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[traduzido por Luiz Carlos de
Brito Rezende]
A mulher está perfeita.
Seu corpo
Morto enverga o sorriso de
completude,
A ilusão de necessidade
Grega voga pelos veios da sua
toga,
Seus pés
Nus parecem dizer:
Já caminhamos tanto, acabou.
Cada criança morta,
enrodilhada, cobra branca,
Uma para cada pequena
Tigela de leite já vazia.
Ela recolheu-as todas
Em seu corpo, como pétalas
Da rosa que se encerra, quando
o jardim
Enrija e aromas sangram
Da fenda doce, funda, da flor
noturna.
A lua não tem por que estar
triste
Espectadora de touca
De osso; ela já está
acostumada.
Suas crateras trincam,
fissura.
[suplemento
dominical de cultura] Folhetim*, 26.02.84
Edge
The woman is perfected.
Her dead
Body wears the smile of accomplishment,
The illusion of a Greek necessity
Flows in the scrolls of her toga,
Her bare
Feet seem to be saying:
We have come so far, it is over.
Each dead child coiled, a white serpent,
One at each little
Pitcher of milk, now empty.
She has folded
Them back into her body as petals
Of a rose close when the Garden
Stiffens and odors bleed
From the sweet, deep throats of the night flower.
The moon has nothing to be sad about,
Staring from her hood of bone.
She is used to this sort of thing.
Her blacks crackle and drag.
* Nota do blogue
Verso e Conversa: o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página registra
que Folhetim foi um suplemento dominical de cultura do jornal Folha de São
Paulo; criado e dirigido por Tarso de Castro, trazia como objetivo inicial ser
um “caderno de leitura e humor” e, com linha editorial e estrutura modificada
através do tempo, circulou entre 1977 e 1989; o jornalista Tarso de Castro
também foi um dos fundadores do semanário Pasquim, periódico de origem carioca.
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Folhetim: Poemas traduzidos
[vários poetas e tradutores], Organização de Matinas Susuki Jr. e Nelson Ascher
e Apresentação de Matinas Susuki Jr., 1987, Edições Folha de São Paulo, São Paulo
— SP; Sylvia Plath (1932 — 1963), estadunidense de
Boston, Massachusets, estudou no Smith College de Boston e no Newnham College
da Universidade de Cambridge na Inglaterra, foi poeta, romancista e cronista;
viveu na Inglaterra desde o seu casamento com o poeta britânico Ted Hughes;
suas obras: The Colossus and Other Poems (1960), The Bell Jar (romance um tanto
autobiográfico, com o pseudônimo de Victoria Lucas, 1963), Ariel (coleção de
poemas, edição póstuma, 1965), The Collected Poems (edição póstuma, 1981) e
outros textos; Sylvia Plath foi a primeira mulher a receber postumamente o
Prêmio Pulitzer, em 1982, por The Collected Poems; a poeta suicidou-se em 11 de
fevereiro de 1963.