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terça-feira, 15 de setembro de 2020

Trilussa: A liberdade do pensamento

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[traduzido por Lisindo Coppoli]

O Gato preto, que era Presidente
Da Associação do Livre Pensamento,
Ficou furioso quando, de repente,
Durante uma sessão,
Ouviu o Gato cinzento
Pedir-lhe explicação
Sobre seus modos de fazer política,
Que estavam merecendo alguma crítica.

 Cala a boca!  gritou-lhe o Gato preto 
Eu não estou disposto
A permitir tal falta de respeito;
Tu falas sem razão:
Se aqui te sentes tanto a contragosto
Será melhor que peças demissão.
Poderás, sim, pensar como tu queiras,
Conforme tua idéia, livremente;
Porém sem contrariar o Presidente,
Ficando muito quieto nas fileiras.

 Queira-me perdoar: falei asneiras!
 Disse o Gato cinzento 
Reconheço que dei grande mancada.
E pra ficar no Livre Pensamento
Dali por diante não pensou mais nada.

Trilussa, poeta romano vernacolare e iniziato alla Massoneria
Trilussa

La libertà di pensiero

Un Gatto bianco, ch’era Presidente
der Circolo der Libbero Pensiero,
senti che er Gatto nero,
libbero pensatore come lui,
je faceva la critica
riguardo a la politica
ch’era contraria a li principi sui.
 Giacchè nun badi a li fattacci tui,
 je disse er gatto bianco inviperito 
rassegnerai le proprie dimissioni
e uscirai dalle file der partito:
chè qui la poi pensa’ libberamente
come te pare a te, ma a condizzione
che t’associ a l’idee der presidente
e a le proposte della commissione!
 E’ vero, ho torto, ho aggito malamente... 
rispose er Gatto nero.
E pe’ resta’ ner Libbero Pensiero
da quella vorta nun penso’ piu’ gnente.
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Trilussa — Cento e uma fábulas, Seleção, Apresentação e Tradução de Lisindo Coppoli, 1957, Rede Latina Editora, São Paulo — SP; Carlo Alberto Camillo Mariano Salustri (1871 1950), Trilussa (anagrama do sobrenome), nascido em Roma Itália, foi poeta dialetal de sátiras político social, fabulista, escritor e jornalista; escreveu em dialeto romanesco; inicialmente, Trilussa publicou seus poemas em jornais, coletando-os depois em volumes, selecionando-os e aprimorando-os; bibliografia: Stelle de Roma: versi romaneschi (Cerroni e Solaro, Roma, 1889); Quaranta sonetti romaneschi (Enrico Voghera, Roma, 1895); Favole romanesche (Enrico Voghera, Roma, 1901); Ommini e bestie (Enrico Voghera, Roma, 1914); Lupi e agnelli (Enrico Voghera, Roma, 1919); La Gente (A. Mondadori, Milano, 1927); Acqua e vino (A. Mondadori Tip. Operaia Romana, Roma, 1945) e outros títulos; em português, além deste Cento e uma fábulas, os versos do poeta fabulista também foram compilados e traduzidos por Paulo Duarte na edição Versos de Trilussa (1973).

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Trilussa: As ilusões

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[traduzido por Lisindo Coppoli]

Um velho Rato, com a idéia fixa
De fazer propaganda da anarquia,
Falava a uma Toupeira e a uma Preguiça:
 É preciso acabar co’a burguesia;
Temos que fazer guerra
A tudo o que é injustiça,
A toda iniqüidade que há na terra.
Vamos, acorda, estúpida Toupeira!
A vida é dura luta:
Não pode mais viver dessa maneira;
Não podes mais manter essa conduta.

 No entanto eu gosto de viver assim:
 Responde-lhe a Toupeira 
Por que me amolas? A vida é para mim
Somente um sonho: eu sonho a vida inteira. 
 E tu, Preguiça, é tempo que movas:
Canta comigo a “Internacional”!
Tu precisas formar-te um Ideal.
Metendo na cabeça idéias novas

 Eu pouco me incomodo!  exclama aquela
O Ideal há muito que o formei:
É o de dormir. Com esse ficarei:
Pra mim a escuridão é muito bela.

