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quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Edward Lear: Caranguejos rastejam frios

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[traduzido por José Lino Grünewald]

Caranguejos rastejam frios nas colinas,
Mais frios os pepinos que abaixo as povoam,
E mais frias as fendas brônzeas que coroam
    Treva em tédio das filosofais aspirinas!
Pois quando a leve pele do néctar apinha
As amplas taças, de homens e demônios cheias,
Ali se oculta o fraco rato, a ave plebéia,
    E por lá o porco-espinho com todos espinhos.
Também fica a tecer em solene tensão
O triste divagar que moroso morria,
A diária partida no partir do dia
Gama de verde ervilha em distante extensão
Quando focas manhosas estão em congresso —
    Assim assim é a vida

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Edward Lear

Cold are the crabs

Cold are the crabs that crawl on yonder hills,
Colder the cucumbers that grow beneath,
And colder still the brazen chops that wreathe
    The tedious gloom of philosophic pills!
For when the tardy gloom of nectar fills
The ample bowls of demons and of men,
There lurks the feeble mouse, the homely hen,
    And there the porcupine with all her quills.
Yet much remains to weave a solemn strain
That lingering sadly slowly dies away,
Daily departing with departing day
A pea green gamut on a distant plain
Where wily walrusses in congress meet
    Such such is life
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Grandes Poetas da Língua Inglesa do Século XIX, edição bilíngue, Seleção, Tradução e Organização de José Lino Grünewald, 1988, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Edward Lear (1812 1888), inglês e londrino, distrito de Highgate, teve pouca educação formal, foi pintor, ilustrador, escritor e poeta nonsense; em 1837 deu início à publicação dos seus Illustrated Journals of a Landscape Painter (Diários Ilustrados de um Pintor de Paisagens); o poeta e ilustrador teve uma vida nômade e andejou constantemente pela Europa e pela Ásia; obras: A Book of Nonsense (Livro de Nonsense, 1846, edição ampliada em 1861) e outros títulos.