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sexta-feira, 28 de julho de 2023

Friedrich Nietzsche: 1. “A ociosidade é a mãe de toda psicologia.”* Como? A psicologia seria — um vício? & outros aforismos


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[traduzido por Paulo César de Souza]

Máximas e Flechas

     1. “A ociosidade é a mãe de toda psicologia.”* Como? A psicologia seria um vício?
     7. Como? O ser humano é apenas um equívoco de Deus? Ou Deus apenas um equívoco do ser humano?
     18. Quem sabe pôr sua vontade nas coisas lhes põe ao menos um sentido: isto é, acredita que nelas já se encontra uma vontade (princípio da “fé”).
     21. Colocar-se apenas em situações em que não se pode ter virtudes aparentes, em que, como o funâmbulo sobre uma corda, ou se cai ou se fica em pé ou se escapa...
     29. “Quanto tinha de remorder a consciência antigamente! Que bons dentes tinha!** E hoje? O que lhe falta?” Pergunta de um dentista.
     34. On ne peut penser et écrire qu’assis [Não se pode pensar e escrever senão sentado] (G. Flaubert). Com isso te pego, niilista! A vida sedentária*** é justamente o pecado contra o santo espírito. Apenas os pensamentos andados têm valor.
     44. A fórmula de minha felicidade: um sim, um não, uma linha reta, uma meta...

Friedrich Nietzsche

Sprüche und Pfeile

     1 Müßiggang ist aller Psychologie Anfang. Wie? Wäre Psychologie ein Laster?
     7 Wie? ist der Mensch nur ein Fehlgriff Gottes? Oder Gott nur ein Fehlgriff des Menschen?
     18 Wer seinen Willen nicht in die Dinge zu legen weiß, der legt wenigstens einen Sinn noch hinein: das heißt, er glaubt, daß ein Wille bereits darin sei (Prinzip des »Glaubens«).
     21 Sich in lauter Lagen begeben, wo man keine Scheintugenden haben darf, wo man vielmehr, wie der Seiltänzer auf seinem Seile, entweder stürzt oder steht oder davon kommt...
     29 »Wie viel hatte ehemals das Gewissen zu beißen! welche guten Zähne hatte es! Und heute? woran fehlt es?« Frage eines Zahnarztes.
     34 On ne peut penser et écrire qu'assis (G. Flaubert). Damit habe ich dich, Nihilist! Das Sitzfleisch ist gerade die Sünde wider den heiligen Geist. Nur die ergangenen Gedanken haben Wert.
     44 Formel meines Glücks: ein Ja, ein Nein, eine gerade Linie, ein Ziel...

Notas do tradutor Paulo César de Souza:
* “A ociosidade é a mãe de toda psicologia”: a tradução literal seria “o começo de toda psicologia”, pois a frase é uma paródia do provérbio que diz: “Müßiggang ist aller Last Anfang. “A ociosidade é o começo de todos os vícios”.
** A palavra para “remorso”, em alemão, é Gewissenshiß, literalmente “mordida de consciência” — morsus conscientae, em latim. Ver Genealogia da moral, II, 15, sobre Spinoza e o morsus conscientae.
*** “A vida sedentária”: Das Sitzfleisch, no original. Nas versões consultadas: “A carne sentada”, “A pachorra”, La carne del trasero, Lo star seduti, Rester assis, The sedentary life, Assiduity, Sitting still, cf. Ecce homo, II, 1, e nota correspondente. A frase do romancista Gustave Flaubert (1821-60) foi relatada por Guy de Maupassant no prefácio às cartas de Flaubert a George Sand (Paris, 1884, vol. III, volume encontrado entre os livros de Nietzsche quando este morreu).
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Crepúsculo dos ídolos, ou Como se filosofa com o martelo — Friedrich Nietzsche, Tradução, Notas e Posfácio de Paulo César de Souza, 2006, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 1900), nascido em Röcken, Província da Saxônia, Prússia, atual Alemanha, foi filósofo, filólogo, crítico cultural, professor, poeta e compositor; estudou na Universidade de Bonn, transferiu-se para a Universidade de Leipzig e foi professor de Filologia Clássica na Universidade de Basiléia, Suiça; escreveu e publicou O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música (Die Geburt der Tragödie aus dem Geiste der Musik, 1872), A Filosofia na Idade Trágica dos Gregos (textos que remontam a 1873, publicados postumamente), David Strauss, o Confessor e o Escritor (David Strauß. Der Bekenner und der Schriftsteller, 1873), Humano, Demasiado Humano, um Livro para Espíritos Livres (Menschliches, Allzumenschliches, primeira parte originalmente publicada em 1878 e versão final publicada em 1886), Schopenhauer como Educador (Shopenhauer als Erzieher, 1874), Richard Wagner em Bayreuth (1876), Aurora, Reflexões sobre Preconceitos Morais (Morgenröte. Gedanken über die moralischen Vorurteile, 1881), A Gaia Ciência (Die fröliche Wissenschaft, 1882), Assim Falou Zaratustra, um Livro para Todos e para Ninguém (Also sprach Zarathustra, 1883 1885), Além do Bem e do Mal, Prelúdio para uma Filosofia do Futuro (Jenseits von Gut und Böse, 1886), Genealogia da Moral, uma Polêmica (Zur Genealogie der Moral, 1887), O Crepúsculo dos Ídolos, ou Como Filosofar com o Martelo (Götzen Dämmerung, 1888), O Caso Wagner, um Problema para Músicos (1888), O Anticristo — Praga contra o Cristianismo (Der Antichrist, 1888), Ecce Homo, de como a gente se torna o que a gente é (Ecce Homo, 1888) e outros títulos; Nietzsche tem suas obras editadas, reeditadas e traduzidas pelo mundo afora; o pensador tem sido rotineiramente estudado nos cursos de Filosofia.

