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sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Bocage: O ledo passarinho, que gorjeia, . . . [soneto]

 
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O ledo passarinho, que gorjeia,
de alma exprimindo a cândida ternura,
o rio transparente, que murmura,
e por entre pedrinhas serpenteia:

o Sol, que o céu diáfano passeia,
a Lua, que lhe deve a formosura,
o sorriso da aurora alegre, e pura,
a rosa, que entre os zéfiros ondeia:

a serena, amorosa primavera,
o doce autor das glórias que consigo,
a deusa das paixões e de Citera:

quanto digo, meu bem, quanto não digo,
tudo em tua presença degenera,
nada se pode comparar contigo.

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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765 1805), português de Setúbal, foi poeta representante do arcadismo lusitano; seguiu para Lisboa em 1783, se alistou na marinha de guerra, frequentou a Academia Real dos Guarda-Marinhas, passou a participar da vida boêmia da cidade, em 1786 partiu para Goa, colônia portuguesa na Índia, depois seguiu para Damão, outra colônia naquele país, desertou, daí foi para Macau, possessão portuguesa na China, retornando então para Portugal em 1790; Bocage escrevia desde a mais tenra idade, ao publicar sua primeira obra, Rimas, em 1791, foi convidado a fazer parte da Academia de Belas Artes Nova Arcádia e adotou o pseudônimo Elmano Sadino (Elmano anagrama de Manoel, e Sadino homenagem ao Rio Sado, que banha Setúbal, cidade onde nasceu; em 1794, “devido ao seu espírito independente, sarcástico e indisciplinado, inquieto e atraído pela vida boêmia’, foi expulso da Nova Arcádia; em 1797, acusado de heresia, de levar vida devassa e disseminar “ideias contra a ordem social”, o poeta foi encarcerado, passando por diversas prisões, hospícios e conventos; enquanto esteve recolhido no Hospício das Necessidades, por força de sentença prisional, Bocage se dedicou aos estudos, foi redator e traduziu várias obras, entre as quais as Metamorfoses, do poeta romano Ovídio; após sua libertação no último dia de 1798, publicou mais duas novas séries de poesias, as quais também deu o nome de Rimas (1799 e 1804); outros escritos publicados: A Morte de D. Ignez, Improvisos de Bocage, Mágoas Amorosas de Elmano, Queixumes do Pastor Elmano Contra a Falsidade da Pastora Urselina (1791), ...

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Bocage: Já Bocage não sou!... À cova escura . . . [soneto]

 
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Já Bocage não sou!... À cova escura
meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
leve me torne sempre a terra dura:

Conheço agora já quão vã figura
em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa!... Tivera algum merecimento
se um raio da razão seguisse, pura!

Eu me arrependo; a língua quase fria
brade em alto pregão, à mocidade,
que atrás do som fantástico corria:

Outro Aretino fui... A santidade
manchei... Ó, se me creste, gente ímpia,
rasga meus versos, crê na eternidade!

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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765 1805), português de Setúbal, foi poeta representante do arcadismo lusitano; seguiu para Lisboa em 1783, se alistou na marinha de guerra, frequentou a Academia Real dos Guarda-Marinhas, passou a participar da vida boêmia da cidade, em 1786 partiu para Goa, colônia portuguesa na Índia, depois seguiu para Damão, outra colônia naquele país, desertou, daí foi para Macau, possessão portuguesa na China, retornando então para Portugal em 1790; Bocage escrevia desde a mais tenra idade, ao publicar sua primeira obra, Rimas, em 1791, foi convidado a fazer parte da Academia de Belas Artes Nova Arcádia e adotou o pseudônimo Elmano Sadino (Elmano anagrama de Manoel, e Sadino homenagem ao Rio Sado, que banha Setúbal, cidade onde nasceu; em 1794, “devido ao seu espírito independente, sarcástico e indisciplinado, inquieto e atraído pela vida boêmia’, foi expulso da Nova Arcádia; em 1797, acusado de heresia, de levar vida devassa e disseminar “ideias contra a ordem social”, o poeta foi encarcerado, passando por diversas prisões, hospícios e conventos; enquanto esteve recolhido no Hospício das Necessidades, por força de sentença prisional, Bocage se dedicou aos estudos, foi redator e traduziu várias obras, entre as quais as Metamorfoses, do poeta romano Ovídio; após sua libertação no último dia de 1798, publicou mais duas novas séries de poesias, as quais também deu o nome de Rimas (1799 e 1804); outros escritos publicados: A Morte de D. Ignez, Improvisos de Bocage, Mágoas Amorosas de Elmano, Queixumes do Pastor Elmano Contra a Falsidade da Pastora Urselina (1791), ...

segunda-feira, 31 de julho de 2023

Bocage: Li as catorze regras aos penachos . . . [soneto]

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Por ocasião de um soneto composto pelo mesmo [padre Joaquim Franco de Araújo Freire Barbosa, vigário da igreja de Almoster]

Li as catorze regras aos penachos,
e trova, que as orelhas nos magoa;
Viva a maruja frase  Estou na proa... 
Modelo singular de termos baixos!