 Ide então para o inferno,  grita o Rato 
Míseros sonhadores! Muito cedo
Fechais os olhos: é que tendes medo
De ver as coisas como são de fato.
Eu vos lastimo, seres atrasados,
Que odiais a luz do dia e que viveis,
Com a vossa miséria, conformados.
Mas vós viveis pior  diz a Preguiça 
Vós, pobres iludidos, que quereis
De boa fé acabar com a injustiça.
Nós, seres atrasados,
Costumamos sonhar de olhos fechados;
Mas vós, que sois espertos,
Sonhais mais do que nós, de olhos abertos.

Trilussa: biografia, carriera e morte del celebre scrittore italiano
Trilussa

L'illusi

Un vecchio Sorcio anarchico, in un giro
de propaganda rivoluzzionaria,
chiese un aiuto a la Marmotta e ar Ghiro.
Avemo da mannà tutto per aria!
strillava er Sorcio vojo fa' la guerra
a tutte l'ingiustizzie de 'sto monno,
a tutti li soprusi de la terra!
Quanno te svejerai, vecchia Marmotta
impastata de sonno? nu' lo sai
che la vita è una lotta?

Nu' ne sento er bisogno!
rispose la Marmotta insonnolita
Perché me scocci l'anima? La vita
per me nun è che un sogno...
E tu, compare Ghiro, nun te mòvi?
Perché nun canti l'Internazzionale?
Bisogna che te formi un Ideale
verso la luce de li tempi novi...
Io fece quello poco me ne curo:
ché l'Ideale mio nun me lo formo
antro che quanno dormo.
Viva la faccia de restà a lo scuro!

Allora disse er Sorcio annate ar diavolo,
poveri sognatori de mestiere,
che pe' paura de le cose vere
chiudete l'occhi e nun vedete un cavolo!
Ve compatisco, o stupide bestiole
ch'odiate er sole e che vivete senza
un filo d'esperienza...

Ma state peggio voi, poveri illusi!
je disse er Ghiro voi che sete certi
de vince l'ingiustizzie e li soprusi!
Io, quanno sogno, tengo l'occhi chiusi:
ma quanno sogni tu, li tenghi aperti...
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Trilussa — Cento e uma fábulas, Seleção, Apresentação e Tradução de Lisindo Coppoli, 1957, Rede Latina Editora, São Paulo — SP; Carlo Alberto Camillo Mariano Salustri (1871 1950), Trilussa (anagrama do sobrenome), nascido em Roma Itália, foi poeta dialetal de sátiras político social, fabulista, escritor e jornalista; escreveu em dialeto romanesco; inicialmente, Trilussa publicou seus poemas em jornais, coletando-os depois em volumes, selecionando-os e aprimorando-os; bibliografia: Stelle de Roma: versi romaneschi (Cerroni e Solaro, Roma, 1889); Quaranta sonetti romaneschi (Enrico Voghera, Roma, 1895); Favole romanesche (Enrico Voghera, Roma, 1901); Ommini e bestie (Enrico Voghera, Roma, 1914); Lupi e agnelli (Enrico Voghera, Roma, 1919); La Gente (A. Mondadori, Milano, 1927); Acqua e vino (A. Mondadori Tip. Operaia Romana, Roma, 1945) e outros títulos; em português, além deste Cento e uma fábulas, os versos do poeta fabulista também foram compilados e traduzidos por Paulo Duarte na edição Versos de Trilussa (1973).

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Trilussa: O professor de Filosofia

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[traduzido por Lisindo Coppoli]

Chamavam-no de Louco. Infelizmente,
Era um grande filósofo, coitado!
Pálido, muito magro, recurvado;
Sempre co’ um grosso livro; indiferente,
Via através dos óculos escuros
As tragédias dos séculos futuros.

