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domingo, 8 de novembro de 2020

Manuel Botelho de Oliveira: Aos maus juízes

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Que julgas, ó ministro da justiça?
Por que fazes das leis arbítrio errado?
Cuidas que dás sentença sem pecado,
sendo que algum respeito mais te atiça,

para obrar os enganos da justiça?
Bem que teu peito vive confiado,
o entendimento tens todo arrastado
por amor, ou por ódio, ou por cobiça.

Se tens amor, julgaste o que te manda;
se tens ódio, no inferno tens o pleito,
se tens cobiça, é bárbara e execranda.

Oh, miséria fatal de todo o feito!
Que não basta o direito da demanda,
se o julgador te nega esse direito...

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Humor e Humorismo — Poesias e Versos e Paródias de Poemas Famosos — Antologia, Organização de Idel Becker, 1961, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Manoel Botelho de Oliveira (1636 1711), baiano de Salvador, formado em Direito na Universidade de Coimbra Portugal e, de volta ao Brasil, exerceu advocacia, dedicou-se à política e foi poeta barroco; Manoel Botelho escreveu versos na forma de sonetos, madrigais, décimas, redondilhas, romances, oitavas e silvas; tendo sido cultor da poesia de Góngora, é tido como o maior representante do culteranismo gongórico no Brasil; bibliografia: Música do Parnasso (apresentado em quatro línguas: português, espanhol, italiano e latim, 1705); o poeta, como aqui se vê, versejou em quatro línguas.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Botelho de Oliveira: Persuade a Anarda que ame [soneto]

 Imagem relacionada
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Anarda vê na estrela, que em piedoso
Vital influxo move amor querido,
Adverte no jasmim, que embranquecido
Cândida fé publica de amoroso.

Considera no Sol, que luminoso
Ama o jardim de flores guarnecido;
Na rosa adverte, que em coral florido
De Vênus veste o nácar lastimoso.

Anarda pois, não queiras arrogante
Com desdém singular de rigorosa
As armas desprezar do Deus triunfante:

Como de amor te livras poderosa,
Se em teu gesto florido e rutilante
És estrela, és jasmim, és sol, és rosa?

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Os Sonetos (Antologia — Diversos autores), Coordenação Gráfica de Rogério Ramos e Capa e Ilustrações de Percy Deane, 1982, Edição especial para o Banco Lar Brasileiro S.A., LR Editores Ltda, São Paulo — SP; Manoel Botelho de Oliveira (1636 1711), baiano de Salvador, formado em Direito na Universidade de Coimbra  Portugal e, de volta ao Brasil, exerceu advocacia, dedicou-se à política e foi poeta barroco; Manoel Botelho escreveu versos na forma de sonetos, madrigais, décimas, redondilhas, romances, oitavas e silvas; tendo sido cultor da poesia de Góngora, é tido como o maior representante do culteranismo gongórico no Brasil; bibliografia: Música do Parnasso (apresentado em quatro línguas: português, espanhol, italiano e latim, 1705).

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Manoel Botelho de Oliveira: Rosa, e Anarda

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Soneto XX

Rosa da formosura, Anarda bela
igualmente se ostenta como a rosa;
Anarda mais que as flores é fermosa,
mais fermosa que as flores brilha aquela.

A rosa com espinhos se desvela,
arma-se Anarda espinhos de impiedosa;
na fronte Anarda tem púrpura airosa,
a rosa é dos jardins purpúrea estrela.

Brota o carmim da rosa doce alento,
respira olor de Anarda o carmim breve, **
ambas dos olhos são contentamento:

mas esta diferença Anarda teve:
que a rosa deve ao sol seu luzimento,
o sol seu luzimento a Anarda deve.



Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos:
* O soneto compara Anarda com a rosa, para só no terceto final apontar a diferença entre uma e outra: o Sol ilumina a rosa, mas Anarda é que empresta o brilho ao Sol...
** entenda-se: o carmim da rosa produz perfume, e assim também o breve carmim (boca) de Anarda.
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Poesia Barroca, Antologia  Introdução, Seleção e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1967, Edições Melhoramentos, São Paulo — SP; Manoel Botelho de Oliveira (1636 1711), baiano de Salvador, formou-se em Direito na Universidade de Coimbra Portugal e, de volta ao Brasil, exerceu advocacia, dedicou-se à política e foi poeta barroco; Manoel Botelho escreveu versos na forma de sonetos, madrigais, décimas, redondilhas, romances, oitavas e silvas; tendo sido cultor da poesia de Góngora, é tido como o maior representante do culteranismo gongórico no Brasil; bibliografia: Música do Parnasso (apresentado em quatro línguas: português, espanhol, italiano e latim, 1705).