A lembrança dos bois, burros, e machos
É lembrança feliz, é coisa boa!
Pois o palheiro, que sem peso voa!...
Isso dá jus à cilha e berbicachos:

O lugar onde a mão findou seis linhas
Podia muito bem ficar em branco,
Sem fazer falta às pobres das vizinhas:

O quinto indigno verso é quase manco;
A idéia tem mais sal que três marinhas;
E a córnea conclusão laureia o Franco!

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Bocage — Sonetos Completos, Primeira Edição, Primeira Impressão, 1989, Editora Núcleo, São Paulo — SP; Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765 1805), nascido em Setúbal Portugal, foi poeta representante do arcadismo lusitano; ao ir para Lisboa (1783), depois de ter se alistado na marinha de guerra, passa a participar da vida boêmia da cidade, e, após, parte para Goa, colônia portuguesa na Índia (1786), depois segue para Damão, outra colônia naquele país, daí seguindo para Macau, possessão portuguesa na China, retornando então para Portugal (1790); Bocage escrevia desde a mais tenra idade, e, ao publicar sua primeira obra, Rimas (1791), foi convidado a participar da academia de belas artes Nova Arcádia e adotou o pseudônimo de Elmano Sadino (Elmano anagrama de Manoel, e Sadino homenagem ao Rio Sado, que banha Setúbal, sua cidade natal); em 1797, acusado de heresia e de levar vida devassa, o poeta foi encarcerado e, após passar por diversas prisões, hospícios e conventos, foi libertado no último dia de 1798; publicou mais duas novas séries de poesias, as quais também deu o nome de Rimas (1799 e 1804); outros escritos: A Morte de D. Ignez, Improvisos de Bocage, Mágoas Amorosas de Elmano, Queixumes do Pastor Elmano Contra a Falsidade da Pastora Urselina, ...

domingo, 16 de julho de 2023

Bocage: Aquele, a quem mil bens outorga o Fado . . . [soneto]

 
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Tentativa de suicídio, combatida pelas lembranças da eternidade

Aquele, a quem mil bens outorga o Fado,
Desejo com razão da vida amigo
Nos anos igualar Nestor, o antigo,
De trezentos invernos carregado:

Porém eu sempre triste, eu desgraçado,
Que só nesta caverna encontro abrigo,
Porque não busco as sombras do jazigo,
Refúgio perdurável, e sagrado?

Ah! bebe o sangue meu, tosca morada;
Alma, quebra as prisões da humanidade,
Despe o vil manto, que pertence ao nada!

Mas eu tremo!… Que escuto?… É a Verdade,
É ela, é ela que do Céu me brada:
Oh terrível pregão da eternidade!

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Bocage — Sonetos Completos, Primeira Edição, Primeira Impressão, 1989, Editora Núcleo, São Paulo — SP; Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765 1805), nascido em Setúbal Portugal, foi poeta representante do arcadismo lusitano; ao ir para Lisboa (1783), depois de ter se alistado na marinha de guerra, passa a participar da vida boêmia da cidade, e, após, parte para Goa, colônia portuguesa na Índia (1786), depois segue para Damão, outra colônia naquele país, daí seguindo para Macau, possessão portuguesa na China, retornando então para Portugal (1790); Bocage escrevia desde a mais tenra idade, e, ao publicar sua primeira obra, Rimas (1791), foi convidado a participar da academia de belas artes Nova Arcádia e adotou o pseudônimo de Elmano Sadino (Elmano anagrama de Manoel, e Sadino homenagem ao Rio Sado, que banha Setúbal, sua cidade natal); em 1797, acusado de heresia e de levar vida devassa, o poeta foi encarcerado e, após passar por diversas prisões, hospícios e conventos, foi libertado no último dia de 1798; publicou mais duas novas séries de poesias, as quais também deu o nome de Rimas (1799 e 1804); outros escritos: A Morte de D. Ignez, Improvisos de Bocage, Mágoas Amorosas de Elmano, Queixumes do Pastor Elmano Contra a Falsidade da Pastora Urselina, ...

