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Imbarquei no trem de ferro,
lá na vila da Faxina;
o bruto largô seu berro,
saiu cortano a campina.
De aturdido os óio cérro,
já cheio de areia fina...
chego in São Pólo. Saio... érro
no virá a primêra esquina.
lá na vila da Faxina;
o bruto largô seu berro,
saiu cortano a campina.
De aturdido os óio cérro,
já cheio de areia fina...
chego in São Pólo. Saio... érro
no virá a primêra esquina.
Fico meio turtuviado:
gentarada, carro, bonde
e in tuda a parte um sordado.
gentarada, carro, bonde
e in tuda a parte um sordado.
Fico danado, me amólo;
vô durmi num sei adonde...
vô durmi num sei adonde...
— Num venho mais p’ra São Pólo!
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Coletânea de Poetas Paulistas — Seleção,
Organização e Introdução de Enéas de Moura, 1951, Editora Minerva, Rio de
Janeiro — RJ; Cornélio Pires (1884 — 1958), paulista de
Tietê, autodidata, foi jornalista, escritor, folclorista, etnógrafo,
ativista cultural, conferencista, contador de causos, poeta e cantador, enfim,
um estudioso da cultura e dialeto caipiras; teve sua estréia na imprensa como
aprendiz de tipógrafo em O Tietê (1905); trabalhou e/ou
colaborou com os jornais O Comércio de São Paulo, O Estado de São
Paulo, A Cidade de Santos, e também com as revistas O Pirralho,
dirigida por Oswald de Andrade, A Careta, do Rio de Janeiro, A Farpa, de
São Paulo, além de em outras publicações; dirigiu o hebdomadário O
Movimento, de São Manuel — SP; em Piracicaba, colaborou com O
Jornal e Jornal de Piracicaba; fundou com o caricaturista e
desenhista Voltolino, o semanário humorístico O Sacy (1926); em 1909
teve publicada suas poesias no Almanaque d’O Malho; escreveu e publicou Musa
Caipira (1910), O Monturo (poemetos, 1911), Versos (1912), Tragédia
Cabocla (novela, 1914), Quem conta um conto... (1916), Conversas
ao Pé do Fogo (1921), Cenas e Paisagens da minha terra (reunião de
sua obra poética, 1921), As Estrambóticas Aventuras de Joaquim
Bentinho — o Queima-Campo (1924), Seleta Caipira (1926), Continuação
das Estrambóticas Aventuras de Joaquim Bentinho — o Queima-Campo
(1929), Sambas e Cateretês (folclore, 1932), Tá no Bocó (1935) e
outros; realizou os filmes Brasil Pitoresco (com auxílio técnico do
cineasta paulista Flamínio de Campos Gatti, 1923) e Vamos passear (documentário,
1934); o ativista cultural Cornélio Pires viajou pelo país afora
divulgando e apresentando o que pesquisava, também produziu e deixou registrado
seus causos e outros achados caipiras (modas de viola, anedotas, cururus
e outros ritmos caipiras...) em dezenas de discos gravados nos anos 29 e
30 com duplas caipiras e artistas por ele descobertos.


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