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sábado, 14 de fevereiro de 2026

Ronald de Carvalho: O filho pródigo

 
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Volta! ainda é tempo! Branca, no horizonte,
tua aldeia sorri sobre a colina.
Cumpra-se nesses vales tua sina,
seja teu mundo esse tranqüilo monte.

Seja teu mundo essa encurvada ponte
que sobre o rio, trêmula, se inclina,
e esse trecho do céu que te ilumina
a larga, franca e pensativa fronte.

A vida aí fora, em ondas tumultua.
Ouve teu rude coração. Recua!
Volta aos humildes, mas felizes tetos!

Que as estrelas terão mais calmos brilhos
para velar o sono de teus filhos,
e a terra sorrirá para teus netos!

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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Ronald de Carvalho (1893 1935), carioca, formado em Direito pela Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro (atual Direito UFRJ), foi jornalista, escritor, poeta, crítico e diplomata; um dos expoentes do Modernismo no Brasil, participou da Semana de Arte Moderna de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo; no Rio de Janeiro, colaborou com os periódicos Diário de Notícias, O Jornal, e com as revistas Alma Nova e Atlântida; anteriormente, em Portugal, fora um dos fundadores da revista literária Orpheu (Lisboa, 1915), contribuindo para a introdução do Modernismo naquele país; em 1933, regressando ao Brasil, foi secretário do presidente Getúlio Vargas; escreveu e publicou Luz Gloriosa (poesias, 1913), Pequena História da Literatura Brasileira (1919), Poemas e Sonetos (1919), Epigramas Irônicos e Sentimentais (1922), Espelho de Ariel (1923), Toda a América e Jogos Pueris (poesias, ambos em 1926), Estudos Brasileiros (três séries, 1924 1931) e outros títulos; foi agraciado duas vezes por prêmios da Academia Brasileira de Letras pelas obras Pequena História da Literatura Brasileira e Poemas e Sonetos (publicados e premiados em 1919); morreu em acidente automobilístico no Rio de Janeiro; na ocasião, era Chefe da Casa Civil da Presidência da República no governo de Getúlio Vargas.

terça-feira, 30 de setembro de 2025

Ronald de Carvalho: Avatar

 
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Antes, a alma que tenho andou perdida.
Por que mundos rolou, que mão sutil
pôs tão nobre fulgor, e estranha vida,
nesse bocado de ouro e barro vil?

Decerto, árvore foi: verde jazida
de ninhos, sob o céu de espuma e anil,
e foi grito de horror, na ave ferida,
e, na canção de amor, sonho febril!

Foi desespero, sofrimento mudo,
ódio, esperança que tortura e inferna;
e, depois de exsurgir, triste, de tudo,

veio para chorar dentro em meu ser,
a amarga maldição de ser eterna,
e a dor de renascer, quando eu morrer!

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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Ronald de Carvalho (1893 1935), carioca, formado em Direito pela Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro (atual Direito UFRJ), foi jornalista, escritor, poeta, crítico, diplomata e político; um dos expoentes do Modernismo no Brasil, participou da Semana de Arte Moderna de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo; no Rio de Janeiro, colaborou com os periódicos Diário de Notícias, O Jornal, e com as revistas Alma Nova e Atlântida; anteriormente, em Portugal, fora um dos fundadores da revista literária Orpheu (Lisboa, 1915), contribuindo para a introdução do Modernismo naquele país; em 1933, regressando ao Brasil, foi secretário do presidente Getúlio Vargas; escreveu e publicou Luz Gloriosa (poesias, 1913), Pequena História da Literatura Brasileira (1919), Poemas e Sonetos (1919), Epigramas Irônicos e Sentimentais (1922), Espelho de Ariel (1923), Toda a América e Jogos Pueris (poesias, ambos em 1926), Estudos Brasileiros (três séries, 1924 1931) e outros títulos; foi agraciado duas vezes por prêmios da Academia Brasileira de Letras, pelas obras Pequena História da Literatura Brasileira e Poemas e Sonetos (publicados e premiados em 1919); morreu em acidente automobilístico no Rio de Janeiro; na ocasião, era Chefe da Casa Civil da Presidência da República no governo de Getúlio Vargas.

