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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Nóbrega de Siqueira: O pequeno jornal

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Sempre que abro e releio o livro do passado,
aos meus olhos ressurge um pequeno jornal,
modesto e sem clichês, feio e mal paginado,
gazeta do interior, simples, dominical.

Nunca teve, por certo, um número esgotado;
sua circulação era apenas local.
Chamava de excelência o juiz e o delegado
e abria com um soneto a “crônica social”.

Apesar disso tudo, é com grande saudade
que dele me recordo e também da cidade
bucólica e tranqüila, onde, há tempos, nasceu...

Ruas sem movimento, a escola, uma igrejinha,
a farmácia da esquina… A cidade era a minha!
A mais linda do mundo!  E o soneto era meu...
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima, Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Samuel Nóbrega de Siqueira (1905 1986), paulista de Jaú, formado em jornalismo pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, foi jornalista, crítico teatral, escritor e poeta; colaborou na imprensa paulista (Diário Nacional, Correio Paulistano, A Razão) e na fluminense (A Nação, A Imprensa, Folha do Rio, Folha Carioca, A Notícia, O Dia e Diário de Notícias Niterói); foi sócio-fundador e participante da primeira diretoria da Associação Brasileira de Críticos Teatrais; escreveu e publicou Faz de conta (poesia, 1933), Memórias do Almirante Jaceguay: o norte do país visto por um repórter paulista (prosa, 1934), Copacabana (poesia, 1939), Canto ao Brasil novo (poesia, 1939), Terra roxa (poesia, 1955), Sanhaços (poesia, 1958), Poemas de amor (1958) e Cantos da terra e do homem (poesia, 1960); como técnico de cooperativismo do Ministério da Agricultura, organizou cooperativas rurais em São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Rio de Janeiro.