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Friedrich Nietzsche: 26. Desconfio de todos os sistematizadores e os evito. A vontade de sistema é uma falta de retidão. & outros aforismos

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[traduzido por Paulo César de Souza]

Máximas e Flechas

     3. Para viver só, é preciso ser um bicho ou um homem  diz Aristóteles.” Falta o terceiro caso: é preciso ser as duas coisas filósofo...
     15. Homens póstumos eu, por exemplo são menos compreendidos do que os temporâneos,* mas mais ouvidos. Mais precisamente: não somos jamais compreendidos daí nossa autoridade...
     26. Desconfio de todos os sistematizadores e os evito. A vontade de sistema é uma falta de retidão.
     37. Você corre à frente? Faz isso como pastor? Ou como exceção? Um terceiro caso seria desertor... Primeira questão de consciência.
     38. Você é genuíno? ou apenas um ator? Um representante? ou o que é representado? Enfim, não passa da imitação de um ator... Segunda questão de consciência.
     40. Você é alguém que olha? Ou que põe mãos à obra? ou que desvia o olhar, põe-se de lado?... Terceira questão de consciência.
     41. Você quer ir junto? Ou ir à frente? Ou ir por si?... É preciso saber o que se quer e que se quer. Quarta questão de consciência.
     43. Que importa que eu venha a ter razão? Eu tenho razão demais. E quem hoje ri melhor também ri por último.

Friedrich Nietzsche

Sprüche und Pfeile

     3 Um allein zu leben, muß man ein Tier oder ein Gott sein sagt Aristoteles. Fehlt der dritte Fall: man muß beides sein  Philosoph.
     15 Posthume Menschen ich zum Beispiel werden schlechter verstanden als zeitgemäße, aber besser gehört. Strenger: wir werden nie verstanden und daher unsre Autorität...
     26 Ich mißtraue allen Systematikern und gehe ihnen aus dem Weg. Der Wille zum System ist ein Mangel an Rechtschaffenheit.
     37 Du läufst voran? Tust du das als Hirt? oder als Ausnahme? Ein dritter Fall wäre der Entlaufene... Erste Gewissensfrage.
     38 Bist du echt? oder nur ein Schauspieler? Ein Vertreter? oder das Vertretene selbst? Zuletzt bist du gar bloß ein nachgemachter Schauspieler... Zweite Gewissensfrage.
     40 Bist du einer, der zusieht? oder der Hand anlegt? oder der wegsieht, beiseite geht... Dritte Gewissensfrage.
     41 Willst du mitgehn? oder vorangehn? oder für dich gehn?.. Man muß wissen, was man will und daß man will.  Vierte Gewissensfrage.
     43 Was liegt daran, daß ich recht behalte! Ich habe zu viel recht. Und wer heute am besten lacht, lacht auch zuletzt.

