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quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Gonçalves Dias: Marabá*

 
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Eu vivo sozinha; ninguém me procura!
          Acaso feitura1
          Não sou de Tupã!
Se algum dentre os homens de mim não esconde:
Se algum dentre os homens de mim não se esconde,
          — “Tu és”, me responde,
          — “Tu és Marabá!”

Meus olhos são garços2, são cor das safiras3,
Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar;
Imitam as nuvens de um céu anilado4,
As cores imitam das vagas do mar!

Se algum dos guerreiros não foge a meus passos:
          "Teus olhos são garços”,
Responde anojado5; "mas és Marabá:
"Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes,
          "Uns olhos fulgentes,
"Bem pretos, retintos, não cor d'anajá6!"

É alvo meu rosto da alvura dos lírios,
Da cor das areias batidas do mar;
As aves mais brancas, as conchas mais puras
Não têm mais alvura, não têm mais brilhar.

Se ainda me escuta meus agros7 delírios:
          — "És alva de lírios",
Sorrindo responde; "mas és Marabá:
"Quero antes um rosto de jambo corado,
          "Um rosto crestado8
"Do sol do deserto, não flor de cajá."

Meu colo de leve se encurva engraçado9,
Como hástea10 pendente do cáctus em flor;
Mimosa, indolente, resvalo11 no prado,
Como um soluçado suspiro de amor!

"Eu amo a estatura flexível, ligeira,
          "Qual duma palmeira”,
Então me respondem; "tu és Marabá:
"Quero antes o colo da ema orgulhosa,
          Que pisa vaidosa,
"Que as flóreas campinas governa, onde está."

Meus loiros cabelos em ondas se anelam,
O oiro mais puro não tem seu fulgor;
As brisas nos bosques de os ver se enamoram
De os ver tão formosos como um beija-flor12!

Mas eles respondem: "Teus longos cabelos,
          "São loiros, são belos,
"Mas são anelados13; tu és Marabá:
"Quero antes cabelos, bem lisos, corridos,
          "Cabelos compridos,
"Não cor d'oiro fino, nem cor d'anajá."

E as doces palavras que eu tinha cá dentro
          A quem nas direi?
O ramo d'acácia na fronte de um homem
Jamais cingirei14:

Jamais um guerreiro da minha arazóia15
Me desprenderá:
Eu vivo sozinha, chorando mesquinha,
Que sou Marabá!

Últimos Cantos (1851). [da série Poesias Americanas]


Notas dos organizadores:
* Como esclarece o poeta em nota a seu livro, a Crônica da Companhia de Vasconcelos (L. 3, nº 27) forneceu o significado do termo “marabá”, assim como a história de um menino que fora enterrado vivo, logo após o nascimento, por ser resultado da mistura de raças. Poemas em versos endecassílabos e de pentassílabos (redondilha menor);
1. Criatura;
2. Esverdeado ou verde-azulado;
3. Pedras azuladas;
4. Azulado;
5. Enojado, desgostoso;
6. Espécie de palmeira que pode chegar aos vinte metros de altura;
7. Magoados;
8. Bronzeado, queimado;
9. Usado com o sentido de gracioso;
10. Caule;
11. Caio levemente;
12. Nota do autor: “Os indígenas chamavam ao beija-flor Coaracy-aba — raios, ou mais literalmente, cabelos de sol.”;
13. Encaracolados;
14. Prenderei dando a volta;
15. Saiote feito de penas, usados pelas mulheres indígenas.
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Antologia da Poesia Romântica Brasileira (diversos poetas), Organização, Seleção, Notas e Prefácio de Pablo Simpson, Pedro Marques e Cristiane Escolastico Siniscalchi, e Apresentação de Paulo Franchetti, 2008, 1ª edição, Lazuli Editora e Companhia Editora Nacional, São Paulo — SP; Antônio Gonçalves Dias (1823 1864), maranhense nascido em Caxias, advogado de formação, foi poeta, etnógrafo e jornalista; iniciando seus estudos em Latim, Francês e Filosofia em escola particular no Brasil, partiu para a Europa, concluiu seus estudos secundários no Colégio das Artes, em Coimbra Portugal, e bacharelou-se na Faculdade de Direito, também em Coimbra; teve presença nos meios literários e na imprensa, lá e cá; no Brasil, juntamente com José de Alencar, desenvolveu o Indianismo, uma sua marca na literatura brasileira; em 1849, no Rio de Janeiro, foi cofundador da revista Guanabara, ao lado de Joaquim Manoel de Macedo e Araújo Porto-Alegre; em 1862, viajou outra vez à Europa, agora para buscar tratamento para seus pulmões e lá permaneceu por dois anos; em 1864, já desenganado, na viagem de volta ao Brasil, o vapor que o trazia afundou na costa maranhense, com a marinhagem tratando de se salvar e esqueceram o poeta, que morreu afogado em sua cabine de doente e foi a única vítima do naufrágio; algumas de suas obras: Primeiros Cantos (Laemmert, Rio de Janeiro RJ, 1846), Segundos Cantos (Ferreira Monteiro, Rio de Janeiro RJ, 1848), Últimos Cantos (Paula Brito, Rio de Janeiro RJ, 1851), Cantos (todos os cantos anteriores e mais 16 novas composições sob o título de "Novos Cantos", Brockhaus, Leipzig, Alemanha, 1857), Dicionário da Língua Tupi (Brockhaus, Leipzig, Alemanha, 1858), etc.