sexta-feira, 2 de junho de 2023

Bocage: Oh triste malfadada Academia! . . . [soneto]


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À Nova Arcádia

Oh triste malfadada Academia!
O vate Elmano em sátiras se espraia;
Fervem correios ao loquaz Talaia,
Que a todos teu descrédito anuncia:

Apolo exulta, o povo te assobia;
A glória tua em convulsões desmaia;
Ah! primeiro que a pobre em terra caia,
Corte-se o voo da fatal porfia:

Ao satírico audaz põe duro freio,
Pune o declamador, que te flagela;
Dá-lhe assento outra vez no magro seio:

Bem como a quem profana uma donzela,
Que em pena do afrontoso estupro feio
Fazem próvidas leis casar com ela.

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Bocage — Sonetos Completos, Primeira Edição, Primeira Impressão, 1989, Editora Núcleo, São Paulo — SP; Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765 1805), nascido em Setúbal Portugal, foi poeta representante do arcadismo lusitano; ao ir para Lisboa (1783), depois de ter se alistado na marinha de guerra, passa a participar da vida boêmia da cidade, e, após, parte para Goa, colônia portuguesa na Índia (1786), depois segue para Damão, outra colônia naquele país, daí seguindo para Macau, possessão portuguesa na China, retornando então para Portugal (1790); Bocage escrevia desde a mais tenra idade, e, ao publicar sua primeira obra, Rimas (1791), foi convidado a participar da academia de belas artes Nova Arcádia e adotou o pseudônimo de Elmano Sadino (Elmano anagrama de Manoel, e Sadino homenagem ao Rio Sado, que banha Setúbal, sua cidade natal); em 1797, acusado de heresia e de levar vida devassa, o poeta foi encarcerado e, após passar por diversas prisões, hospícios e conventos, foi libertado no último dia de 1798; publicou mais duas novas séries de poesias, as quais também deu o nome de Rimas (1799 e 1804); outros escritos: A Morte de D. Ignez, Improvisos de Bocage, Mágoas Amorosas de Elmano, Queixumes do Pastor Elmano Contra a Falsidade da Pastora Urselina, ...

quinta-feira, 18 de maio de 2023

Bocage: Feito na prisão & Na solidão do cárcere


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Feito na prisão

Não sinto me arrojasse o duro fado
Nesta abóbada feia, horrenda, escura,
Nesta dos vivos negra sepultura,
Onde a luz nunca entrou do Sol dourado:

Não me consterna o ver-me traspassado
Com mil golpes cruéis da desventura,
Porque bem sei que a frágil criatura
Raramente é feliz no mundo errado:

Não choro a liberdade, que enleada
Tenho em férreas prisões, e a paz ditosa,
Que voou da minh’alma atribulada:

Só sinto que Marília rigorosa
Entre os braços de Aônio reclinada
Zombe da minha sorte lastimosa.

— o —

Na solidão do cárcere

Quando na rósea nuvem sobe o dia
De risos esmaltando a Natureza,
Bem que me aclare as sombras da tristeza
Um tempo sem-sabor me principia:

Quando por entre os véus da noite fria
A máquina celeste observo acesa,
De angústia, de terror a imagens presa
Começa a devorar-me a fantasia.

Por mais ardentes preces, que lhe faço,
Meus ais não ouve o nume sonolento,
Nem prende a minha dor com tênue laço:

No Inferno se me troca o pensamento;
Céus! Porque hei de existir, porquê, se passo
Dias de enjôo, e noites de tormento?

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Bocage — Sonetos Completos, Primeira Edição, Primeira Impressão, 1989, Editora Núcleo, São Paulo — SP; Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765 1805), nascido em Setúbal Portugal, foi poeta representante do arcadismo lusitano; ao ir para Lisboa (1783), depois de ter se alistado na marinha de guerra, passa a participar da vida boêmia da cidade, e, após, parte para Goa, colônia portuguesa na Índia (1786), depois segue para Damão, outra colônia naquele país, daí seguindo para Macau, possessão portuguesa na China, retornando então para Portugal (1790); Bocage escrevia desde a mais tenra idade, e, ao publicar sua primeira obra, Rimas (1791), foi convidado a participar da academia de belas artes Nova Arcádia e adotou o pseudônimo de Elmano Sadino (Elmano anagrama de Manoel, e Sadino homenagem ao Rio Sado, que banha Setúbal, sua cidade natal); em 1797, acusado de heresia e de levar vida devassa, o poeta foi encarcerado e, após passar por diversas prisões, hospícios e conventos, foi libertado no último dia de 1798; publicou mais duas novas séries de poesias, as quais também deu o nome de Rimas (1799 e 1804); outros escritos: A Morte de D. Ignez, Improvisos de Bocage, Mágoas Amorosas de Elmano, Queixumes do Pastor Elmano Contra a Falsidade da Pastora Urselina, ...

segunda-feira, 8 de maio de 2023

Bocage: A minha Lília morreu [mote e glosas*]


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Mote:

A minha Lília morreu.

