
Eu sou "Leandro", porém
"Ouou" me cai
muito bem
por causa do meu latido.
Se chegam desconhecidos
aí sim, eu solto a voz,
porque Leila me ensinou:
“Cuidado: gente feroz!”

Já perguntaram pra mim,
se inspirei uns versos dela
sobre um tal de "Rin Tin
Rin".
Isso eu não sei (talvez sim),
não conheço este carinha,
nunca fui apresentado
(será que agita a patinha
quando também pede agrado?).
Sou "Lobo", pra
vizinhança,
sou "Totó" para
as crianças,
mas pros íntimos de casa,
não ligo pra nome não:
fico prosa e todo em brasa
quando a mão deles me afaga,
dizendo muda: meu cão.

* Nota deste Verso e Conversa:
na página leilamiccolis.blogspot.com/ a
autora registra que o nome deste poema é uma paráfrase do título de um poema de T.S. Eliot, "Dar nome aos gatos"; Leila Míccolis também faz constar que
Ouou ainda chegou a ver o livro, pois morreu em outubro de 2010.
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Poemas que latem ao coração! —
Os mais belos poemas sobre cães (diversos autores), Organização de Ulisses Tavares
e Apresentação de Luisa Mell, 2009, Editora Nova Alexandria, São Paulo — SP; Leila
Míccolis, nascida em 1947, fluminense de Maricá, formada em advocacia pela antiga
Faculdade Nacional de Direito (hoje UFRJ), mestrado e doutorado em Ciência da Literatura
(Teoria Literária) também pela UFRJ, é poetisa, ensaísta, romancista, contista,
roteirista de cinema e televisão, dramaturga, editora e professora; estreou na poesia
com Gaveta da Solidão (1965) e fez parte da geração de poetas da década de 1970,
conhecida como ‘Poesia Marginal’ e ‘Geração Mimeógrafo’, no Rio de Janeiro, em São
Paulo e algumas outras capitais; escreveu roteiros para a televisão, tendo sido
co-autora de telenovelas; possui 30 livros editados (poesia e prosa), com obras
publicadas em países como França, México, Colômbia, Estados Unidos e Portugal.




