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domingo, 14 de abril de 2019

Júlio Salusse: Os cisnes

Resultado de imagem para Inspirados Sonetos de autores brasileiros e portugueses
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A vida, manso lago azul algumas
Vezes, algumas vezes mar fremente,
Tem sido para nós constantemente
Um lago azul sem ondas, sem espumas.

E nele, quando desfazendo as brumas
Matinais, rompe um sol vermelho e quente,
Nós dois vogamos, indolentemente,
Como dois cisnes de alvacentas plumas.

Um dia um cisne morrerá, por certo:
E, quando chegar esse momento incerto,
No lago, onde talvez a água se tisne,

Que o cisne vivo, cheio de saudade,
Nunca mais cante, nem sozinho nade,
Nem nade nunca ao lado de outro cisne!

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Inspirados Sonetos de Autores Brasileiros e Portugueses, Organização e Seleção de Milton Xavier de Carvalho e Prefácio de Morvan Acayaba de Rezende, 1996, FUMARC — Fundação Mariana Resende Costa, Contagem — MG; Júlio Mário Salusse (1872 1948), nascido em Bom Jardim —  RJ, estudou Direito em São Paulo, nas Arcadas (USP Largo São Francisco), interrompeu os estudos, passou oito meses em Paris, e formou-se no Rio de Janeiro; foi promotor, advogado e poeta; escreveu e publicou Nevrose Azul (1895) e Sombras (1901).

sábado, 4 de abril de 2015

Júlio Salusse: A minha vida é a planta que as procelas . . . [soneto]

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 “A minha vida é a planta, que as procelas
sacudiram, torcendo-lhe a raiz...
Tive ambições e a mais ardente delas
foi a da glória  e a glória não me quis!

Vi, como sombras, poéticas donzelas,
sombras que se apagaram, como o giz...
Os sonhos meus eram batéis sem velas!
Perdi-os todos. Fui, talvez, feliz!   

Sempre o destino olhei com tédio e medo,
pois vim ao mundo muito tarde ou cedo...
Rosas plantei e a flor do mal colhi!   

Ainda que pudesse, eu não quisera
voltar à Mocidade, à primavera
de um tempo que passou, mas não vivi!”

(Júlio Salusse, o último Petrarca,
 por Nilo Bruzzi  segunda edição,
 1956, Editora Aurora, Rio de Janeiro)



Nota do Organizador:
Este soneto, que Bruzzi estampa sem título, é de 1947 e o último de Salusse, segundo o mesmo Bruzzi.
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Poesia Parnasiana — Antologia (vários autores), Introdução, Seleção e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1967, Edições Melhoramentos, São Paulo — SP; Júlio Mário Salusse (1872 1948), nascido em Bom Jardim, no Rio de Janeiro, estudou Direito em São Paulo, nas Arcadas (USP  Largo São Francisco), interrompeu os estudos, passou oito meses em Paris, e formou-se no Rio de Janeiro; foi promotor, advogado e poeta; escreveu e publicou Nevrose Azul (1895) e Sombras (1901).