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Versos... são candelabros que se
tocam
Tirando estrelas do cristal ferido...
Óleo de que perfumes se deslocam... .
Estranhos, num vapor vago e
fluido...
Bergantins marchetados de ouro e
prata
A balouçar num mar sonoro e
ardente,
Que todo em nenúfares se desata
E em ilhas verdes, infinitamente...
Versos ... largas cadeias de
diamante,
Lançadas de um extremo a outro da
Terra,
Para pô-la risonha e soluçante,
— Áureas grilhetas de amorosa
guerra...
Flores do Desespero, doloridas,
Lírios feitos de sangue,
transmudados,
Sob o ardor das insônias homicidas
Qual um punch a luz verde
germinados...
Versos! que alma sonora e
tumultuosa
— Céu em que os astros chocam-se
cantando —
Que alma grande, alma nobre, alma
ansiosa
Não vos anda risonha procurando.
Dos Eleitos vós sois os
mensageiros!
Canta, por eles, florescente rima,
Por eles mergulhais, filtros
traiçoeiros,
As almas numa embriaguez opima.
Adernando-vos leves e graciosos
É que o Poeta arrebata e nos
transporta
Para aqueles países fabulosos
Do Sonho, abrindo ao Infinito a
porta.
Não pode alguém se libertar dos
laços
Sob os quais o tenhais escravizado
Enquanto lhe ritmar, sonora, os
passos
A grilheta de um verso terso e
ousado.
Ah! toda esta ânsia que nos arde
ao seio,
Todo este fogo que nos queima a
boca,
Se revela das formas neste anseio,
Nesta sofreguidão absurda e louca.
Porém, se nós pudéssemos apenas
Abrir os olhos, dominar o Mundo,
E em atitudes nobres e serenas
Mostrar-lhe todo o nosso estranho
fundo...
Se em palavras se dissesse tudo,
Num ardor, num cantar vivo e
direto,
Fora melhor que se ficasse mudo:
Era mais simples e era mais
completo...
Transfigurações — 1902

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Roteiro da Poesia Brasileira — Simbolismo, Seleção e Prefácio de Lauro Junkes, 2006, Global Editora e Distribuidora, São Paulo — SP; Nestor Vítor dos Santos (1868 — 1932), paranaense de Paranaguá, poeta, contista, ensaísta, crítico literário, conferencista e tradutor, foi um dos partícipes da escola literária simbolista, e, tendo sido amigo do poeta Cruz e Sousa e estudioso de sua obra, publicou um exaustivo estudo sobre o poeta negro e também suas Obras Completas; como crítico literário e ensaísta, colaborou com os periódicos O País, Correio Paulistano, O Globo e com a revista Os Anais; escreveu e publicou Signos (contos, 1897), Cruz e Sousa (1899), Amigos (1900), A Hora (1901), Transfigurações (poesias, 1902), Paris — impressões de um brasileiro (1911), A Terra do Futuro — impressões do Paraná (1913), O Elogio da Criança (1915), Três Romancistas do Norte (1915), Farias Brito (1917), A Crítica de Ontem (1919), Folhas que ficam (1920), O Elogio do Amigo (1921), Cartas à Gente Nova (1924), Parasita (novela, 1928), e outros títulos.
Roteiro da Poesia Brasileira — Simbolismo, Seleção e Prefácio de Lauro Junkes, 2006, Global Editora e Distribuidora, São Paulo — SP; Nestor Vítor dos Santos (1868 — 1932), paranaense de Paranaguá, poeta, contista, ensaísta, crítico literário, conferencista e tradutor, foi um dos partícipes da escola literária simbolista, e, tendo sido amigo do poeta Cruz e Sousa e estudioso de sua obra, publicou um exaustivo estudo sobre o poeta negro e também suas Obras Completas; como crítico literário e ensaísta, colaborou com os periódicos O País, Correio Paulistano, O Globo e com a revista Os Anais; escreveu e publicou Signos (contos, 1897), Cruz e Sousa (1899), Amigos (1900), A Hora (1901), Transfigurações (poesias, 1902), Paris — impressões de um brasileiro (1911), A Terra do Futuro — impressões do Paraná (1913), O Elogio da Criança (1915), Três Romancistas do Norte (1915), Farias Brito (1917), A Crítica de Ontem (1919), Folhas que ficam (1920), O Elogio do Amigo (1921), Cartas à Gente Nova (1924), Parasita (novela, 1928), e outros títulos.
