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Vem por aí o Dia... Ó loura Estrela
d'Alva,
escudeira do Sol, cuja vanguarda
assumes!
Ao teu beijo estelar, a alma se nos
ressalva,
e se ofusca a “lanterna azul” dos
vaga-lumes...
Pela planície do Ar, que a Noite,
em fuga, escalva,
vão-se os astros... Só tu sorris, e
te presumes
uma salva geral de palmas, uma
salva
de pétalas, de sons, de cores, de
perfumes...
Estrela d’Alva, noiva e irmã dos
sonhadores!
Taça, onde os olhos vão beber,
contra as moléstias,
remédios imortais e
purificadores...
Cercam-te, régia noiva, etéreas
brumas... veste-as;
—
véu nupcial que te envia a Terra, expansa em flores,
Pela escada de luz das tuas louras
réstias...
MCMIV.
(Apoteoses, pág. 28, 2ª Edição,
1915,
Livraria Francisco Alves, Rio de Janeiro,)
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Panorama
da Poesia Brasileira, