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terça-feira, 1 de agosto de 2017

Manuel Inácio da Silva Alvarenga: O Amante Infeliz

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Glaura! Glaura! Não respondes?
E te escondes nestas brenhas?
Dou às penhas meu lamento;
Oh tormento sem igual!

Ao amor cruel e esquivo
Entreguei minha esperança,
Que me pinta na lembrança
Mais ativo o fero mal.

Não verás em peito amante
Coração de mais ternura,
Nem que guarde fé mais pura,
Mais constante e mais leal.

Glaura! Glaura! Não respondes?
E te escondes nestas brenhas?
Dou às penhas meu lamento;
Oh tormento sem igual!

Se não vens, por que te chamo,
Aqui deixo junto ao rio
Estas pérolas num fio,
Este ramo de coral.

Entre a murta que se enlaça
Com as flores mais mimosas,
Acharás purpúreas rosas
Numa taça de cristal.

Glaura! Glaura! Não respondes?
E te escondes nestas brenhas?
Dou às penhas meu lamento;
Oh tormento sem igual!

Vejo turvo o claro dia;
Sombra feia me acompanha;
Não encontro na montanha
A alegria natural.

Tanto a mágoa me importuna,
Que o viver já me aborrece;
Para um triste que padece,
É fortuna o ser mortal.

Glaura! Glaura! Não respondes?
E te escondes nestas brenhas?
Dou às penhas meu lamento;
Oh tormento sem igual!

Onde estou? troveja... o raio...
Foge a luz... os arvoredos...
Abalados os rochedos...
Já desmaio... oh dor fatal.

Ninfa ingrata, esta vitória
Alcançaram teus retiros;
Leva os últimos suspiros
Por memória triunfal.

Glaura! Glaura! Não respondes?
E te escondes nestas brenhas?
Dou às penhas meu lamento;
Oh tormento sem igual!
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Poesia do Ouro (Antologia) — Os Mais Belos Versos da “Escola Mineira”, Introdução, Seleção e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1964, Edições Melhoramentos, São Paulo — SP; Manuel Inácio da Silva Alvarenga (1749 — 1814), mineiro de Vila Rica (atual Ouro Preto — MG), estudou Humanidades, no Rio de Janeiro, e Matemática e Direito Canônico, na Universidade de Coimbra Portugal, foi poeta e um dos participantes do Arcadismo brasileiro; de volta ao Rio de Janeiro, dedicou-se à advocacia e ao ensino, lecionou Retórica e Poética, tendo sido um membro influente da Sociedade Literária (1786), que se tornou um clube de idéias democráticas inspiradas na Revolução Francesa; Silva Alvarenga, junto com outros associados, foi preso no período de 1794 a 1797, tendo sido solto por clemência de D. Maria I; com a criação da imprensa colabora n’O Patriota, tornando-se um dos primeiros jornalistas no brasil; escreveu e publicou O Desertor (1774), O Templo de Netuno (1777), Às Artes (1778), A Gruta Americana (1779), Glaura (1799); o poeta também fez uso do pseudônimo Alcindo Palmireno; suas outras poesias, de publicação esparsa, coligidas por Joaquim Norberto e somadas às obras já editadas, resultaram nas Obras Poéticas de Manuel Inácio da Silva Alvarenga — Alcindo Palmireno (2 volumes, 1864).