quarta-feira, 1 de março de 2023

Gonçalves Dias: Baixel veloz, que ao úmido elemento . . . [soneto]


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Baixel veloz, que ao úmido elemento
a voz do nauta experto afoito entrega,
demora o curso teu, perto navega
da terra onde me fica o pensamento!

Enquanto vais cortando o salso argento,
desta praia feliz não se desprega
(meus olhos, não, que amargo pranto os rega)
minha alma, sim, e o amor que é meu tormento.

Baixel, que vais fugindo despiedado,
sem temor dos contrastes da procela,
volta ao menos, qual vais tão apressado.

Encontre-a eu gentil, mimosa e bela!
E o pranto que ora verto amargurado,
possa eu verter então nos lábios dela!

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60 Poetas Trágicos — Organização, seleção, nota de apresentação e traços biobibliográficos de Sergio Faraco, 2016, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; Antônio Gonçalves Dias (1823 1864), maranhense nascido em Caxias, advogado de formação, foi poeta, etnógrafo e jornalista; iniciando seus estudos em Latim, Francês e Filosofia em escola particular no Brasil, partiu para a Europa, concluiu seus estudos secundários e bacharelou-se na Faculdade de Direito de Coimbra, Portugal (1840); teve presença nos meios literários e na imprensa, lá e cá; no Brasil, juntamente com José de Alencar, desenvolveu o Indianismo, uma sua marca na literatura brasileira; em 1862, viajou outra vez à Europa, agora para buscar tratamento para seus pulmões e lá permaneceu por dois anos; em 1864, já desenganado, na viagem de volta ao Brasil, o vapor que o trazia afundou na costa maranhense, com a marinhagem tratando de se salvar e esqueceram o poeta, que morreu afogado em sua cabine de doente e foi a única vítima do naufrágio; algumas de suas obras: Primeiros Cantos (Laemmert, Rio de Janeiro RJ, 1846), Segundos Cantos (Ferreira Monteiro, Rio de Janeiro RJ, 1848), Últimos Cantos (Paula Brito, Rio de Janeiro RJ, 1851), Cantos (todos os cantos anteriores e mais 16 novas composições sob o título de "Novos Cantos", Brockhaus, Leipzig, Alemanha, 1857), Dicionário da Língua Tupi (Brockhaus, Leipzig, Alemanha, 1858), etc.

sábado, 14 de dezembro de 2019

Oswald de Andrade: Canto do regresso à pátria

Resultado de imagem para Poesia Brasileira para a Infância Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito
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Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá

Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.

Resultado de imagem para oswald de andrade caricatura
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Poesia Brasileira para a Infância (diversos autores), Seleção, Organização e Texto/Apresentação de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, Coleção Henriqueta 1, 3ª edição revista, 1968, Edição Saraiva, São Paulo — SP; José Oswald de Sousa Andrade (1890 1954), paulista e paulistano, bacharel em Humanidades e em Direito, foi jornalista, redator, poeta, dramaturgo, escritor, crítico teatral, e um dos expoentes do Modernismo e da Semana de Arte Moderna de 1922 levada a efeito no Teatro Municipal de São Paulo; iniciou-se no jornalismo como redator e crítico teatral do Diário Popular, fez parte do grupo da revista Klaxon (1922 a 1923) e da Revista de Antropofagia (1928 a 1929); colaborou e publicou seus textos em diversos periódicos de sua época: revista A Cigarra, A Vida Moderna, Jornal do Comércio, O Jornal, A Gazeta, Correio Paulistano, Revista do Brasil, Diário de São Paulo, Correio da Manhã, entre outros, e fundou a revista O Pirralho, e, depois, Papel e Tinta, Terra Roxa, juntamente com outros modernistas; percurso literário: revista O Pirralho (humor em português macarrônico, 1912 1917), A recusa (teatro, 1913), Théâtre Brésilien — Mon coeur balance e Leur Âme (com Guilherme de Almeida, 1916), A trilogia do Exílio: I — Os Condenados, II — A estrela de absinto, III — A escada vermelha (romances, de 1922 1934), Memórias sentimentais de João Miramar (romance, 1924), Pau-Brasil (poesia, 1925), Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade (1927), Serafim Ponte Grande (romance, 1933), O homem e o cavalo (teatro, 1934), O rei da vela (teatro, 1937), Marco Zero: I — A revolução melancólica, II — Chão (romances, ambos em 1943), Cântico dos Cânticos para flauta e violão (1945), O escaravelho de ouro (1946), além de manifestos e conferências, e outros textos em verso e prosa e para teatro; de família abastada, Oswald viveu entre o Brasil e a Europa, onde transitou por diversos países.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Cacaso: Jogos florais

