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Para Benedita da Silva
As lágrimas de Benedita
Escorrem sobre minha
própria face
O sal na boca de quem
acredita
A dor no peito de quem
prova
A solidão do cárcere do
amigo
A cor de Benedita
Espalha-se em minha
própria pele
O preto de quem reivindica
A cor de quem comprova
Na multidão, liberdade
vigiada
A história de Benedita
Alastra-se na minha própria
família
O pai que enfrentou os
batalhões
A mãe que não fugiu à luta
O desfazimento da diáspora
A FORÇA DE BENEDITA
ENTRANHADA EM MEUS MÚSCULOS
Dá rigidez pra carne viva
Robustez pra memória
afetiva
A CERTEZA DE QUE É TEMPO
DE LUTA!
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Negritude — [10 poetas & 30 poemas] coleção SLAM, Organização
de Emerson Alcalde, 2019, Autonomia Literária, São Paulo — SP; Nelson Maca, ou Nelson
Gonçalves, paranaense de Telêmaco Borba, nascido em 1965, em Curitiba fez o curso
técnico de Mecânica no CEFET-PR e iniciou Letras na UFPR — Universidade Federal
do Paraná, mudando-se para Salvador — BA transferiu o curso para a UFBA — Universidade
Federal da Bahia, concluiu licenciatura, bacharelado e especialização em
literatura, é poeta, professor e agitador cultural; sua iniciação na poesia
deu-se ainda em Curitiba, após conclusão do ensino médio; em terra baiana criou
o Coletivo Blackitude: Vozes Negras da Bahia, reunindo poetas, artistas e
ativistas de Hip Hop, tornou-se um dos membros do Conselho Estadual de Cultura
da Bahia; escreveu e publicou Gramática da Ira (poesia, 2015), Relatos da
Guerra Preta ou Bahia Baixa Estação (conto, 2020), Ani: todos os Felas do mundo
(romance, 2021) e outros textos.