* Nota do tradutor Paulo César de Souza: “temporâneos”: tradução aqui dada a zeitgemäß, por oposição a unzeitgemäß, “extemporâneo”. Como se vê neste aforismo, assim como no título da segunda obra de Nietzsche, Considerações extemporâneas, e do capítulo IX do presente livro (o penúltimo que escreveu), a distinção entre “temporâneos/tempestivos/atuais” e “extemporâneos/intempestivos/inatuais” — ou “póstumos” — é fundamental para Nietzsche. Cf. também Ecce homo (III, 1): “Alguns nascem póstumos”.
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Crepúsculo dos ídolos, ou Como se filosofa com o martelo — Friedrich Nietzsche, Tradução, Notas e Posfácio de Paulo César de Souza, 2006, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 1900), nascido em Röcken, Província da Saxônia, Prússia, atual Alemanha, foi filósofo, filólogo, crítico cultural, professor, poeta e compositor; estudou na Universidade de Bonn, transferiu-se para a Universidade de Leipzig e foi professor de Filologia Clássica na Universidade de Basiléia, Suiça; escreveu e publicou O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música (Die Geburt der Tragödie aus dem Geiste der Musik, 1872), A Filosofia na Idade Trágica dos Gregos (textos que remontam a 1873, publicados postumamente), David Strauss, o Confessor e o Escritor (David Strauß. Der Bekenner und der Schriftsteller, 1873), Humano, Demasiado Humano, um Livro para Espíritos Livres (Menschliches, Allzumenschliches, primeira parte originalmente publicada em 1878 e versão final publicada em 1886), Schopenhauer como Educador (Shopenhauer als Erzieher, 1874), Richard Wagner em Bayreuth (1876), Aurora, Reflexões sobre Preconceitos Morais (Morgenröte. Gedanken über die moralischen Vorurteile, 1881), A Gaia Ciência (Die fröliche Wissenschaft, 1882), Assim Falou Zaratustra, um Livro para Todos e para Ninguém (Also sprach Zarathustra, 1883 1885), Além do Bem e do Mal, Prelúdio para uma Filosofia do Futuro (Jenseits von Gut und Böse, 1886), Genealogia da Moral, uma Polêmica (Zur Genealogie der Moral, 1887), O Crepúsculo dos Ídolos, ou Como Filosofar com o Martelo (Götzen Dämmerung, 1888), O Caso Wagner, um Problema para Músicos (1888), O Anticristo — Praga contra o Cristianismo (Der Antichrist, 1888), Ecce Homo, de como a gente se torna o que a gente é (Ecce Homo, 1888) e outros títulos; Nietzsche tem suas obras editadas, reeditadas e traduzidas pelo mundo afora; o pensador tem sido rotineiramente estudado nos cursos de Filosofia.

sábado, 10 de junho de 2023

Friedrich Nietzsche: 11. Pode um asno ser trágico? — Sucumbir sob um fardo que não se pode levar nem deitar fora?... O caso do filósofo. & outros aforismos

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[traduzido por Paulo César de Souza]

Máximas e Flechas

     8. Da escola da guerra da vida. O que não me mata me fortalece.
     11. Pode um asno ser trágico? Sucumbir sob um fardo que não se pode levar nem deitar fora?... O caso do filósofo.
     17. Eis um artista tal como eu gosto de artistas, modesto em suas necessidades: ele quer apenas duas coisas, seu pão e sua arte panem et Circen...*
     24. Buscando pelas origens, o indivíduo torna-se caranguejo. O historiador olha para trás; por fim, ele também acredita para trás.
     31. O verme se encolhe ao ser pisado. Com isso mostra inteligência. Diminui a probabilidade de ser novamente pisado. Na linguagem da moral: humildade
     35. Há casos em que nós, psicólogos, somos cavalos, e ficamos inquietos: vemos nossa própria sombra oscilar para cima e para baixo à nossa frente. O psicólogo tem de afastar a vista de si para enxergar.
     42. Esses foram degraus para mim, eu subi por eles para isso tive de passar por eles. Mas eles pensavam que eu queria repousar em cima deles...

Friedrich Nietzsche

Sprüche und Pfeile

     8 Aus der Kriegsschule des Lebens Was mich nicht umbringt, macht mich stärker.
     11 Kann ein Esel tragisch sein? Daß man unter einer Last zugrunde geht, die man weder tragen, noch abwerfen kann?.. Der Fall des Philosophen.
     17 Das ist ein Künstler, wie ich Künstlerliebe, bescheiden in seinen Bedürfnissen: er will eigentlich nur zweierlei, sein Brot und seine Kunst  panem et C i r c e n ...
     24 Damit, daß man nach den Anfängen sucht, wird man Krebs. Der Historiker sieht rückwärts; endlich glaubt er auch rückwärts.
     31 Der getretene Wurm krümmt sich. So ist es klug. Er verringert damit die Wahrscheinlichkeit, von neuem getreten zu werden. In der Sprache der Moral: Demut
     35 Es gibt Fälle, wo wir wie Pferde sind, wir Psychologen, und in Unruhe geraten: wir sehen unsern eignen Schatten vor uns auf- und niederschwanken. Der Psychologe muß von sich absehn, um überhaupt zu sehn.
     42 Das waren Stufen für mich, ich bin über sie hinaufgestiegen dazu mußte ich über sie hinweg. Aber sie meinten, ich wollte mich auf ihnen zur Ruhe setzen...

