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Meia-noite. Ao
meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:
na bruta ardência orgânica da sede,
morde-me a goela ígneo e escaldante molho.
"Vou mandar levantar outra parede..."
— digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
e olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
circularmente sobre a minha rede!
Pego de um pau. Esforços faço. Chego
a tocá-lo. Minh'alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!
A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
imperceptivelmente em nosso quarto!
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:
na bruta ardência orgânica da sede,
morde-me a goela ígneo e escaldante molho.
"Vou mandar levantar outra parede..."
— digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
e olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
circularmente sobre a minha rede!
Pego de um pau. Esforços faço. Chego
a tocá-lo. Minh'alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!
A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
imperceptivelmente em nosso quarto!
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Livro dos Poemas — uma
antologia de poetas brasileiros e portugueses, Organização e Notas de Sergio
Faraco, 2009, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884 — 1914), paraibano de
Sapé, antiga Cruz do Espírito Santo, formado em Direito pela Faculdade de Recife, foi professor e poeta, tendo publicado em vida sua única obra, Eu (1912); em 1920, foi
editado na Paraíba, Eu e Outras Poesias, reunindo a sua produção
posterior ao primeiro e único livro; hoje é um dos poetas mais estudados e
reeditados no Brasil.


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