero ser qualquer coisa, mas longe desta biblioteca sinistra. Além da Vieja, agora tenho que aguentar mortos sem noção.
          — Você não pegou o espírito da coisa, menina! Cresça e desapareça!  entra na conversa o Coelho Neto, segunda fileira, primeira estante.
          — Isto não está acontecendo!  balbucia a Vieja.  Não vejo a hora de me aposentar.
          — Embora, vai embora/ ninguém gosta de alguém/ má como a senhora  responde com um haicai o Guilherme de Almeida, quarta fileira, quarta estante.
          — Senhores, por favor, mais respeito com essas funcionárias contemporiza o Padre Vieira, primeira fileira, primeira estante.
           Não aguento esse padre e seus sermões  diz José Sir Amargo, nona fileira, sexta estante.
           Concordo com o Padre Vieira. Quem ama os livros merece respeito e carinho  sapeca Clarice Lispector, oitava fileira, segunda estante.
          — Obrigada! — respondem ao mesmo tempo Manu e a Vieja.
          — Desculpe, Manu e Vieja, esses meus colegas pararam no tempo, continuam machistas e ultra conservadores, coitados! — diz Rachel de Queiroz.
          — Valeu, Rachel! Vamos embora, Manu. Larga tudo aí. Fiquei com medo de que isso acontecesse no Raloín, mas está acontecendo hoje, dois de novembro, dia deles, dos mortos — diz a Vieja, visivelmente exausta.
          — Tchau, vivas-mortas! Quem é vivo sempre desaparece. — diz Sérgio Porto/Stanislaw Ponte Preta, sexta fileira, primeira estante.
          — Até amanhã, se vocês nos tolerarem! — diz o recém-chegado Eduardo Galeano, décima estante, décima prateleira.
          — É o fim! — diz Manu para a Vieja. — Haja saco pra aguentar esse bando de escritores fantasmas cheios de mimimi. Agora entendi por que eles são chamados de imortais. Nem mortos dão sossego.

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Um Circo de Percalços Falsos: guia para a bibliotecária das galáxias, (Coletivo As Lontras Daquela Hora), Coordenador: Luiz Bras, 2016, Editora Aspas, São Paulo SP; Jorge Nagao, nascido em 1952, paulista de Vera Cruz, bancário sobrevivente hoje aposentado, é cronista, frasista, humorista, poeta, enfim um ativista da palavra; foi um dos impulsionadores, colaboradores e editores do jornaleco Na Moita (1991  1997), um devezenquandário que circulou pelos balcões, mesas e banheiros das seções da ex-Agência Centro BB São Paulo; aposentou-se no lumiar deste milênio após ter prestado serviços no Banco do Brasil por quase três décadas; escreveu Pacote Bancário e outros poemas e paródias (1983) e participou da coletânea Damas de Ouro & Valetes de Espada Crônicas do baralho, organização de Leonel Prata (MGuarnieri Editorial, São Paulo  SP, 2009); participou também dos jornalecos Brinque (cultural do Sindicato dos Bancários de São Paulo) e Paupite (feito por funcionários da Ag. BB  Avenida Paulista); é colunista do Jornal Nippak (SP).

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Paulo Leminski: Desencontrários

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Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
      Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
      Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.

      Mandei a frase sonhar,
e ela se foi num labirinto.
      Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
      para conquistar um império extinto.

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Poesia Fora da Estante (textos de vários poetas)  Volume 2, Organização de Vera Aguiar (Coord.), Simone Assumpção e Sissa Jacoby, Ilustrações de Tatiana Sperhacke, 2013, 7ª. edição, Editora Projeto, Porto Alegre — RS; Paulo Leminski Filho (1944  1989), paranaense de Curitiba, foi escritor, poeta, crítico literário, tradutor, professor, músico e letrista; como seminarista da Ordem dos Beneditinos, no Mosteiro de São Bento em São Paulo, iniciou seus estudos de latim e grego; como judoca faixa-preta, estudou o idioma japonês e tomou contato com a cultura e a poesia do Oriente; participante do I Congresso Brasileiro de Poesia de Vanguarda, em Belo Horizonte, conheceu o poeta Haroldo de Campos, de quem se tornou amigo e parceiro em várias obras; cursou Direito e desistiu, cursou Letras e desistiu várias vezes; foi professor de História e de Redação em cursos pré-vestibulares, professor de judô, atuou em publicidade; após estréia com seus textos, na revista Invenção, do poeta Décio Pignatari, colaborou em outros periódicos e revistas de vanguarda; teve textos musicados e fez parcerias com Caetano Veloso e outros músicos-compositores-letristas; traduziu obras de Petrônio, Alfred Jarry, James Joyce, John Fante, John Lennon, Samuel Beckett, Yukio Mishima, conhecedor que era dos idiomas inglês, francês, latim, grego, japonês e espanhol; sua bibliografia: Matsuo Bashô (ensaio biográfico, 1983), Caprichos e Relaxos (poesia, 1983), Cruz e Sousa (ensaio biográfico, 1983), Descartes com lentes (conto, 1983), Jesus a.C. (ensaio biográfico, 1983), Agora é que são elas (romance, 1984), Anseios crípticos (1986), Leon Trotski: a paixão segundo a revolução (ensaio biográfico, 1986), Distraídos venceremos (poesias, 1987), Guerra dentro da gente (1988), Catatau (prosa poética experimental, 1989), 40 Clics (poesia, com fotografias de Jack Pires, 1990), La vie en close (poesia, 1991), Uma carta uma brasa através: cartas a Régis Bonvincino 1976 a 1981 (1992), Metamorfoses: uma viagem pelo imaginário grego (1994), Winterverno (1994), O ex-estranho (1996) e outros; recebeu premiações por sua obra.