* Nota do tradutor Paulo César de Souza: “panem et Circen”: é conhecida a expressão de Juvenal, panem et circenses (“pão e circo”: Sátiras, X, 81), designando as duas coisas que interessavam aos romanos de sua época (sécs. I-II d. C.); Nietzsche a transforma em “pão e Circe”, identificando a arte com a feiticeira da Odisséia (canto X). A referência a este personagem de Homero é frequente em suas últimas obras.
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Crepúsculo dos Ídolos, ou Como se filosofa com o martelo — Friedrich Nietzsche, Tradução, Notas e Posfácio de Paulo César de Souza, 2006, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 1900), nascido em Röcken, Província da Saxônia, Prússia, atual Alemanha, foi filósofo, filólogo, crítico cultural, professor, poeta e compositor; estudou na Universidade de Bonn, transferiu-se para a Universidade de Leipzig e foi professor de Filologia Clássica na Universidade de Basiléia, Suiça; escreveu e publicou O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música (Die Geburt der Tragödie aus dem Geiste der Musik, 1872), A Filosofia na Idade Trágica dos Gregos (textos que remontam a 1873, publicados postumamente), David Strauss, o Confessor e o Escritor (David Strauß. Der Bekenner und der Schriftsteller, 1873), Humano, Demasiado Humano, um Livro para Espíritos Livres (Menschliches, Allzumenschliches, primeira parte originalmente publicada em 1878 e versão final publicada em 1886), Schopenhauer como Educador (Shopenhauer als Erzieher, 1874), Richard Wagner em Bayreuth (1876), Aurora, Reflexões sobre Preconceitos Morais (Morgenröte. Gedanken über die moralischen Vorurteile, 1881), A Gaia Ciência (Die fröliche Wissenschaft, 1882), Assim Falou Zaratustra, um Livro para Todos e para Ninguém (Also sprach Zarathustra, 1883 1885), Além do Bem e do Mal, Prelúdio para uma Filosofia do Futuro (Jenseits von Gut und Böse, 1886), Genealogia da Moral, uma Polêmica (Zur Genealogie der Moral, 1887), O Crepúsculo dos Ídolos, ou Como Filosofar com o Martelo (Götzen Dämmerung, 1888), O Caso Wagner, um Problema para Músicos (1888), O Anticristo — Praga contra o Cristianismo (Der Antichrist, 1888), Ecce Homo, de como a gente se torna o que a gente é (Ecce Homo, 1888) e outros títulos; Nietzsche tem suas obras editadas, reeditadas e traduzidas pelo mundo afora; o pensador tem sido rotineiramente estudado nos cursos de Filosofia.

quinta-feira, 27 de abril de 2023

Schlegel: Todo homem inculto é a caricatura de si mesmo. [frag. 63] & outros fragmentos.


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[traduzido por Márcio Suzuki]

          [4] Para grande prejuízo da teoria dos gêneros poéticos frequentemente se negligenciam as subdivisões dos gêneros. Assim, a poesia-de-natureza se divide, por exemplo, em natural e artificial, e a poesia popular em poesia popular para o povo e poesia popular para os de boa condição e doutos.
          [29] Achados chistosos são os provérbios dos homens cultos.
          [52] Há um gênero particular de homens nos quais o entusiasmo do tédio é o primeiro excitamento da filosofia.
          [63] Todo homem inculto é a caricatura de si mesmo.
          [69] Já não temos as pantomimas dos antigos. Em compensação, agora toda a poesia é pantomímica.
          [79] A loucura só é diferente da sandice por ser arbitrária como a tolice. Se essa distinção não é válida, então é bastante injusto encarcerar alguns loucos, deixando outros fazer fortuna. Eles só diferem em grau, não em gênero.
          [94] Todo grande filósofo ainda tem explicado, muitas vezes sem intenção, seus predecessores de tal modo que parece que, antes dele, ninguém os entendeu.

[Fragmentos Athenäum]

Friedrich Schlegel

          [4] Zum großen Nachteil der Theorie von den Dichtarten vernachlässigt man oft die Unterabteilungen der Gattungen. So teilt sich zum Beispiel die Naturpoesie in die natürliche und in die künstliche, und die Volkspoesie in die Volkspoesie für das Volk und in die Volkspoesie für Standespersonen und Gelehrte.
          [29] Witzige Einfälle sind die Sprüchwörter der gebildeten Menschen.
          [52] Es gibt eine eigne Gattung Menschen, bei denen die Begeistrung der Langenweile, die erste Regung der Philosophie ist.
          [63] Jeder ungebildete Mensch ist die Karikatur von sich selbst.
          [69] Die Pantomimen der Alten haben wir nicht mehr. Dagegen ist aber die ganze Poesie jetzt pantomimisch.
          [79] Die Narrheit ist bloß dadurch von der Tollheit verschieden, daß sie willkürlich ist wie die Dummheit. Soll dieser Unterschied nicht gelten, so ists sehr ungerecht einige Narren einzusperren, während man andre ihr Glück machen läßt. Beide sind dann nur dem Grade, nicht der Art nach verschieden.
          [94] Immer hat noch jeder große Philosoph seine Vorgänger, oft ohne seine Absicht, so erklärt, daß es schien, als habe man sie vor ihm gar nicht verstanden.

