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Amar-te — não por gozo da vaidade,
Não movido de orgulho ou de
ambição.
Não à procura da felicidade,
Não por divertimento à solidão.
Amar-te — não por tua mocidade
— Risos, cores e luzes de verão —
E menos por fugir à ociosidade,
Como exercício para o coração.
Amar-te por amar-te: sem agora,
Sem ontem, sem futuro, sem
mesquinha
Esperança de amor, sem causa ou
rumo.
Trazer-te
incorporada vida fora,
Carne de minha carne, filha minha,
Viver do fogo em que ardo e me
consumo.
* No
Prefácio da 1ª. edição desta Antologia, o poeta Vinícius de Moraes escreveu a
propósito dos bissextos: “... poetas
que nós, seus íntimos, chamamos cordialmente de bissextos — poetas
sem livros de versos — bissextos pela escassez de sua produção, cuja
excelência sem embargo os coloca ao lado dos mais citados”
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Antologia dos Poetas Brasileiros — Bissextos
Contemporâneos, Organização de Manuel Bandeira, 1996, Editora Nova Fronteira,
Rio de Janeiro — RJ; Aurélio Buarque de Holanda Ferreira (1910 — 1989), alagoano de Passo de Caramagibe, formado em Direito pela Faculdade de
Recife, foi filólogo, lexicógrafo, professor, tradutor, ensaísta e crítico
literário, mas também um poeta bissexto *; desde 1938 passa a residir no Rio de Janeiro,
onde continuou suas atividades no magistério como professor de Português e
Literatura Brasileira; publicou contos e crônicas na imprensa carioca e
trabalhou na Revista do Brasil; em 1941 inicia o seu trabalho de lexicógrafo,
publicando diversas edições do Dicionário Aurélio, ou Aurelião, ou Aurélio, amplamente
reconhecido e utilizado por estudantes, professores, pesquisadores e leitores da língua portuguesa; sua obra: Dois Mundos (contos, 1942), Linguagem e Estilo
de Eça de Queirós (ensaio, 1945), Mar de Histórias — antologia de contos da
literatura universal (em colaboração com Paulo Rónai, volumes I, II, III, IV, V,
VI, VII, VIII, IX e X, de 1945
a 1988), Contos Gauchescos e Lendas do sul (edição
comentada do texto de Simões Lopes Neto, 1949), O Romance Brasileiro de 1752 a 1930 (1952), Roteiro
Literário do Brasil e de Portugal (antologia literária da língua portuguesa, em
colaboração com Álvaro Lins, 1956), Território Lírico (ensaios, 1958), Enriqueça
o seu Vocabulário (filologia, 1958), Vocabulário Ortográfico Brasileiro (1969),
Novo Dicionário da Língua Portuguesa (1972), O Chapéu de meu pai (edição
revista e reduzida de Dois Mundos, 1974), Mini-dicionário da Língua Portuguesa
(1977); como tradutor, Aurélio Buarque verteu para a língua portuguesa várias
obras, entre elas Poemas de Amor, de Amaru, Pequenos Poemas em Prosa, de
Baudelaire, além dos contos para a coleção Mar de Histórias; Aurélio, no Brasil,
virou sinônimo de dicionário.






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