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Ah! que eterno poder maravilhoso
Era esse que o corpo te animava,
E que a tu’alma límpida vibrava
Como um plangente carrilhão
mavioso?...
Que sol ardente, que fecunda lava,
Que secreto clarão, mago e radioso,
Dentro em teu ser, como um vulcão
raivoso,
Eternamente em convulsões
estuava?...
Que anjos celestes, cândidos e
graves,
Faziam do teu ser floridas naves,
Cheias de augusto cânticos
eternos?...
Que mão foi essa, lívida e gelada.
Que sufocou tu’alma, acrisolada
Na tortura de todos os
infernos?!...
(Vanitas Vanitatum, pág. 49)
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Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro
— Volume 2 (Coleção de Literatura Brasileira 12), Pesquisa, Prefácio, Introdução,
Organização e Notas, por Andrade Muricy, 1973, Ministério de Educação e Cultura
— Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Carlos Augusto Furtado de Mendonça Dias Fernandes (1874 —
1942), paraibano de Mamanguape, formado em Direito no Recife, foi poeta, romancista,
contista, biógrafo, pedagogo e jornalista; suas obras: Solaus (Paris, 1902), Vanitas
Vanitatum (Belém, 1906), Canção de Vesta (Recife, 1908), A Renegada (romance, Recife,
1908), Os Cangaceiros (romance, Paraíba, 1914), Palma de Acantos (Paraíba, 1917),
Escola Pitoresca (livro didático “de leitura para as escolas de terceiro grau e
complementares”, Paraíba, 1918), Mirian (1920), Livro das Parcas (Paraíba, 1921),
Terra da Promissão (Paraíba, 1923), Sansão e Dalila (Paraíba, 1923), A Vindicta
(1931), Fretana (romance autobiográfico, 1936), entre outros títulos em verso e
prosa; no romance autobiográfico Fretana “evoca episódios e figuras do movimento
simbolista”; Carlos Fernandes, poeta da geração simbolista, andarilho, percorreu
vários Estados, residiu em diversas cidades do país e, por onde passou, escreveu
em muitos jornais e revistas, entre os quais n’A Gazeta da Tarde, A
Cidade do Rio, Jornal do Comércio e na Revista Rosa-Cruz — de inspiração simbolista, periódicos do Rio de Janeiro, A Gazeta de Belém e Província do Pará, ambas do Pará, A União, da Paraíba; o poeta jornalista Carlos Fernandes também foi fundador da revista Meridional e
cofundador da já mencionada revista Rosa-Cruz, ao lado de Saturnino Meirelles,
também poeta simbolista, e outros; é patrono da Academia Paraibana de Letras —
cadeira 32; veio a falecer no Rio de Janeiro.