[Athenäums-Fragmente]
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Schlegel — O dialeto dos fragmentos, Tradução, Apresentação e Notas de Márcio Suzuki, com Rubens Rodrigues Torres Filho na Apresentação da Biblioteca Pólen, 1997, Biblioteca Pólen / Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Karl Wilhelm Friedrich von Schlegel (1772 1829), alemão de Hannover, estudou em Göttingen e Leipzig, foi filósofo, filólogo, professor, escritor, crítico literário e de arte, historiador, tradutor e um dos iniciadores do Romantismo alemão; editou periódicos sobre arte (Europa e Deutsches Museum) e o jornal Concórdia; Em 1798, em Jena, os irmãos Schlegel (August e Friedrich) criaram a revista estético-crítica Athenaeum, considerada a publicação fundadora do Romantismo alemão e através da qual se deu a divulgação de textos dos próprios irmãos Schlegel, de Novalis, de Schleiermacher e de outros impulsionadores do movimento que se iniciava; obras: Über die Diotima (1795), Kritische Fragmente (“Lyceums” Fragmente, 1797), Lucinde (romance, 1799), Gespräch über die Poesie (1800), Alarkos (peça romântica, 1802), Über die Sprache und Weisheit der Indier (1808) Geschichte der alten und neueren Literatur. Vorlesungen (História da literatura antiga e moderna. Palestras, 1815) e outros títulos.

quarta-feira, 22 de março de 2023

Schlegel: Falso pudor é pretensão à inocência sem inocência. . . . [frag. 31] & outros fragmentos


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[traduzido por Márcio Suzuki]

          [7] Vocês sempre desejam novos pensamentos? Façam algo novo, e se poderá dizer algo novo a respeito. [A. W.]*
          [13] Se jovens de ambos os sexos sabem dançar uma música prazenteira, de modo algum lhes ocorre querer julgar sobre a arte musical. Por que as pessoas têm menos respeito pela poesia?
          [16] Se a essência do cinismo consiste em preferir a natureza à arte, a virtude à beleza e à ciência; em observar apenas o espírito, descuidando da letra a que rigorosamente se atém o estóico; em desprezar incondicionalmente todo valor econômico ou brilho político e em afirmar corajosamente os direitos do arbítrio autônomo; então o cristianismo outra coisa não poderia ser senão cinismo universal.
          [31] Falso pudor é pretensão à inocência sem inocência. As mulheres terão de continuar sendo falsamente pudicas enquanto os homens forem sentimentais, tolos e maus o bastante para delas exigir eterna inocência e falta de cultivo. Pois inocência é a única coisa que pode enobrecer a incultura.
          [36] Ninguém julga uma pintura decorativa e um retábulo, uma opereta e uma música sacra, um sermão e um tratado filosófico pelo mesmo critério. Então por que, à poesia retórica que existe apenas no palco, se fazem exigências que só podem ser preenchidas por uma arte dramática superior?
          [40] Notas a um poema são como aulas de anatomia sobre um assado. [A. W.]

[Fragmentos Athenäum]

Friedrich Schlegel

          [7] Ihr verlangt immer neue Gedanken? Tut etwas Neues, so läßt sich etwas Neues darüber sagen. [A.W. Schlegel]
          [13] Wenn junge Personen beiderlei Geschlechts nach einer lustigen Musik zu tanzen wissen, so fällt es ihnen gar nicht ein, deshalb über die Tonkunst urteilen zu wollen. Warum haben die Leute weniger Respekt vor der Poesie?
          [16] Wenn das Wesen des Zynismus darin besteht, der Natur vor der Kunst, der Tugend vor der Schönheit und Wissenschaft den Vorzug zu geben; unbekümmert um den Buchstaben, auf den der Stoiker streng hält, nur auf den Geist zu sehen, allen ökonomischen Wert und politischen Glanz unbedingt zu verachten, und die Rechte der selbständigen Willkür tapfer zu behaupten: so dürfte der Christianismus wohl nichts anders sein, als universeller Zynismus.
          [31] Prüderie ist Prätension auf Unschuld, ohne Unschuld. Die Frauen müssen wohl prüde bleiben, so lange Männer sentimental, dumm und schlecht genug sind, ewige Unschuld und Mangel an Bildung von ihnen zu fodern. Denn Unschuld ist das einzige, was Bildungslosigkeit adeln kann.
          [36] Niemand beurteilt eine Dekorationsmalerei und ein Altarblatt, eine Operette und eine Kirchenmusik, eine Predigt und eine philosophische Abhandlung nach demselben Maßstabe. Warum macht man also an die rhetorische Poesie, welche nur auf der Bühne existiert, Foderungen, die nur durch höhere dramatische Kunst erfüllt werden können?
          [40] Noten zu einem Gedicht, sind wie anatomische Vorlesungen über einen Braten. [A.W. Schlegel]