Ao meio dia em ponto, na pensão
Em que naquele tempo se hospedava,
O Professor o estômago enganava
Com um pouco de caldo de feijão:
Era tão cheio de filosofia
Que coisa alguma mais lhe apetecia.

Falava em tom solene, devagar,
Escolhendo as palavras com cuidado
E coçando com gesto calculado
A barba inculta, como a procurar,
Entre os pelos compridos, os conceitos
Que lhes caiam do alto, já perfeitos.

E que discursos!... coisas doutro mundo!
Dizia, muito sério: É demonstrado
Ser o Universo, infindo e incriado,
Obediente a um espírito profundo:
O sol é quente, mas tal não seria
Se fosse uma substância morta e fria.

Ninguém, é claro, compreendia nada;
Todos, porém, lhe dávamos razão;
E quando o proprietário da pensão
Batia as mãos de forma exagerada,
O Professor ficava aborrecido
E logo, com as mãos, tapava o ouvido.

Às vezes se inquietava, e então fazia
Uns movimentos bruscos, impensados,
Que não raro um dos punhos engomados
Escapava da manga e lhe caía,
Dando reviravoltas no soalho
Com um barulho surdo de chocalho.

Um dia me falou: Perdi a Fé!
Em Deus, não creio! Nem na Humanidade!
Mas digo na mulher, fale a verdade,
O senhor acredita? Não?!... não crê?!
Mas, professor, assim, tenha paciência,
Envenena, o senhor, sua existência.

Quem vive sem a Fé e sem afeto
Leva a vida infeliz, amargurada:
A Fé é uma centelha abençoada
Que acende aspirações em nosso peito;
E a grande aspiração do nosso ser
É possuir o afeto da mulher.

De certo, em sua vida terá tido
Uma pessoa amiga, alguém que o amou... 
O Professor, num sopro, pronunciou
Um nome e, intimamente comovido,
Os óculos ajustou, sem conseguir
Que eu não lhe visse u’a lágrima luzir.

Descontente por ter-se revelado,
Tossiu, escarrou e, com gesto maquinal,
Tirou do bolso um velho manual
Que começou a folhear, atarantado,
E do qual pulou fora, sem querer
Um antigo retrato de mulher.

É dela, sim; falou mas, certamente,
O senhor não supõe que eu o conserve
Como lembrança. Não! A mim me serve
Para marcar a página, somente.
Fiquei calado, mas meu pensamento
Disse: “Filosofia... triste invento!”

C'è del sacro in… Trilussa | LuciaLibri

Er professore de Filosofia

Lo chiamaveno er Matto, poveraccio!
Invece era un filosofo, purtroppo!
Pallido, allampanato, mezzo zoppo,
con un fascio de libbri sotto ar braccio
pareva che covasse li misteri
dedietro ar vetro de l'occhiali neri.

A mezzoggiorno lo vedevo spesso
ch'entrava a l'Osteria de la Speranza
pe' cojonà lo stomaco e la panza
con un po' de minestra e un po' d'allesso,
ché er Professore, fra li tanti guai,
magnava poco e chiacchierava assai.

Se aveva da discute d'una cosa
pesava le parole, e piano piano
se grattava la barba co' la mano
con una mossa seria e pensierosa,
come se ricercasse in mezzo ar pelo
l'idee che je veniveno dar Celo.

E che discorsi! Robba mai sentita!
Dice: Laonde la Raggione pura
dimostra come in tutta la Natura
esiste un'armonia prestabbilita:
er Sole è tondo, ma se fosse ovale
se chiamerebbe Sole tale e quale…

Benché nessuno ce capisse un fico
tutti quanti je daveno raggione;
e quanno l'oste, ch'era un vassallone.
l'approvava in un modo che nun dico
er Professore se copriva l'occhi
per aspettà la fine de li scrocchi.

Allora s'arrabbiava: e quarche vorta
faceva un gesto tanto esaggerato
ch'er vecchio manichetto inammidato
sortiva da la manica un po' corta,
se scartocciava, je zompava via
e ruzzicava in mezzo a l'osteria.