Glosas

Assim como as flores vivem,
A minha Lília viveu;
Assim como as flores morrem,
A minha Lilia morreu.

Assomando o negro dia,
Ave sinistra gemeu;
Cumpriu-se o funesto agouro:
A minha Lilia morreu.

Desfalece, ó Natureza,
Acelera o fado teu;
Esta voz te guie ao Nada:
A minha Lilia morreu.

Fadou-me o caso medonho
Vate que nos astros leu;
Os vates são como os Numes:
A minha Lilia morreu.

Que é do Sol? Que é do Universo?
Tudo desapareceu;
Foi-se toda a Natureza:
A minha Lilia morreu.

A minha ventura e Lília
Num só laço Amor prendeu:
Morreu a minha ventura,
A minha Lilia morreu.

Em parte da minha essência
Minha essência pereceu;
Não vivo senão metade:
A minha Lilia morreu.

Oh quanto ganhava o Mundo!
Oh, quanto o mundo perdeu!
Doce lucro e triste perda!
A minha Lilia morreu.

Para exultar o Universo
A minha Lília nasceu;
Para os Numes exultarem
A minha Lilia morreu.

Meu coração desgraçado,
Desgraçado porque és meu,
Evapora-te em suspiros:
A minha Lilia morreu.

As estrelas se apagaram,
A Natureza tremeu,
Os promontórios gemeram,
A minha Lilia morreu.

Disse, ao ver sereno eflúvio,
Que o puro Olimpo correu:
Aquela é a alma de Lília,
A minha Lilia morreu.


* Registro de Marisa Lajolo, selecionadora de textos e estudos biográfico e crítico deste Bocage — Literatura Comentada:
          Enraizada na mais antiga tradição portuguesa, a poesia com mote é fartamente documentada no Cancioneiro Geral de Garcia de Rezende, publicado em 1516. Muito cultivada por poetas do século XVI (Camões, inclusive), coexiste, a partir de então, com formas mais modernas de poesia (medida nova), em oposição às quais é incluída na medida velha.
          Manifesta-se usualmente através de poemas de versos curtos, onde o(s) verso(s) inicial(is) que constitui(em) o mote, fornece(m) o tema e/ou assunto a ser desenvolvido no resto da composição que, intitulada glosa, volta ou desenvolvimento, deve incorporar o mote em diferentes posições no interior das estrofes.
          Poemas compostos por mote e glosa sugerem um modo de produção poético ligado a comemorações: em tabernas ou salões, alguém fornece mote, como uma espécie de desafio. Cabe aos poetas demonstrarem seu talento, através do improviso que encadeia o mote, glosando-o.
          O poema com mote e glosa atravessa séculos e oceanos: em Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis), 1880), uma personagem, o Viegas, durante uma festa familiar, revive o antigo costume de pedir motes aos presentes e glosá-los.
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Bocage — Literatura Comentada, Seleção de textos, notas, estudos biográfico e crítico por Marisa Lajolo e Estudo histórico por Ricardo Maranhão, 2ª edição, 1988, Editora Nova Cultural Ltda., São Paulo — SP; Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765 1805), nascido em Setúbal Portugal, foi poeta representante do arcadismo lusitano; segue para Lisboa (1783), se alista na marinha de guerra, passa a participar da vida boêmia da cidade, e, após, parte para Goa, colônia portuguesa na Índia (1786), depois segue para Damão, outra colônia naquele país, daí seguindo para Macau, possessão portuguesa na China, retornando então para Portugal (1790); Bocage escrevia desde a mais tenra idade, e, ao publicar sua primeira obra, Rimas (1791), foi convidado a participar da academia de belas artes Nova Arcádia e adotou o pseudônimo de Elmano Sadino (Elmano anagrama de Manoel, e Sadino homenagem ao Rio Sado, que banha Setúbal, sua cidade natal); em 1797, acusado de heresia e de levar vida devassa, o poeta foi encarcerado e, após passar por diversas prisões, hospícios e conventos, foi libertado no último dia de 1798; publicou mais duas novas séries de poesias, as quais também deu o nome de Rimas (1799 e 1804); outros escritos: A Morte de D. Ignez, Improvisos de Bocage, Mágoas Amorosas de Elmano, Queixumes do Pastor Elmano Contra a Falsidade da Pastora Urselina, ...

