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Pobre foguista
quando trabalha
deitando fogo
nesta fornalha
Exposto às chuvas
às ventanias
só vê a fornalha
todos os dias
Imundo e sujo
como um carvão
tu tens no entanto
um coração
Enquanto sofres
nessa corrida
no trem de ferro
levas a vida
Pobre foguista
como padeces
sofrendo penas
que não mereces
Levas a vida
a tantas cidades
e tu não tens
felicidades

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Ferroviários, trabalho e poder — Maria de Fátima Salum Moreira, 2008, Editora UNESP, São Paulo — SP; Salathiel Muniz foi foguista da extinta EFS — Estrada de Ferro Sorocabana, ex-Fepasa, e teve seu poema publicado no jornal O Apito (16.12.1931, pág.2), conforme citação em Ferroviários, trabalho e poder (pág.164).