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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Bocage: Dos tórridos sertões, pejados d'ouro... (soneto)

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Dos tórridos sertões, pejados d’ouro,
Saiu um sabichão d’escassa fama,
Que os livros preza, os cartapácios ama,
Que das línguas repartem o tesouro:

Arranha o persiano, arranha o mouro,
Sabe que Deus em turco Alá se chama;
Que no grego alfabeto o G é gama,
Que taurus em latim quer dizer touro:

Para papaguear saiu do mato:
Abocanha talentos, que não goza;
É mono, e prega unhadas como gato:

É nada em verso, quase nada em prosa:
Não conheces, leitor, neste retrato
o guapo charlatão Tomé Barbosa?

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Grandes Sonetos da Nossa Língua  Seleção, Organização e breve Prefácio, de José Lino Grünewald, 1987, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro RJ; Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765 1805), nascido em Setúbal Portugal, foi poeta representante do arcadismo lusitano; segue para Lisboa (1783), se alista na marinha de guerra, passa a participar da vida boêmia da cidade, e, após, parte para Goa, colônia portuguesa na Índia (1786), depois segue para Damão, outra colônia naquele país, daí seguindo para Macau, possessão portuguesa na China, retornando então para Portugal (1790); Bocage escrevia desde a mais tenra idade, e, ao publicar sua primeira obra, Rimas (1791), foi convidado a participar da academia de belas artes Nova Arcádia e adotou o pseudônimo de Elmano Sadino (Elmano  anagrama de Manoel, e Sadino homenagem ao Rio Sado, que banha Setúbal, sua cidade natal); em 1797, acusado de heresia e de levar vida devassa, o poeta foi encarcerado e, após passar por diversas prisões, hospícios e conventos, foi libertado no último dia de 1798; publicou mais duas novas séries de poesias, às quais também deu o nome de Rimas (1799 e 1804); outros escritos: A Morte de D. Ignez, Improvisos de Bocage, Mágoas Amorosas de Elmano, Queixumes do Pastor Elmano Contra a Falsidade da Pastora Urselina, ...