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[traduzido por Barão de
Paranapiacaba]Na primavera da vida
Deixei a paterna herdade,
Abandonando os prazeres
Da risonha mocidade.
À herança renunciando,
E a tudo que possuía,
Encetei minha viagem
Crente e cheio de alegria;
E, de infantis sentimentos
Transbordando o coração,
Segui levando na dextra
Do peregrino o bordão.
A voz da crença indistinta
E da esperança fervente
Dizia-me: é livre a estrada,
Vai sempre para o nascente
Té que topes e transponhas
Fulgurante porta de ouro
Onde tudo que se avista
É celeste e imorredouro!
Veio a noite, e novo dia,
E eu sempre a andar, na esperança;
Ver o que busco e desejo
Minha alma ainda não alcança.
Embargaram-me a passagem
Barreiras de águas e montes;
Vales, abismos, torrentes
Vinguei por meio de pontes.
Cheguei a um rio que a leste
Corria em manso coleio,
E em suas águas tranquilas
Atirei-me sem receio;
Pela corrente impelido
Eu fui até um vasto mar,
Sem que neste ainda pudesse,
O que buscava encontrar.
O meu alvo está distante,
Na imensidade sem fim:
Vou-lhe após, mas não me é dado
Vê-lo mais perto de mim.
Ai de mim! Ninguém me aponta
Caminho que me conduza
Ao que me está de contínuo
A fugir da vista ilusa!
Acima de nós, bem alto,
Ai! o céu meus olhos vêem...
Mas não toca o céu na terra,
E não há na terra o Além.
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| Friedrich Schiller |
Der Pilgrim
Noch in meines Lebens Lenze
War ich, und ich wandert aus,
Und der Jugend frohe Tänze
Liess ich in des Vaters Haus.
All mein Erbtheil, meine Habe
Warf ich fröhlich glaubend hin,
Und am leichten Pilgerstabe
Zog ich fort mit Kindersinn.
Denn mich trieb ein mächtig Hoffen
Und ein dunkles Glaubenswort:
Wandle, riefs, der Weg ist offen,
Immer nach dem Aufgang fort,
Bis zu einer goldnen Pforten
Du gelangst, da gehst du ein,
Denn das Irdische wird dorten
Himmlisch, unvergänglich sein.
Abend wards und wurde Morgen,
Nimmer, nimmer stand ich still,
Aber immer bliebs verborgen,
Was ich suche, was ich will.
Berge lagen mir im Wege,
Ströme hemmten meinen Fuss.
Über Schlünde baut ich Stege,
Brücken durch den wilden Fluss.
Und zu eines Stroms Gestaden
Kam ich, der nach Morgen floss,
Froh vertrauend seinem Faden,
Werf ich mich in seinen Schooss.
Hin zu einem grossen Meere
Trieb mich seiner Wellen Spiel,
Vor mir liegts in weiter Leere,
Näher bin ich nicht dem Ziel.
Ach kein Steg will dahin führen,
Ach der Himmel über mir
Will die Erde nie berühren,
Und das Dort ist niemals hier!
____________________O Livro de Ouro da Poesia Alemã — Antologias de Poetas da Língua Alemã, (diversos autores e tradutores), Apresentação e Seleção de Geir Campos, edição bilíngue, Clássicos de Bolso, 1985, Ediouro, Rio de Janeiro — RJ; Johann Christoph Friedrich von Schiller (1759 — 1805), alemão de Marbach am Neckar, inicia o curso de Direito, abandona, e forma-se em Medicina; foi poeta, filósofo, médico, professor, dramaturgo e historiador; considerado grande homem das letras, foi um dos principais representantes do Romantismo e do Classicismo alemão; sua obra: em dramaturgia: Os Bandoleiros (1781), Wallestein (1799), Maria Stuart (1800), A Noiva de Messina (1803), Guilherm Tell (1803—1804) etc., em poesia: Os Artistas (1788), Ode à Alegria (1785), A Luva (1797), O Canto do Sino (1799) e outros, em prosa: Cartas Filosóficas (1786), Da Arte Trágica (1792), Do Patético (1793), Poesia Ingênua e Sentimental (1796), História da Separação dos Países Baixos (1788), História da Guerra dos Trinta Anos (inacabada, 1791—1793) e outros títulos.