[Athenäums-Fragmente]

* Nota do tradutor Márcio Suzuki: [A. W.] — August Wilhelm Schlegel [autor do fragmento, conforme registro na Athenaeum].
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Schlegel — O dialeto dos fragmentos, Tradução, Apresentação e Notas de Márcio Suzuki, com Rubens Rodrigues Torres Filho na Apresentação da Biblioteca Pólen, 1997, Biblioteca Pólen / Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Karl Wilhelm Friedrich von Schlegel (1772 1829), alemão de Hannover, estudou em Göttingen e Leipzig, foi filósofo, filólogo, professor, escritor, crítico literário e de arte, historiador, tradutor e um dos iniciadores do Romantismo alemão; editou periódicos sobre arte (Europa e Deutsches Museum) e o jornal Concórdia; Em 1798, em Jena, os irmãos Schlegel (August e Friedrich) criaram a revista estético-crítica Athenaeum, considerada a publicação fundadora do Romantismo alemão e através da qual se deu a divulgação de textos dos próprios irmãos Schlegel, de Novalis, de Schleiermacher e de outros impulsionadores do movimento que se iniciava; obras: Über die Diotima (1795), Kritische Fragmente (“Lyceums” Fragmente, 1797), Lucinde (romance, 1799), Gespräch über die Poesie (1800), Alarkos (peça romântica, 1802), Über die Sprache und Weisheit der Indier (1808) Geschichte der alten und neueren Literatur. Vorlesungen (História da literatura antiga e moderna. Palestras, 1815) e outros títulos.

sábado, 18 de fevereiro de 2023

Schlegel: O objeto da história é a efetivação de tudo aquilo que é praticamente necessário. [frag. 90] & outros fragmentos.


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[traduzido por Márcio Suzuki]

          [76] A intuição intelectual é o imperativo categórico da teoria.
          [90] O objeto da história é a efetivação de tudo aquilo que é praticamente necessário.
          [96] Quem não filosofa por amor à filosofia, mas usa a filosofia como meio, é um sofista.
          [101] Aquilo que acontece na poesia, ou não acontece nunca, ou acontece sempre. Do contrário, não é verdadeira poesia. Não se pode ser obrigado a acreditar que esteja efetivamente acontecendo agora.
          [106] A apreciação moral é inteiramente oposta à apreciação estética. Lá, a boa vontade é o valor de tudo; aqui, de absolutamente nada. A boa vontade de ser chistoso é, por exemplo, a virtude de um palhaço. No chiste, querer só pode consistir em suprimir as barreiras convencionais e em deixar o espírito livre. O mais chistoso seria, contudo, quem o fosse não apenas sem querer, mas também contra a sua vontade, assim como o bienfaisant bourru¹ é no fundo o mais benévolo dos caracteres. [A. W.]²
          [127] Klopstock³ é um poeta gramatical, e um gramático poético. [A. W.]

[Fragmentos Athenäum]

Friedrich Schlegel

          [76] Die intellektuale Anschauung ist der kategorische Imperativ der Theorie.
          [90] Der Gegenstand der Historie ist das Wirklichwerden alles dessen, was praktisch notwendig ist.
          [96] Wer nicht um der Philosophie willen philosophiert, sondern die Philosophie als Mittel braucht, ist ein Sophist.
          [101] Was in der Poesie geschieht, geschieht nie, oder immer. Sonst ist es keine rechte Poesie. Man darf nicht glauben sollen, daß es jetzt wirklich geschehe.
          [106] Die moralische Würdigung ist der ästhetischen völlig entgegengesetzt. Dort gilt der gute Wille alles, hier gar nichts. Der gute Wille witzig zu sein, zum Beispiel, ist die Tugend eines Pagliaß. Das Wollen beim Witze darf nur darin bestehen, daß man die konventionellen Schranken aufhebt, und den Geist frei läßt. Am witzigsten aber müßte der sein, der es nicht nur ohne es zu wollen, sondern wider seinen Willen wäre, so wie der bienfaisant bourru eigentlich der allergutmütigste Charakter ist. [A.W. Schlegel]
          [127] Klopstock ist ein grammatischer Poet, und ein poetischer Grammatiker. [A.W. Schlegel]

[Athenäums-Fragmente]