terça-feira, 25 de abril de 2023

Bocage: Qual novo Orestes entre as Fúrias brada, . . . [soneto]


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Contradições do ateísmo

Qual novo Orestes entre as Fúrias brada,
Infeliz, que não crês no Onipotente,
Com sistema sacrílego desmente
A razão luminosa, a fé sagrada:

Tua bárbara voz iguala ao nada
O que em todas as coisas tens presente;
Basta que o sábio, o justo, o pio, o crente
Louve a mão, contra os maus do raio armada.

Mas vê, blasfemo ateu, vê, monstro horrendo,
Que a bruta opinião, que cego expressas,
A si mesma se está contradizendo:

Pois quando de negar um Deus não cessas,
De tudo o inerte Acaso autor fazendo,
No Acaso, a teu pesar, um Deus confessas!

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Bocage — Sonetos Completos, Primeira Edição, Primeira Impressão, 1989, Editora Núcleo, São Paulo — SP; Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765 1805), nascido em Setúbal Portugal, foi poeta representante do arcadismo lusitano; ao ir para Lisboa (1783), depois de ter se alistado na marinha de guerra, passa a participar da vida boêmia da cidade, e, após, parte para Goa, colônia portuguesa na Índia (1786), depois segue para Damão, outra colônia naquele país, daí seguindo para Macau, possessão portuguesa na China, retornando então para Portugal (1790); Bocage escrevia desde a mais tenra idade, e, ao publicar sua primeira obra, Rimas (1791), foi convidado a participar da academia de belas artes Nova Arcádia e adotou o pseudônimo de Elmano Sadino (Elmano anagrama de Manoel, e Sadino homenagem ao Rio Sado, que banha Setúbal, sua cidade natal); em 1797, acusado de heresia e de levar vida devassa, o poeta foi encarcerado e, após passar por diversas prisões, hospícios e conventos, foi libertado no último dia de 1798; publicou mais duas novas séries de poesias, as quais também deu o nome de Rimas (1799 e 1804); outros escritos: A Morte de D. Ignez, Improvisos de Bocage, Mágoas Amorosas de Elmano, Queixumes do Pastor Elmano Contra a Falsidade da Pastora Urselina, ...

sábado, 15 de abril de 2023

Bocage: Que eu fosse enfim desgraçado / Escreveu do Fado a mão; . . . — mote (quadra)

 
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Mote (quadra):

Que eu fosse enfim desgraçado
Escreveu do Fado a mão;
Lei do Fado não se muda;
Triste do meu coração!

GLOSA:

Três vezes sobre meus lares
Vozeou, quando eu nascia,
Ave que aborrece o dia,
Que prevê cruéis azares:
Amor dividira os ares
De seus tormentos cercado;
À funda estância do Fado
O voo havia abatido;
E ambos tinham resolvido
Que eu fosse enfim desgraçado*.

Esse, que os primeiros ais
Vai soltar triste, e choroso,
Seja à Fortuna odioso,
Seja prezado aos mortais.
Dos mimos de Amor jamais
Desfrute a consolação;
Ame, porém ame em vão,
Ferva-lhe n’alma o ciúme
Isto no horrendo volume
Escreveu do Fado a mão.

Cresci, cresceram comigo
Meus danos, e num transporte
Curva maga a ler-me a sorte
Com roucas preces obrigo:
Eis que toma um livro antigo,
Abre, vê, folheia, estuda,
Té que me diz carrancuda:
“Nos caracteres que olhei
Fim ao teu mal não achei:
Lei do Fado não se muda.

Absorto, convulso, e frio,
Deixo de erriçada grenha
A Fúria em côncava penha
Seu lar medonho, e sombrio:
Debalde luto e porfio
Contra a Sorte desde então.
Céus! Não achar compaixão!
Céus! Amar sem ser amado!
Bárbara lei do meu fado!
Triste do meu coração!