terça-feira, 1 de março de 2022

Ronald de Carvalho: Interior

 
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Poeta dos trópicos, tua sala de jantar
é simples e modesta como um tranqüilo pomar;

no aquário transparente, cheio de água limosa,
nadam peixes vermelhos, dourados e cor de rosa;

entra pelas verdes venezianas uma poeira luminosa,
uma poeira de sol, trêmula e silenciosa,

uma poeira de luz que aumenta a solidão.

Abre a tua janela de par em par. Lá fora, sob o céu de verão,
todas as árvores estão cantando. Cada folha
é um pássaro, cada folha é uma cigarra, cada folha
é um som...

O ar das chácaras cheira a capim melado,
a ervas pisadas, a baunilha, a mato quente e abafado.

Poeta dos trópicos,
dá-me no teu copo de vidro colorido um gole d’água.
(Como é linda a paisagem no cristal de um copo d’água!)

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Poesia Brasileira para a Infância (diversos autores), Seleção, Organização e Texto/Apresentação de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, Coleção Henriqueta 1, 3ª edição revista, 1968, Edição Saraiva, São Paulo — SP; Ronald de Carvalho (1893 1935), carioca, formado em Direito pela Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro (atual Direito UFRJ), foi poeta, escritor e político diplomata; um dos expoentes do Modernismo no Brasil, participou da Semana de Arte Moderna de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo; no Rio de Janeiro, colaborou com os periódicos Diário de Notícias, O Jornal, e com as revistas Alma Nova e Atlântida; em Portugal, foi um dos fundadores da revista literária Orpheu (Lisboa, 1915), contribuindo para a introdução do Modernismo naquele país; em 1933, regressando ao Brasil, foi secretário do presidente Getúlio Vargas; escreveu e publicou Luz Gloriosa (poesias, 1913), Pequena História da Literatura Brasileira (1919), Poemas e Sonetos (1919), Epigramas Irônicos e Sentimentais (1922), Espelho de Ariel (1923), Toda a América e Jogos Pueris (poesias, ambos em 1926), Estudos Brasileiros (três séries, 1924 1931) e outros títulos; morreu em acidente automobilístico no Rio de Janeiro.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Ronald de Carvalho: Sentido *

60 poetas trágicos | Amazon.com.br
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Fujo de mim como um perfume antigo
foge ondulante e vago de um missal
e julgo uma alma estranha andar comigo,
dizendo adeus a uma aventura irreal.

Sou transparência, chama pálida, ânsia,
última nau que abandonou o cais.
No alvor das minhas mãos chora a distância
proas rachadas, longes de ouro, ideais…

Sonho meu corpo como de um ausente,
náufrago e exsurjo dentro da memória,
acordo num jardim convalescente,

vago perdido em outros num jardim,
e sinto no clarão da última glória
a sombra do que sou morrer em mim…

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* Nota de Sergio Faraco: Primeira parte do poema ‘A alma que passa
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60 Poetas Trágicos — Organização, seleção, nota de apresentação e traços biobibliográficos de Sergio Faraco, 2016, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; Ronald de Carvalho (1893 1935), carioca, formado em Direito pela Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro (atual Direito UFRJ), foi poeta, escritor e político diplomata; um dos expoentes do Modernismo no Brasil, participou da Semana de Arte Moderna de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo; no Rio de Janeiro, colaborou com os periódicos Diário de Notícias, O Jornal, e com as revistas Alma Nova e Atlântida; em Portugal, foi um dos fundadores da revista literária Orpheu (Lisboa, 1915), contribuindo para a introdução do Modernismo naquele país; em 1933, regressando ao Brasil, foi secretário do presidente Getúlio Vargas; escreveu e publicou Luz Gloriosa (1913), Pequena História da Literatura Brasileira (1919), Poemas e Sonetos (1919), Epigramas Irônicos e Sentimentais (1922), Toda a América (1926), Espelho de Ariel (1926), Estudos Brasileiros (três séries, 1924 1931) e outros títulos; morreu em acidente automobilístico no Rio de Janeiro.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Ronald de Carvalho: Soneto azul

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O azul, define o olhar, é a memória do estio,
das cigarras pagãs... dos êxtases no Poente...
das magnólias abrindo as folhas ao luar frio...
das borboletas, voando ao Sol, rubro e inclemente...

