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Quem já
chegou aonde eu cheguei e encara
A vida
tal qual é, sabendo-a incerta,
Larga porta,
medonha, sempre aberta,
Para a
dor, que não morre e que não pára,
Não me
reduz diante da sorte amara,
Não cede,
não sucumbe, não deserta;
E o novo
e grande mal só lhe desperta
A ambição
de insistir no que buscara.
Glórias,
fortuna, aplausos, tudo passa...
A mocidade,
o amor, nada perdura,
E o que
mais se deseja não se alcança.
Mas,
perto da asa lúgubre, que esvoaça,
Atrás de
nós, outra asa nos segura,
E onde
acaba a ilusão, põe a esperança!
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Inspirados Sonetos de Autores Brasileiros
e Portugueses, Organização e Seleção de Milton Xavier de Carvalho e Prefácio de
Morvan Acayaba de Rezende, 1996, FUMARC — Fundação Mariana Resende Costa, Contagem
— MG; José Félix Alves Pacheco (1879 — 1935), piauiense de Teresina, formado em
Direito, foi advogado, jornalista, político, poeta e tradutor; trabalhou nos jornais
O Debate e Jornal do Commercio, no Rio de Janeiro; como político, foi deputado,
senador e ministro de estado; escreveu e publicou Chicotadas, poesias revolucionárias
(1897), Via Crucis (1900), Mors-amor (1904), Luar de Amor (1906), Poesias (1914),
Ignezita (1915), Tu, Só Tu (1917), Lírios Brancos (1919), Em louvor de Paulo Barreto
(1921), A ‘Canaã’ de Graça Aranha (1931) e outros títulos; traduziu Baudelaire.