Per me, me disse un giorno nun c'è gnente:
io nun credo né all'ommini né a Dio...
A le donne, però? je chiesi io
Dico: ce crederà sicuramente...
Come? nemmanco a quelle? Abbia pazzienza,
ma così s'avvelena l'esistenza!

Chi vive senza fede e senza amore
nun pô sentisse l'anima tranquilla:
la fede è l'acciarino che scintilla
su le speranze che ciavemo in core,
e la prima speranza è sempre quella
d'esse capito da una donna bella.

Lei ciavrà avuto una persona cara,
forse un'amica... Lui me disse un nome,
però lo disse a mezza bocca, come
se masticasse una parola amara:
poi s'aggiustò l'occhiali, ma nun tanto
da nun fa' vede er luccichio der pianto.

E, un po' scocciato per avello detto,
tossì, sputò, se soffiò er naso e rise:
se leccò un deto e subbito se mise
a sfojà le facciate d'un libbretto;
sfoja che t'arisfoja scappò fòra
mia fotograffia d'una signora.

Eccola! disse Forse lei s'immaggina
ch'io sia tarmente stupido e balordo
da tenella qui drento pe' ricordo...
No, no... me serve per segnà la paggina...
Io nun risposi e dissi in mente mia:
Che fregatura la filosofia!

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Trilussa — Cento e uma fábulas, Seleção, Apresentação e Tradução de Lisindo Coppoli, 1957, Rede Latina Editora, São Paulo — SP; Carlo Alberto Camillo Mariano Salustri (1871 1950), Trilussa (anagrama do sobrenome), nascido em Roma Itália, foi poeta dialetal de sátiras político social, fabulista, escritor e jornalista; escreveu em dialeto romanesco; inicialmente, Trilussa publicou seus poemas em jornais, coletando-os depois em volumes, selecionando-os e aprimorando-os; bibliografia: Stelle de Roma: versi romaneschi (Cerroni e Solaro, Roma, 1889); Quaranta sonetti romaneschi (Enrico Voghera, Roma, 1895); Favole romanesche (Enrico Voghera, Roma, 1901); Ommini e bestie (Enrico Voghera, Roma, 1914); Lupi e agnelli (Enrico Voghera, Roma, 1919); La Gente (A. Mondadori, Milano, 1927); Acqua e vino (A. Mondadori Tip. Operaia Romana, Roma, 1945) e outros títulos; em português, além deste Cento e uma fábulas, os versos do poeta fabulista também foram compilados e traduzidos por Paulo Duarte na edição Versos de Trilussa (1973).

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Trilussa: A evolução


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[traduzido por Lisindo Coppoli]

Um Comunista diz a uma Galinha:
Estás no mundo desde que ele existe,
E em tanto tempo nada progrediste;
És sempre a mesma estúpida e mesquinha
Ainda cantas esse cocoré
Que cantavas na Arca de Noé.

Que querias? responde-lhe a Galinha
Que eu te botasse um ovo
De outro tamanho e de um formato novo?
Co’a gema verde e a clara vermelhinha?
Meu trabalho, porém, é sempre igual.
E meu canto não muda: é sempre aquele.
Meu cocoré te amola? Que tem ele?
Queres que eu cante a “Internacional”?

C'è del sacro in… Trilussa | LuciaLibri

L'evoluzzione

Un Communista disse a la Gallina:
Quant'anni so' ch'esisti? Tanti e tanti!
Eppure nun hai fatto un passo avanti
e sei rimasta sempre una cretina!
Saranno da li tempi de Noè
che canti coccodè!