* Nota de Marisa Lajolo, selecionadora de textos e estudos biográfico e crítico deste Bocage — Literatura Comentada: O último verso de cada estrofe (chamada décima por conter dez versos) é constituído, respectivamente, por cada um dos versos que perfazem a estrofe fornecida ao poeta como mote.
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Bocage — Literatura Comentada, Seleção de textos, notas, estudos biográfico e crítico por Marisa Lajolo e Estudo histórico por Ricardo Maranhão, 2ª edição, 1988, Editora Nova Cultural Ltda., São Paulo — SP; Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765 1805), nascido em Setúbal Portugal, foi poeta representante do arcadismo lusitano; segue para Lisboa (1783), se alista na marinha de guerra, passa a participar da vida boêmia da cidade, e, após, parte para Goa, colônia portuguesa na Índia (1786), depois segue para Damão, outra colônia naquele país, daí seguindo para Macau, possessão portuguesa na China, retornando então para Portugal (1790); Bocage escrevia desde a mais tenra idade, e, ao publicar sua primeira obra, Rimas (1791), foi convidado a participar da academia de belas artes Nova Arcádia e adotou o pseudônimo de Elmano Sadino (Elmano anagrama de Manoel, e Sadino homenagem ao Rio Sado, que banha Setúbal, sua cidade natal); em 1797, acusado de heresia e de levar vida devassa, o poeta foi encarcerado e, após passar por diversas prisões, hospícios e conventos, foi libertado no último dia de 1798; publicou mais duas novas séries de poesias, as quais também deu o nome de Rimas (1799 e 1804); outros escritos: A Morte de D. Ignez, Improvisos de Bocage, Mágoas Amorosas de Elmano, Queixumes do Pastor Elmano Contra a Falsidade da Pastora Urselina, ...

terça-feira, 21 de março de 2023

Bocage: epístola — Elmano a Josino

 
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Epístola*

Elmano a Josino1

Dans ces climats... tout est sourd à mes cris2
M.me du Bocage, Tragédie des Amazones. Ato IV, cena VI.

Josino, meu Josino, a cujo lado
Gozei de alegres, venturosos dias,
Enquanto o quis Amor e o quis o Fado;
Sócio meu, que ora atento e mudo ouvias
A minha branda lira maviosa,
Ora a seus ternos sons teu canto unias;
Tu, que da linda Márcia carinhosa
Inflamas com mil ósculos ardentes
As faces cor de neve e cor‑de‑rosa;
Tu, que no ingénuo peito não consentes
O vício, que por lei da Natureza
Mancha e corrompe os corações ausentes;
Tu, que adorando as aras da Beleza,
Tributas nos altares da Amizade
Puros incensos, exemplar firmeza;
Tu, que desta alma ocupas a metade,
Ouve o trémulo som, com que suspira
Dentro dela a tristíssima Saudade.
Desde que a existência expus à ira
Do fero mar3, meu peito não sossega,
Meu pensamento esfalfa‑se, delira.
Indomável paixão, que a todos cega,
De teus conselhos falta, honrado amigo,
À desesperação minha alma entrega.
Louco fui, não pensei (mil vezes digo)
Que em horas se trocassem de tormento
Horas tão doces, que passei contigo;
Fiei‑me de um fugaz contentamento,
Devendo conhecer que os bens do mundo
São qual o sutil pó, que espalha o vento;
Por isso agora, aflito e vagabundo,
Estranho tanto o mal; por isso agora
De lágrimas sem fim meu rosto inundo;
Por isso, na paixão que me devora,
Invoco a muda paz da sepultura,
Da suspirada morte a feliz hora.
Míseros gostos! Mísera ternura!
Que sempre, injusto Amor, teus servos tenham
Queixumes que formar contra a ventura!
Uns, adorando ingratas que os desdenham,
Tarde no escuro abismo, em que descansa
O desengano horrível, se despenham;
Outros, chorando a pérfida mudança
De uma alma desleal, enfurecidos
Co’a morte arrostam, que no Inferno os lança;
Outros, enfim, como eu, correspondidos,
Depois, em longa ausência amarga e crua,
Arrancam das entranhas mil gemidos.
Tal, fraudulento Amor, é a lei tua,
Lei que o Fado aprovou para que a Terra
A si mesma se estrague e se destrua.
Ah Josino fiel! Que horror faz guerra
Aos tristes olhos meus nestes lugares,
Onde me pôs a Sorte, onde me encerra!
Sem medo à fúria dos terríveis mares,
Vim do culto, benéfico Ocidente
Viver com tigres, habitar palmares:
Aqui tórrida zona abafa a gente,
Ferve o clima, arde o ar, e eu não sinto,
Que tu, fogo de Amor, és mais ardente;
Aqui vago em perpétuo labirinto
Sempre em risco de ver maligno braço
No próprio sangue meu banhado e tinto.
Mas caso dos perigos eu não faço,
E que posso temer, quando procuro
Rasgar da frágil vida o tênue laço?
Enche‑me, sim, de horror o culto impuro
Ídolos vãos, sacrílegos altares,
Vis cerimônias deste povo escuro.
Eterno Deus! Não longe de teus lares
Tépida nuvem de maldito incenso,
Dado ao negro Satã, perturba os ares.
Que tolerância tens, Monarca imenso!
Por mais crimes, Senhor, que o mundo faça,
Tudo releva teu Amor intenso.
Desce, ah desce dos Céus, potente graça,
Difunde a santa luz, a santa crença
Pelos cegos mortais que o erro enlaça!
Volto, Josino, a ti. Letal doença
Do Báratro surgiu, veio intimar‑me
A antiga, universal, cruel sentença;
Negras fauces abriu para tragar‑me;
Porém cedeu, rugindo, à voz divina,
Que a vida, a meu pesar, quis conservar‑me.
Eis que pérfida mão cabal ruína4
(Sepultando o dever no esquecimento)
A todos nos prepara e nos destina.
Rasgado o peito co’um punhal cruento,
Ia baixar o teu choroso amigo,
Qual vítima inocente, ao monumento:
Uma alma infame, um bárbaro inimigo
Da fé, das leis, do trono, um desumano,
Merecedor de eterno, de infernal castigo,
Tendo embebido seu furor insano
Na falsa gente brâmane inquieta,
Que amaldiçoa o jugo lusitano,
Contra nós apontava a mortal seta.
Mas estorvou o inevitável tiro
A mão divina, poderosa e reta.
Desenvolveu‑se o crime, inda respiro,
E já destes, ó réus de atroz maldade,
Em vis teatros o final suspiro5.
Eis, amigo, a recente novidade,
Que da remota Goa ao Tejo envio
Nas murchas, débeis asas da Saudade.
A quem tem da tua alma o senhorio,
Of ’reço numa férvida lembrança
Provas do afeto, em que jamais esfrio.
Dize à minha dulcíssima esperança,
À suave prisão desta alma aflita,
Que no meu coração não há mudança;
Que estou gemendo aqui, bem como grita
Pelo perdido, alígero consorte
Viúva rola, que a floresta habita;
Que é a minha paixão tão forte,
Que há-de na escuridão da sepultura
Volver‑me as cinzas, superior à morte;
E que espero, apesar da ausência dura,
Por milagre de Amor, que os meus gemidos,
Voando aos lares seus, aos seus ouvidos,
Lhe vão justificar minha ternura.


