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[traduzido
por Waltensir Dutra]
Estendido
aqui, entranhas em fogo,
Os
insetos não me deixam em paz.
E lá
longe — música, luzes!
Ouço que
dançam...
Ela
prometeu-me vir
Em
segredo, para ser minha.
Aqui
estou, deitado como um cão,
Sem ver
sombra dela.
Ela
prometeu-me sobre a cruz.
Como pôde
assim mentir?
Ou será
ela como uma cabra,
Com quem
qualquer um pode tentar?
De onde
vem seu vestido de seda?
Ah, meu
orgulhoso salvador,
Muitos
bodes foram abençoados
Com o teu
favor.
Envenena-me
a alma esperar
Amando em
vão.
Assim
cresci na noite abafada
O
doloroso cogumelo da dor.
O amor me
alimenta, querida,
Como os
sete pecados.
Não tenho
vontade de comer:
Adeus,
cebolas!
A lua
afundou-se no mar,
As
estrelas, num céu cansado,
Contemplam
a cinzenta aurora.
Eu
gostaria de estar morto.
Lied eines theokritischen Ziegenhirten
Da lieg
ich, krank im Gedärm, — —
Mich
fressen die Wanzen.
Und
drüben noch Licht und Lärm!
Ich hör’s,
sie tanzen...
Sie
wollte um diese Stund’
Zu mir
sich schleichen:
Ich warte
wie ein Hund —
Es kommt
kein Zeichen!
Das
Kreuz, als sie’s versprach?
Wie
konnte sie lügen?
Oder
läuft sie Jedem nach,
Wie meine
Ziegen?
Woher ihr
seidner Rock? —
Ah, meine
Stolze?
Es wohnt
noch mancher Bock
An diesem
Holze?
Wie kraus
und giftig macht
Verliebtes
Warten!
So wächst
bei schwüler Nacht
Giftpilz
im Garten.
Die Liebe
zehrt an mir
Gleich
sieben Übeln, —
Nichts
mag ich essen schier.
Lebt
wohl, ihr Zwiebeln!
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Lou: Minha irmã, minha esposa — Uma
biografia de Lou Andreas-Salomé, por H. F. Peters, Prefácio de Anaïs Nin e Tradução
de Waltensir Dutra, 1986, Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro — RJ; Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 — 1900), nascido em Röcken,
Província da Saxônia, Prússia, atual Alemanha, foi filósofo, filólogo, crítico cultural,
professor, poeta e compositor; estudou na Universidade de Bonn, transferiu-se para
a Universidade de Leipzig e foi professor de Filologia Clássica na Universidade
de Basiléia, Suiça; escreveu e publicou O Nascimento da Tragédia no Espírito da
Música (Die Geburt der Tragödie aus dem Geiste der Musik, 1872), A Filosofia na
Idade Trágica dos Gregos (textos que remontam a 1873, publicados postumamente),
David Strauss, o Confessor e o Escritor (David Strauß. Der Bekenner und der Schriftsteller,
1873), Humano, Demasiado Humano, um Livro para Espíritos Livres (Menschliches, Allzumenschliches,
primeira parte originalmente publicada em 1878 e versão final publicada em 1886),
Schopenhauer como Educador (Shopenhauer als Erzieher, 1874), Richard Wagner em Bayreuth (1876), Aurora,
Reflexões sobre Preconceitos Morais (Morgenröte. Gedanken über die moralischen Vorurteile,
1881), A Gaia Ciência (Die fröliche Wissenschaft, 1882), Assim Falou Zaratustra,
um Livro para Todos e para Ninguém (Also sprach Zarathustra, 1883 — 1885), Além
do Bem e do Mal, Prelúdio para uma Filosofia do Futuro (Jenseits von Gut und Böse,
1886), Genealogia da Moral, uma Polêmica (Zur Genealogie der Moral, 1887), O Crepúsculo
dos Ídolos, ou Como Filosofar com o Martelo (Götzen Dämmerung, 1888), O Caso Wagner
um Problema para Músicos (1888), O Anticristo — Praga contra o Cristianismo (Der
Antichrist, 1888), Ecce Homo, de como a gente se torna o que a gente é (Ecce Homo,
1888) e outros títulos; Nietzsche tem suas obras editadas, reeditadas e traduzidas
pelo mundo afora; o pensador tem sido rotineiramente estudado nos cursos de Filosofia.