La Gallina rispose: È la natura.
Voressi gnente che facessi l'ova
con una forma nova
cór rosso verde e co' la chiara scura?
Er mi' lavoro, invece, è sempre eguale
e la canzona mia rimane quella;
er coccodè te scoccia? oh questa è bella!
che vôi che canti? l'Internazzionale?
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Trilussa — Cento e uma fábulas, Seleção, Apresentação e Tradução de Lisindo Coppoli, 1957, Rede Latina Editora, São Paulo — SP; Carlo Alberto Camillo Mariano Salustri (1871 1950), Trilussa (anagrama do sobrenome), nascido em Roma Itália, foi poeta dialetal de sátiras político social, fabulista, escritor e jornalista; escreveu em dialeto romanesco; inicialmente, Trilussa publicou seus poemas em jornais, coletando-os depois em volumes, selecionando-os e aprimorando-os; bibliografia: Stelle de Roma: versi romaneschi (Cerroni e Solaro, Roma, 1889); Quaranta sonetti romaneschi (Enrico Voghera, Roma, 1895); Favole romanesche (Enrico Voghera, Roma, 1901); Ommini e bestie (Enrico Voghera, Roma, 1914); Lupi e agnelli (Enrico Voghera, Roma, 1919); La Gente (A. Mondadori, Milano, 1927); Acqua e vino (A. Mondadori Tip. Operaia Romana, Roma, 1945) e outros títulos; em português, além deste Cento e uma fábulas, os versos do poeta fabulista também foram compilados e traduzidos por Paulo Duarte na edição Versos de Trilussa (1973).

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Trilussa: Educação

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[traduzido por Paulo Duarte]

Quando a Mosca pousou
na beirada do prato em que eu comia,
espantei-a. Porém, com teimosia,
deu ela um giro rápido e voltou.
Enxotei-a de novo, com violência:
 Si fosse ao menos uma borboleta
que prefere a essência
das flores à imundície da sarjeta,
paciência!
Mas uma mosca suja,
nojenta como nunca vi,
cujo clima é o da porcaria, cuja
vida é a imundície, puxa já daqui!...

— Você, no fundo, a Mosca, calmamente,
responde, talvez tenha razão.
Mas o erro é um pouco seu, que, do começo,
não soube dar-me a educação
que, como um ser de Deus, também mereço.
Compreendo que me espante, como o faz,
quando me chego a um prato de iguaria,
mas não compreendo que me deixe em paz
quando me assento numa porcaria.

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Trilussa

L'educazione


Ce fu una mosca che me se posò
su un pasticcio de gnocchi; io la cacciai:
ma quella, sì! scocciante più che mai,
fece un giretto ar sole e ritornò.
— Sciò — je strillavo — sciò!...
ché, se t'acchiappo, guai!
Se fussi una farfalla, embè, pazzienza,
ché armeno, quelle, vanno su le rose:
ma tu che te la fai
su certe brutte cose, è 'na schifenza!... 
           
La Mosca me rispose: — Avrai raggione,
ma la corpa è un pò’ tua che da principio
nun m'hai saputo dà l'educazzione.
Io trovo giusto che me cacci via
se vado su la robba che te piace,
ma nun me spiego che me lasci in pace
quanno me poso su la porcheria!
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Versos de Trilussa — tradução de Paulo Duarte, 1973, Marcus Pereira Publicidade, São Paulo — SP; Carlo Alberto Camillo Mariano Salustri (1871  1950), Trilussa (anagrama do sobrenome), nascido em Roma Itália, foi poeta dialetal de sátiras político social, fabulista, escritor e jornalista; escreveu em dialeto romanesco; alguns de seus escritos: Stelle de Roma: versi romaneschi (Cerroni e Solaro, Roma, 1889); Quaranta sonetti romaneschi (Enrico Voghera, Roma, 1895); Favole romanesche (Enrico Voghera, Roma, 1901); Ommini e bestie (Enrico Voghera, Roma, 1914); Lupi e agnelli (Enrico Voghera, Roma, 1919); La Gente (A. Mondadori, Milano, 1927); Acqua e vino (A. Mondadori Tip. Operaia Romana, Roma, 1945) e outros títulos.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Trilussa: O leão reconhecido

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[traduzido por Paulo Duarte]

Num deserto africano certo leão
com um estrepe numa pata inchada,
de um tenente pediu a intervenção.
 Muitíssimo obrigado, camarada,
disse depois. Serei reconhecido,
conte com a minha gratidão.
Que deseja você? — Ser promovido,
mas isso não está na tua mão.
— Farei o que puder. De fato, nessa
mesma noite, com toda a correção,
o velho leão cumprira já a promessa:
— Amigo velho, foi dizendo, agora
pode contar com a promoção,
porque não faz nem meia hora
que acabei de comer o capitão.