Registro e Notas de Marisa Lajolo, selecionadora de textos e estudos biográfico e crítico deste Bocage — Literatura Comentada:
* Epístola — A epístola é uma composição poética que mimetiza, em versos, a situação de produção de uma carta. Deve mencionar, obrigatoriamente, o remetente e o destinatário, aparecendo este, geralmente, na função de vocativo, no início do texto.
          Identificada, assim, por traços formais, a epistola costuma configurar um poema longo, que permite a exposição de um determinado ponto de vista. [...]
1. Na menção explícita a um remetente (Elmano, pseudônimo de Bocage) e a um destinatário (Josino) temos os elementos que permitem reconhecer este texto como uma epístola.
2. A epígrafe em francês, retirada da Tragédia das Amazonas, diz: “Nesses climas... tudo é surdo aos meus gritos”. Madame du Bocage é provavelmente uma tia materna do poeta.
3. Estes versos, em que Bocage fala de sua viagem, nos permitem classificar esta epístola como um documento de sua vida no ultramar, provavelmente em Goa.
4. Bocage, aqui, narra a seu amigo Josino uma tentativa do povo de Goa de libertar-se do jugo português. Trata-se, provavelmente, da Conjuração dos Pintos, cujos líderes foram condenados à morte, com exceção de padre Faria, que conseguiu fugir para a França.
5. Bocage alude aqui à execução dos conjurados.
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Bocage — Literatura Comentada, Seleção de textos, notas, estudos biográfico e crítico por Marisa Lajolo e Estudo histórico por Ricardo Maranhão, 2ª edição, 1988, Editora Nova Cultural Ltda., São Paulo — SP; Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765 1805), nascido em Setúbal Portugal, foi poeta representante do arcadismo lusitano; segue para Lisboa (1783), se alista na marinha de guerra, passa a participar da vida boêmia da cidade, e, após, parte para Goa, colônia portuguesa na Índia (1786), depois segue para Damão, outra colônia naquele país, daí seguindo para Macau, possessão portuguesa na China, retornando então para Portugal (1790); Bocage escrevia desde a mais tenra idade, e, ao publicar sua primeira obra, Rimas (1791), foi convidado a participar da academia de belas artes Nova Arcádia e adotou o pseudônimo de Elmano Sadino (Elmano anagrama de Manoel, e Sadino homenagem ao Rio Sado, que banha Setúbal, sua cidade natal); em 1797, acusado de heresia e de levar vida devassa, o poeta foi encarcerado e, após passar por diversas prisões, hospícios e conventos, foi libertado no último dia de 1798; publicou mais duas novas séries de poesias, as quais também deu o nome de Rimas (1799 e 1804); outros escritos: A Morte de D. Ignez, Improvisos de Bocage, Mágoas Amorosas de Elmano, Queixumes do Pastor Elmano Contra a Falsidade da Pastora Urselina, ...