Notas do tradutor Márcio Suzuki:
1. Bienfaisant bourru (“bruto de bom coração”) está em francês no original;
2. [A. W.] — August Wilhelm Schlegel [autor do fragmento, conforme registro na Athenaeum].
3. Gottlieb Friedrich Klopstock (1724 — 1803), poeta, autor do poema épico O Messias. No número 1, volume 1, da revista Athenäum, August publica um texto intitulado As línguas. Uma conversa sobre as conversas gramáticas de Klopstock.
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Schlegel — O dialeto dos fragmentos, Tradução, Apresentação e Notas de Márcio Suzuki, com Rubens Rodrigues Torres Filho na Apresentação da Biblioteca Pólen, 1997, Biblioteca Pólen / Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Karl Wilhelm Friedrich von Schlegel (1772 1829), alemão de Hannover, estudou em Göttingen e Leipzig, foi filósofo, filólogo, professor, escritor, crítico literário e de arte, historiador, tradutor e um dos iniciadores do Romantismo alemão; editou periódicos sobre arte (Europa e Deutsches Museum) e o jornal Concórdia; Em 1798, em Jena, os irmãos Schlegel (August e Friedrich) criaram a revista estético-crítica Athenaeum, considerada a publicação fundadora do Romantismo alemão e através da qual se deu a divulgação de textos dos próprios irmãos Schlegel, de Novalis, de Schleiermacher e de outros impulsionadores do movimento que se iniciava; obras: Über die Diotima (1795), Kritische Fragmente (“Lyceums” Fragmente, 1797), Lucinde (romance, 1799), Gespräch über die Poesie (1800), Alarkos (peça romântica, 1802), Über die Sprache und Weisheit der Indier (1808) Geschichte der alten und neueren Literatur. Vorlesungen (História da literatura antiga e moderna. Palestras, 1815) e outros títulos.

sábado, 21 de janeiro de 2023

Schlegel: Muitas obras dos antigos se tornaram fragmentos. . . . [frag. 24] & outros fragmentos


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[traduzido por Márcio Suzuki]

          [5] Aquilo que se chama de boa sociedade é no mais das vezes apenas um mosaico de caricaturas polidas.
          [12] De muito monarca se disse: teria sido um homem bem amável como pessoa privada, só não servia para rei. Não ocorre porventura o mesmo com a Bíblia? Não é também apenas um amável livro de uso privado, que só não deveria ser Bíblia?
          [15] O suicídio é habitualmente apenas uma ocasião, raramente uma ação. Se é uma ocasião, o autor sempre está errado, como a criança que quer se emancipar. Mas se é uma ação, não se trata absolutamente de direito, mas somente de conveniência. Pois apenas a ela está sujeito o arbítrio, que deve determinar tudo o que, como o aqui e o agora, não pode ser determinado nas puras leis, e pode determinar tudo o que não aniquila o arbítrio de outros e, com isso, a si mesmo. Nunca é injusto morrer voluntariamente, mas muitas vezes é indecoroso viver por mais tempo.
          [19] O meio mais seguro de ser ininteligível ou, antes, de ser mal entendido, é quando se usam as palavras, especialmente as das línguas antigas, em seu sentido original.
          [24] Muitas obras dos antigos se tornaram fragmentos. Muitas obras dos modernos já o são ao surgir.

[Fragmentos Athenäum]

Friedrich Schlegel

          [5] Was gute Gesellschaft genannt wird, ist meistens nur eine Mosaik von geschliffnen Karikaturen.
          [12] Man hat von manchem Monarchen gesagt: er würde ein sehr liebenswürdiger Privatmann gewesen sein, nur zum Könige habe er nicht getaugt. Verhält es sich etwa mit der Bibel ebenso? Ist sie auch bloß ein liebenswürdiges Privatbuch, das nur nicht Bibel sein sollte?
          [15] Der Selbstmord ist gewöhnlich nur eine Begebenheit, selten eine Handlung. Ist es das erste, so hat der Täter immer Unrecht, wie ein Kind, das sich emanzipieren will. Ist es aber eine Handlung, so kann vom Recht gar nicht die Frage sein, sondern nur von der Schicklichkeit. Denn dieser allein ist die Willkür unterworfen, welche alles bestimmen soll was in den reinen Gesetzen nicht bestimmt werden kann, wie das Jetzt, und das Hier, und alles bestimmen darf, was nicht die Willkür andrer, und dadurch sie selbst vernichtet. Es ist nie unrecht, freiwillig zu sterben, aber oft unanständig, länger zu leben.
          [19] Das sicherste Mittel unverständlich oder vielmehr mißverständlich zu sein, ist, wenn man die Worte in ihrem ursprünglichen Sinne braucht; besonders Worte aus den alten Sprachen.
          [24] Viele Werke der Alten sind Fragmente geworden. Viele Werke der Neuern sind es gleich bei der Entstehung.

