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Nuvem que passa, pássaro veloz
rumo ao horizonte esguio.
(Há um vento, um vento frio).
As penas da nuvem foram levadas
pela correnteza do rio.
(Há um vento, um vento frio).
Nuvem que lembra as aves de rapina
com seu esporão em cio.
(Há um vento, um vento frio).
Nuvem que passa, mas fica a memória
do seu galopar sombrio.
(Há um vento, um vento frio).
Esta nuvem é um rinoceronte negro
pastando a alma do estio.
(Há um vento, um vento frio).
Esta nuvem arrebatou meu pai
no alazão do desvario.
(Há um vento, um vento frio).
Chanson devant la mer
Nuage qui passe, oiseau rapide
vers l’horizon efflanqué.
(Il y a un vent, un vent froid).
Les plumes du nuage ont été emportées
par le courent de la rivière.
(Il y a un vent, un
vent froid).
Nuage que rapelle les oiseaux de proie
avec son éperon en rut.
(Il y a un
vent, un vent froid).
Nuage qui passe, mais il reste la mémoire
de son galop sombre.
(Il ya a un
vent, un vent froid).
Ce nuage est un rhinocéros noir
paissant l’âme de l’été.
(Il y a un
vent, un vent froid).
Ce nuage a enlevé mon père
sur un alezan de délire.
(Il y a un
vent, un vent froid).
* Nota da edição: Poema
compilado por Henrique Alves / Poème compilé par Henrique Alves
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Chemins Scabreux — revue littéraire
bilíngue 13, septembre 1997, Paris: Poésie du Brésil, Sélection et Presentacion
de Lourdes Sarmento, Texto-prefácio de Olga Savary, edição bilíngue, tradutores:
Lucilo Varejão Neto, Maria Nilda Pessoa e outros, 1997, Editions Vericuetos, Paris
— França; Francisco de Oliveira Carvalho (1927 — 2013), cearense de Russas, estudou
no Ateneu São Bernardo, foi escritor e poeta; ainda em Russas, publicou seus primeiros
versos, numa pequena tipografia; depois, mudando-se para Fortaleza, fez carreira
profissional como assessor na Universidade Federal do Ceará, participou da vida
intelectual da capital do estado e envolveu-se com os movimentos literários do seu
tempo; bibliografia: Cristal da memória (1955), Canção atrás da esfinge (1956),
Do girassol e da nuvem (1960), O tempo e os amantes (1966), Dimensão das coisas
(1967), Memorial de Orfeu (1969), Quadrante solar (Prêmio Nestlé de Literatura,
1982), Barca dos sentidos (1989), Rosa geométrica (1990), Exercícios de literatura
(ensaio, 1990), Crônica das raízes (poesias, 1992), Galope de Pégaso (1994), Textos
e contextos (ensaio, 1995), Girassóis de barro (Prêmio da Fundação Biblioteca Nacional
do Rio de Janeiro, 1997), Romance da nuvem pássaro (1998), A concha e o rumor (2000),
Memórias do espantalho (2004), e outros títulos em verso e prosa, além de ter participado
em antologias publicados no Brasil, Portugal, França e Alemanha; o poeta teve parte
de sua obra traduzida para o búlgaro; pertenceu à Academia Cearense de Letras.