quinta-feira, 16 de março de 2023

Bocage: Contra Elmano Sadino urrando avança . . . & outros sonetos

 
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Aos sócios da Nova Arcádia

Vós, ó Franças, Semedos, Quintanilhas,
Macedos, e outras pestes condenadas
Vós, de cujas buzinas penduradas
Tremem de Jove as melindrosas filhas;

Vós, néscios, que mamais das vis quadrilhas
Do baixo vulgo insossas gargalhadas,
Por versos maus, por trovas aleijadas,
De que engenhais as vossas maravilhas:

Deixai Elmano, que inocente e honrado
Nunca de vós se lembra, meditando
Em coisas sérias, de mais alto estado:

E se quereis, os olhos alongando,
Ei-lo! Vede-o no Pindo recostado,
De perna erguida sobre vós... [mijando]!

— o —

Aos mesmos [da Nova Arcádia]

De insípida sessão no inútil dia
Juntou-se do Parnaso a galegagem;
Em frase hirsuta, em gótica linguagem
Belmiro um ditirambo principia:

Taful, que o português não lhe entendia;
Nem ao resto da cômica salsage,
Saca o soneto que lhe fez Bocage,
E conheceu-se nele a Academia:

Dos sócios o pior salvou qual cobra,
Desatou-se em trovões, desfez-se em raios,
Dando ao triste Bocage o que lhe sobra:

Fez na calúnia vil cruéis ensaios,
E jaz com grandes créditos a obra
Entre mãos de marujos, e lacaios.

— o —

Aos mesmos [da Nova Arcádia]

Contra Elmano Sadino urrando avança
O estéril Córidon, o vão Belmiro,
Bernardo, o Nênias, lúgubre vampiro,
Que do extinto Miguel possui a herança;

O curto Quintanilha, o torpe França,
O tonsurado retumbante Elmiro,
Vibram tiros ao vate, e é cada tiro
Mais frouxo, que pedrada de criança:

Elmano solta um..., eis foge tudo;
Eis os sócios ganindo ao som do traque,
Quais do funil apenso os cães no entrudo:

Mas se inda a corja renovar o ataque,
Bocage que fará? Pôr-se de escudo,
Perder doze vinténs num Almanaque.

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Bocage — Sonetos Completos, Primeira Edição, Primeira Impressão, 1989, Editora Núcleo, São Paulo — SP; Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765 1805), nascido em Setúbal Portugal, foi poeta representante do arcadismo lusitano; ao ir para Lisboa (1783), depois de ter se alistado na marinha de guerra, passa a participar da vida boêmia da cidade, e, após, parte para Goa, colônia portuguesa na Índia (1786), depois segue para Damão, outra colônia naquele país, daí seguindo para Macau, possessão portuguesa na China, retornando então para Portugal (1790); Bocage escrevia desde a mais tenra idade, e, ao publicar sua primeira obra, Rimas (1791), foi convidado a participar da academia de belas artes Nova Arcádia e adotou o pseudônimo de Elmano Sadino (Elmano anagrama de Manoel, e Sadino homenagem ao Rio Sado, que banha Setúbal, sua cidade natal); em 1797, acusado de heresia e de levar vida devassa, o poeta foi encarcerado e, após passar por diversas prisões, hospícios e conventos, foi libertado no último dia de 1798; publicou mais duas novas séries de poesias, as quais também deu o nome de Rimas (1799 e 1804); outros escritos: A Morte de D. Ignez, Improvisos de Bocage, Mágoas Amorosas de Elmano, Queixumes do Pastor Elmano Contra a Falsidade da Pastora Urselina, ...