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Er leone riconoscente

Ner deserto dell'Africa, un Leone
che j'era entrato un ago drento ar piede,
chiamò un Tenente pe’ l'operazzione.
— Bravo! — je disse doppo — lo t'aringrazzio:
vedrai che sarò riconoscente
d'avemme libberato da sto strazio;
qual'è er pensiere tuo? d'esse promosso?
Embè, s'io posso te darò 'na mano... 
E in quella notte istessa
mantenne la promessa
più mejo d'un cristiano;
ritornò dar Tenente e disse: — Amico,
la promozzione é certa, e te lo dico
perché me so' magnato er Capitano.
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Versos de Trilussa — tradução de Paulo Duarte, 1973, Marcus Pereira Publicidade, São Paulo — SP; Carlo Alberto Salustri (1871  1950), Trilussa (anagrama do sobrenome), nascido em Roma  Itália, poeta de sátiras político social, e também fabulista, escreveu em dialeto romanesco; alguns de seus escritos: Stelle de Roma: versi romaneschi (Cerroni e Solaro, Roma, 1889); Quaranta sonetti romaneschi (Enrico Voghera, Roma, 1895); Favole romanesche (Enrico Voghera, Roma, 1901); Ommini e bestie (Enrico Voghera, Roma, 1914); Lupi e agnelli (Enrico Voghera, Roma, 1919); La Gente (A. Mondadori, Milano, 1927); Acqua e vino (A. Mondadori  Tip. Operaia Romana, Roma, 1945) e outros títulos.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Trilussa: A minha estrada

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[traduzido por Paulo Duarte]

A estrada é longa, mas está por pouco.
Sei bem para onde vou, não tenho pressa.
O coração tranqüilo e na cabeça,
a paz de um sábio que se finge louco.
Si acaso um pensamento mau desfila,
com um bom trago, peço ajuda ao vinho,
a cantar, sigo após o meu caminho,
o Destino levando na mochila...

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Trilussa

La Strada mia

La strada è lunga, ma er deppiù l’ho fatto:
so dov’arrivo e nun me pijo pena.
Ciò er core in pace e l'anima serena
der savio che s'ammaschera da matto.
Se me frulla un pensiero che me scoccia
me fermo a beve e chiedo ajuto ar vino:
poi me la canto e seguito er cammino
cor destino in saccoccia.

Libro Muto — 1934
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Versos de Trilussa — Tradução de Paulo Duarte, 1973, Marcus Pereira Publicidade, São Paulo — SP; Carlo Alberto Camillo Mariano Salustri (1871 1950), Trilussa (anagrama do sobrenome), nascido em Roma Itália, foi poeta dialetal de sátiras político-sociais, fabulista, escritor e jornalista; escreveu em dialeto romanesco e publicou seus primeiros versos aos dezesseis anos, quando iniciou sua colaboração nos jornais Rugantino e, depois, no Don Chisciotte; sua bibliografia: Stelle de Roma: versi romaneschi (Cerroni e Solaro, Roma, 1889); Quaranta sonetti romaneschi (Enrico Voghera, Roma, 1895); Favole romanesche (Enrico Voghera, Roma, 1901); Ommini e bestie (Enrico Voghera, Roma, 1914); Lupi e agnelli (Enrico Voghera, Roma, 1919); I Sonetti (A. Mondadori, Milano, 1922); La Gente (A. Mondadori, Milano, 1927); Acqua e vino (A. Mondadori Tip. Operaia Romana, Roma, 1945) e muitos outros títulos.