[Athenäums-Fragmente]
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Schlegel — O dialeto dos fragmentos, Tradução, Apresentação e Notas de Márcio Suzuki, com Rubens Rodrigues Torres Filho na Apresentação da Biblioteca Pólen, 1997, Biblioteca Pólen / Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Karl Wilhelm Friedrich von Schlegel (1772 1829), alemão de Hannover, estudou em Göttingen e Leipzig, foi filósofo, filólogo, professor, escritor, crítico literário e de arte, historiador, tradutor e um dos iniciadores do Romantismo alemão; editou periódicos sobre arte (Europa e Deutsches Museum) e o jornal Concórdia; Em 1798, em Jena, os irmãos Schlegel (August e Friedrich) criaram a revista estético-crítica Athenaeum, considerada a publicação fundadora do Romantismo alemão e através da qual se deu a divulgação de textos dos próprios irmãos Schlegel, de Novalis, de Schleiermacher e de outros impulsionadores do movimento que se iniciava; obras: Über die Diotima (1795), Kritische Fragmente (“Lyceums” Fragmente, 1797), Lucinde (romance, 1799), Gespräch über die Poesie (1800), Alarkos (peça romântica, 1802), Über die Sprache und Weisheit der Indier (1808) Geschichte der alten und neueren Literatur. Vorlesungen (História da literatura antiga e moderna. Palestras, 1815) e outros títulos.

domingo, 25 de dezembro de 2022

Schlegel: Todo autor honesto escreve para todos ou para ninguém. [frag.] L 85 & outros fragmentos


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[traduzido por Victor-Pierre Stirnimann]

          L 47 Quem quer algo de infinito não sabe o que quer. Mas não se pode inverter a afirmação.
          L 55 Um homem autenticamente livre e cultivado teria de poder se afinar à vontade com o filosófico ou o filológico, o crítico ou o poético, o histórico ou o retórico, o antigo ou o moderno, de maneira totalmente arbitrária, como se afina um instrumento, em qualquer tempo e em qualquer grau.
          L 61 A rigor, o conceito de um poema científico é tão contraditório quanto o de uma ciência poética.
          L 73 O que de hábito se perde em traduções boas, ou mesmo ótimas, é justamente o melhor.*
          L 75 Notas são epigramas filológicos; traduções são mímicas filológicas; muitos comentários, em que o texto é apenas o não–eu, um pretexto inicial, são idílios filológicos.
          L 85 Todo autor honesto escreve para todos ou para ninguém. Quem escreve para que este ou aquele o leia merece não ser lido.

Friedrich Schlegel

          L 47 Wer etwas Unendliches will, der weiß nicht was er will. Aber umkehren läßt sich dieser Satz nicht.
          L 55 Ein recht freier und gebildeter Mensch müßte sich selbst nach Belieben philosophisch oder philologisch, kritisch oder poetisch, historisch oder rhetorisch, antik oder modern stimmen können, ganz willkürlich, wie man ein Instrument stimmt, zu jeder Zeit, und in jedem Grade.
          L 61 Streng genommen ist der Begriff eines wissenschaftlichen Gedichts wohl so widersinnig, wie der einer dichterischen Wissenschaft.
          L 73 Was in gewöhnlichen guten oder vortrefflichen Übersetzungen verloren geht, ist grade das Beste.
          L 75 Noten sind philologische Epigramme; Übersetzungen philologische Mimen; manche Kommentare, wo der Text nur Anstoß oder Nicht-Ich ist, philologische Idyllen.
          L 85 Jeder rechtliche Autor schreibt für niemand, oder für alle. Wer schreibt, damit ihn diese und jene lesen mögen, verdient, daß er nicht gelesen werde.

* Nota do tradutor Victor-Pierre Stirnimann: Fragmento atribuído a [Friedrich] Schleiermacher [1768 —1834].
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Schlegel  — Conversa sobre a Poesia e outros fragmentos, Tradução, Prefácio e Notas de Victor-Pierre Stirnimann [seleção de fragmentos em edição bilíngue] e Rubens Rodrigues Torres Filho na Apresentação da Biblioteca Pólen, 1994, Biblioteca Pólen / Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Karl Wilhelm Friedrich von Schlegel (1772 1829), alemão de Hannover, estudou em Göttingen e Leipzig, foi filósofo, filólogo, professor, escritor, crítico literário e de arte, historiador, tradutor e um dos iniciadores do Romantismo alemão; editou periódicos sobre arte (Europa e Deutsches Museum) e o jornal Concórdia; Em 1798, em Jena, os irmãos Schlegel (August e Friedrich) criaram a revista estético-crítica Athenaeum, considerada a publicação fundadora do Romantismo alemão e através da qual se deu a divulgação de textos dos próprios irmãos Schlegel, de Novalis, de Schleiermacher e de outros impulsionadores do movimento que se iniciava; obras: Über die Diotima (1795), Kritische Fragmente (“Lyceums” Fragmente, 1797), Lucinde (romance, 1799), Gespräch über die Poesie (1800), Alarkos (peça romântica, 1802), Über die Sprache und Weisheit der Indier (1808) Geschichte der alten und neueren Literatur. Vorlesungen (História da literatura antiga e moderna. Palestras, 1815) e outros títulos.