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Do vosso largo e florido postigo
Lançai o olhar e vêde-me, Senhora:
Da Alegria e do Amor pobre mendigo
Pela estrada da Mágoa vou-me a fora.
E essa Saudade que em meu peito mora.
E esse Tédio cruel e pérfido e antigo
Horrendo abutre, que a alma me devora
Vão, em boêmia, rindo-se, comigo...
E não fulge nem canta em meu caminho
Sem luz e som, tristíssimo e deserto,
A moeda doirada de um carinho...
Sigo como se fosse para a cova
Tendo o bordão dos Sonhos e coberto
Dos andrajos de púrpura da Trova.
(Carlos Chiacchio — Biocrítica, vol. I,
1941, Pág. 100, Edições Ala, Bahia.)
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Panorama da Poesia Brasileira,
Volume IV — Simbolismo, por Fernando Góes, 1959, Editora Civilização
Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Galdino de Castro (1882 — 1939),
soteropolitano, ou baiano de Salvador, formado em Medicina, foi jornalista,
professor e poeta; jornalista precoce, em tempos ginasianos fundou os periódicos Colibri e Revista Moderna;
depois, colaborou em várias revistas, tendo sido um dos fundadores da Nova
Cruzada, revista literária baiana representante do simbolismo brasileiro; participou
das redações do Diário de Notícias e d’A Cidade; num certo momento de sua vida,
largou tudo, Bahia e literatura, transferindo-se para São Paulo, chegando ao
ponto de devolver,"intactos, os pacotes de jornais que os amigos lhe enviavam
pelo Correio"; Galdino de Castro anunciou livros — Pavilhões, Auriflamas, Troféus —, mas não os editou; postumamente, Carlos Chiacchio dedicou-lhe um estudo em sua
obra Biocrítica — Volume I (1941), reunindo aí
os poemas e sonetos referentes aos livros citados, anunciados e não publicados pelo poeta.