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I

Minha terra tem palmeiras
onde canta o tico-tico
Enquanto isso o sabiá
vive comendo o meu fubá.

Ficou moderno o Brasil
ficou moderno o milagre:
a água já não vira vinho
vira direto vinagre

II

Minha terra tem Palmares
memória cala-te já.
Peço licença poética 
Belém capital Pará.

Bem, meus prezados senhores
dado o avanço da hora
errata e efeitos do vinho
o poeta sai de fininho.

(será mesmo com 2 esses
que se escreve paçarinho?)

Resultado de imagem para cacaso jogos florais
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50 poemas de revolta (vários autores), 2017, 1ª edição, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Cacaso, ou Antônio Carlos Ferreira de Brito (1944  1987), mineiro de Uberaba, foi poeta, letrista, ensaísta e professor, tendo sido um dos expoentes representantes da geração mimeógrafo e participante da “poesia marginal” que vieram à luz no mundo literário na década de 70, uma época de censura e de ditadura política; na música foi letrista/parceiro de Elton Medeiros, Mauricio Tapajós, Edu Lobo, Tom Jobim, Sueli Costa, Joyce, Francis Hime, Sivuca, João Donato, entre outros muitos da música popular brasileira; estudou Filosofia e lecionou Teoria Literária na PUCRJ; publicou A palavra cerzida (1967), Grupo escolar (1974), Beijo na boca (1975), Segunda classe (1975), Na corda bamba (1978), Mar de Mineiro (1982) e Beijo na boca e outros poemas (antologia, 1985); teve sua obra poética recolhida postumamente no volume Lero-Lero (2002) e seus artigos reunidos no livro Não quero prosa (1997).

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Gonçalves Dias: Não me deixes!


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Debruçada nas águas dum regato
        A flor dizia em vão
À corrente, onde bela se mirava:
        "Ai, não me deixes, não!

"Comigo fica ou leva-me contigo
        "Dos mares à amplidão;
"Límpido ou turvo, te amarei constante;
        "Mas não me deixes, não!"

E a corrente passava; novas águas
        Após as outras vão;
E a flor sempre a dizer curva na fonte:
        "Ai, não me deixes, não!"

E das águas que fogem incessantes
        À eterna sucessão
Dizia sempre a flor, e sempre embalde:
        "Ai, não me deixes, não!"

Por fim desfalecida e a cor murchada,
        Quase a lamber o chão,
Buscava inda a corrente por dizer-lhe
        Que a não deixasse, não.

A corrente impiedosa a flor enleia,
        Leva-a do seu torrão;
A afundar-se dizia a pobrezinha:
        "Não me deixaste, não!"
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Poemas — Gonçalves Dias — Seleção, Introdução e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos, (Biblioteca Folha, Livro 15), 1997, Ediouro Publicações, Rio de Janeiro — RJ; Antônio Gonçalves Dias (1823 —1864), maranhense nascido em Caxias, advogado de formação, foi poeta, etnógrafo e jornalista; iniciando seus estudos em Latim, Francês e Filosofia em escola particular, no Brasil, partiu para a Europa, concluiu seus estudos secundários e bacharelou-se na Faculdade de Direito de Coimbra, Portugal (1840); teve presença nos meios literários e na imprensa, lá e cá; no Brasil, juntamente com José de Alencar, desenvolveu o Indianismo, uma sua marca na literatura brasileira; algumas de suas obras: Primeiros Cantos (1846, Laemmert, Rio de Janeiro  RJ), Segundos Cantos (1848, Ferreira Monteiro, Rio de Janeiro  RJ), Últimos Cantos (1851, Paula Brito, Rio de Janeiro  RJ), Cantos (todos os cantos anteriores e mais 16 novas composições sob o título de "Novos Cantos", Brockhaus, Leipzig, Alemanha), Dicionário da Língua Tupi (1858, Brockhaus, Leipzig, Alemanha) etc.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Gonçalves Dias: Soneto (Pensas tu, bela Anarda, que os poetas...)


