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A Luís
Delfino
Não foram
dois heróis mas foram dois chacais!
Fizeram-se
no tempo em que uma tirania
Co’a
descarnada mão da morta monarquia
Esbofeteava
a Lei nos fojos imperiais!
Eram dignos
um d’outro os míseros rivais:
Enquanto um,
menos nobre, à infâmia se vendia
O outro,
Judas vil, as suas leis traía
Roubando uma
coroa à fronte de seus pais!...
Hoje,
feitos de bronze e erguidos pelas praças
Para glória
dos reis e insulto às populaças,
Um — cospe desdenhoso escárnios à Nação;
Enquanto,
sobre o pó do fúnebre banquete,
Outro — tenta apagar co’a pata do ginete
A luz da
liberdade e a sombra d’um Catão!
Rio de
Janeiro
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Revolta e protesto na poesia brasileira
— 142 poemas sobre o Brasil [diversas autorias], Organização e Apresentação de André
Seffrin, 2021, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Antônio Vicente da Fontoura Xavier (1856
— 1922), gaúcho de Cachoeira do Sul, foi jornalista, tradutor, poeta e diplomata;
colaborou com os periódicos Besouro, Gazeta de Notícias, Repórter e Revista Ilustrada,
no Rio de Janeiro, além de ter sido redator do jornal carioca A Semana e um dos
fundadores do jornal Gazetinha, juntamente com Artur de Azevedo e Aníbal Falcão;
traduziu poemas de Poe, Baudelaire, Jean Moréas, Sully Prudhomme e Shakespeare; obras: O Régio Saltimbanco (versos contra a monarquia, 1877) e Opalas (poesias,
1ª edição em 1884 e edição definitiva em 1905); Fontoura Xavier serviu como diplomata
em diversos países (Estados Unidos, Cuba, México, Suíça, Argentina, Guatemala, Inglaterra,
Espanha e Portugal).




