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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Laura Chaves: Volúpia

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É certo! Não mentiu quem te afirmou
que eu tenho dito muito mal de ti.
É certo, sim, mordi, mordi, mordi,
Enquanto a minha boca não cansou.

Tudo quanto há de mau em mim gozou...
Sabes lá a volúpia que eu senti
quando, com mil requintes, descrevi
como a tua alma aos poucos se aviltou!

E no delírio de te fazer mal
analisei o vício, o lodaçal
em que hoje vives numa orgia louca...

Mas o que ninguém pôde pressentir
é que eu estava falando para ouvir
o teu nome a vibrar na minha boca!
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Livro dos Poemas — uma antologia de poetas brasileiros e portugueses, Organização e Notas de Sergio Faraco, 2009, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; Laura Chaves (1888 — 1966), portuguesa nascida em Lisboa (?), compositora, escultora, dramaturga e poetisa, colaborou nos periódicos lusitanos O Senhor Doutor, O Almanaque das Senhoras, O Jornal da Mulher e também nos suplementos infantis d’O Século e do Diário de Notícias; bibliografia: Esboços (1919), Cantares, Amores, Saudades e Dores  Trovas simples (1921), Vozes Perdidas, Maria Migalha (peça teatral), etc.