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Pensas tu, bela Anarda, que os poetas*
Vivem d'ar, de perfumes, d'ambrosia?
Que vagando por mares d'harmonia
São melhores que as próprias borboletas?

Não creias que eles sejam tão patetas,
Isso é bom, muito bom mas em poesia,
São contos com que a velha o sono cria
No menino que engorda a comer petas!

Talvez mesmo que algum desses brejeiros
Te diga que assim é, que os dessa gente
Não são lá dos heróis mais verdadeiros.

Eu que sou pecador, que indiferente
Não me julgo ao que toca aos meus parceiros,
Julgo um beijo sem fim cousa excelente.


Rio de Janeiro — 1848.



Nota do Selecionador: Gonçalves Dias cultivou por vezes a Musa jocosa, mas esse não foi o seu forte. O presente soneto, com seu comedido humor, não desdoura a obra do Poeta.
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Poema Gonçalves Dias  Seleção, Introdução e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos, (Biblioteca Folha, Livro 15), 1997, Ediouro Publicações, Rio de Janeiro — RJ; Antônio Gonçalves Dias (1823 1864), maranhense nascido em Caxias, advogado de formação, foi poeta, etnógrafo e jornalista; iniciando seus estudos em Latim, Francês e Filosofia em escola particular, no Brasil, partiu para a Europa, concluiu seus estudos secundários e bacharelou-se na Faculdade de Direito de Coimbra, Portugal (1840); teve presença nos meios literários e na imprensa, lá e cá; no Brasil, juntamente com José de Alencar, desenvolveu o Indianismo, uma sua marca na literatura brasileira; algumas de suas obras: Primeiros Cantos (1846, Laemmert, Rio de Janeiro  RJ), Segundos Cantos (1848, Ferreira Monteiro, Rio de Janeiro  RJ), Últimos Cantos (1851, Paula Brito, Rio de Janeiro  RJ), Cantos (todos os cantos anteriores e mais 16 novas composições sob o título de "Novos Cantos", Brockhaus, Leipzig, Alemanha), Dicionário da Língua Tupi  (1858, Brockhaus, Leipzig, Alemanha) etc.

domingo, 7 de novembro de 2010

Barão de Itararé: Gansong ta Allemong (Parrong ta Idarrarré)



(Dratuksong te o "Gansong ta Ekcilio" ta pracillera Konsalfes Ties)

O meu déra deng serfecha
Gue a chende pébe à fondade!
O servecha ta Pracil
Nong está to mesmo gwalitade.

Nosas parils estong mais crandes,
Nosos karafes estong "tip-top",
Nosas gopas estong mais fines,
E mais costosa a nosa chopp!...

Pebendo serfecha allemong,
Mais bracêr a chende deng!
Se a chende pébe ung karafa,
Logo guer pebê mais ceng!...

O meu déra deng serfecha
Gome nong deng odre nasong!
Gwande se pébe uma paril,
A chende guer mais ung borsong!
O meu déra denge serfecha
Gue está, mesma, muide pong!...

Eu béde bra a senhor Hitler
Te nong texá eu morê
Andes gue fólda bra lá;
Andes gue eu bóde pebê
Serfecha indé arependá!
Ou endra numa donnel
e pebê indé me afoká!!!

ALEX FRANCK
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Zubblemend to Alle...Manha - Barão de Itararé, Introdução, Estabelecimento de Texto, Seleção e Notas de Carlos Eduardo Schmidt Capela e Ana Carina Baron Engerroff, Editora UFPR, 2006, Curitiba - PR. (Ano XIX - n° 10 - Rio de Janeiro, 28/06/1945, p. 11). Alex Franck, suponho, parece ter sido um dos muitos pseudônimos de Fernando Apparicio Brinkerhoff Torelly (1895 - 1971), o nosso Parrong ta Idarrarré, na transcrição macarrônica do alemão.

Gonçalves Dias: Canção do Exílio

(Kennst du das Land, wo die Citronen blühm,
Im dukeln Laub die Gold-Oragen glühm,
Kennst du es wohl? - Dahin, dahin!
Möcht'ich... ziehen.) Goethe



Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorgeiam,
Não gorgeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

1 - (Conheces a Terra onde os limoeiros florescem / Na folhagem escura, as laranjas douradas brilham / Será que a conheces? - Para lá, para lá / Que eu quero ir.)
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Clássicos da Poesia Brasileira - Antologia da Poesia Brasileira Anterior ao Modernismo - Coletânea 18 - Seleção e Organização de Frederico Barbosa - O Globo/Klick Editora - 1997 - São Paulo - SP; Gonçalves Dias (1823 - 1864), maranhense, foi poeta.