domingo, 2 de agosto de 2009

Genésio dos Santos: Viagem

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Livro: Número Um De Genésio Dos Santos
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Viajo ao acaso.
Não sei para onde nem por quê,

nem sei se perto ou se distante.
Sei que viajo para algures.


Tomara que lá eu possa chorar,
aqui me envergonho de fazê-lo.

Tomara que lá se viva,
estou morto.


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Número Um, poesias, Edição do Autor, 1978, São Paulo — SP; Genésio dos Santos, nascido em 1952, paulista de Itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até agorinha mesmo foi bancário, hoje aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou Número Um (poesias, 1978) Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para os jornais O Espelho — SP, Folha Bancária e pilotou o devezenquandário Na Moita (1991  1997), editados sob a responsabilidade do Sindicato dos Bancários de São Paulo; é aprendiz de blogueiro.

Genésio dos Santos: Metamorfose

Livro: Número Um De Genésio Dos Santos
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Algo me marcou
através dos tempos.
Não foi a vida passada.
Não foi o tempo presente
nem o tempo futuro.
Tenho certeza
que não foi a existência.

A marca não foi a idade.
Não foi o pressentimento (desejo)
da vida após a morte
nem o temor
da morte após a vida.
A marca não foi o eterno.
Disso, eu também tenho certeza.

A metamorfose constante
que domina o perseguido
que persegue o dominante
é a marca que eu carrego.


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Número Um (1978); Genésio dos Santos é poeta e cronista.

sábado, 1 de agosto de 2009

Luís Vaz de Camões: Sete anos de pastor Jacob servia...



Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prêmio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fôra assi negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: – Mais servira, se não fôra
Pera tão longo amor tão curta a vida!
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CAMÕES, Luís Vaz de. Obras completas. Pref. e notas de Hernâni Cidade. Lisboa: Sá da Costa, /1946/. V. 1., pp. 193-4. Foi mantida a ortografia da edição.

Juó Bananére: Sunetto crassico



SETTE anno di pastore, Giacó servia Labó,
Padre da Raffaella, serrana bella,
Ma non servia o pai, che illo non era troxa nó!
Servia a Raffaella p'ra si gazá c'oella.

I os dia, na esperanza di un dia só,
Apassava spiano na gianella;
Ma o páio, fugino da gombinaçó,
Deu a Lia inveiz da Raffaela.

Quano o Giacó adiscobri o ingano,
E che tigna gaido na sparrella,
Ficô c'un brutto d'un garó di arara

I incominció di servi otros sette anno
dizeno: Si o Labó non fossi o pai della
Io pigava elli i lí quibrava a gara.
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La Divina Increnca, publicado em 1915 - Livro di Prupaganda da Literatura Nazionale. Juó Bananére, pseudônimo de Alexandre Marcondes Machado (1892 -1933). Candidato á Gademia Baolista de Letras - Arma Virunque Cano! Ferri - E di sai du governimo acarregado nus braço du povo! Hermeze - A bandiera du P. R. C. á di sê pindurada na porta du Palazzo né chi sejia tutto furada di bala i lameada di sangue! Capitó - Edição fac-similar, 2001 - reimpressão, 2007 - Editora 34, São Paulo - SP.