O azul, diz ainda o olhar, vi-o no espaço, vi-o
na tristeza polar de um canal transparente,
nuns olhos outonais * que a água morta de um rio
bebeu como dois sóis, a horas de luz morrente...

 Clave de sons azuis que evocam meus sentidos
em ritmos imortais, feitos de nervos flavos
e doçuras ideais de sinos esquecidos...

 Clave de sons azuis... nevoeiro de azuis... fria
cabeça de vitral... saudade azul de cravo...
lábio azul... mãos azuis... minha Monotonia...

(Luz Gloriosa, Oficinas Gráficas da Casa Crés et Cie.,
Paris, MCMXIII. sem numeração de páginas.)


* Nota do Organizador; Está: ontonais.
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Panorama da Poesia Brasileira, Volume IV — Simbolismo, por Fernando Góes, 1959, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Ronald de Carvalho (1893 1935), carioca, formado em Direito pela Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro (atual Direito UFRJ), foi poeta, escritor e político diplomata; um dos expoentes do Modernismo no Brasil, participou da Semana de Arte Moderna de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo; no Rio de Janeiro, colaborou com os periódicos Diário de Notícias, O Jornal, e com as revistas Alma Nova e Atlântida; em Portugal, foi um dos fundadores da revista literária Orpheu (Lisboa, 1915), contribuindo para a introdução do Modernismo naquele país; escreveu e publicou Luz Gloriosa (1913), Pequena História da Literatura Brasileira (1919), Poemas e Sonetos (1919), Epigramas Irônicos e Sentimentais (1922), Toda a América (1926), Espelho de Ariel (1926), Estudos Brasileiros (três séries, 1924 1931) e outros títulos.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Ronald de Carvalho: Vida

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Para um destino incerto caminhamos,
Tontos de luz, dentro de um sonho vão;
E finalmente, a glória que alcançamos
Nem chega a ser uma desilusão!

Levanta-se da sombra, entre altos ramos,
Como um fumo a subir, lento, do chão,
A distância que tanto procuramos,
E os nossos braços nunca atingirão...

Mas um dia, perdidos, hesitantes,
A alma vencida e farta, as mãos tateantes,
De repente, paramos de lutar;

E ao nosso olhar, cansado de amargura,
As montanhas têm muito mais altura,
O céu mais astros, e mais água o mar!

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Coleção Nossos Clássicos — Ronald de Carvalho, Poesia e Prosa, Volume 45, por Peregrino Júnior, publicados sob a direção de Alceu Amoroso Lima e Roberto Alvim Corrêa, 1960, Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro — RJ; Ronald de Carvalho (1893  1935), carioca, formado em Direito pela Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro (atual Direito  UFRJ), foi poeta, escritor e político diplomata; um dos expoentes do Modernismo no Brasil, participou da Semana de Arte Moderna de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo; no Rio de Janeiro, colaborou com os periódicos Diário de Notícias, O Jornal, e com as revistas Alma Nova e Atlântida; em Portugal, foi um dos fundadores da revista literária Orpheu (Lisboa, 1915), contribuindo para a introdução do Modernismo naquele país; escreveu e publicou Luz Gloriosa (1913), Pequena História da Literatura Brasileira (1919), Poemas e Sonetos (1919), Epigramas Irônicos e Sentimentais (1922), Toda a América (1926), Espelho de Ariel (1926), Estudos Brasileiros (três séries, 1924  1931) e outros títulos.