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terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Nelson Maca: As lágrimas de Benedita


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Para Benedita da Silva

As lágrimas de Benedita
Escorrem sobre minha própria face

O sal na boca de quem acredita
A dor no peito de quem prova
A solidão do cárcere do amigo

A cor de Benedita
Espalha-se em minha própria pele

O preto de quem reivindica
A cor de quem comprova
Na multidão, liberdade vigiada

A história de Benedita
Alastra-se na minha própria família

O pai que enfrentou os batalhões
A mãe que não fugiu à luta
O desfazimento da diáspora

A FORÇA DE BENEDITA ENTRANHADA EM MEUS MÚSCULOS

Dá rigidez pra carne viva
Robustez pra memória afetiva
A CERTEZA DE QUE É TEMPO DE LUTA!

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Negritude — [10 poetas & 30 poemas] coleção SLAM, Organização de Emerson Alcalde, 2019, Autonomia Literária, São Paulo — SP; Nelson Maca, ou Nelson Gonçalves, paranaense de Telêmaco Borba, nascido em 1965, em Curitiba fez o curso técnico de Mecânica no CEFET-PR e iniciou Letras na UFPR Universidade Federal do Paraná, mudando-se para Salvador BA transferiu o curso para a UFBA Universidade Federal da Bahia, concluiu licenciatura, bacharelado e especialização em literatura, é poeta, professor e agitador cultural; sua iniciação na poesia deu-se ainda em Curitiba, após conclusão do ensino médio; em terra baiana criou o Coletivo Blackitude: Vozes Negras da Bahia, reunindo poetas, artistas e ativistas de Hip Hop, tornou-se um dos membros do Conselho Estadual de Cultura da Bahia; escreveu e publicou Gramática da Ira (poesia, 2015), Relatos da Guerra Preta ou Bahia Baixa Estação (conto, 2020), Ani: todos os Felas do mundo (romance, 2021) e outros textos.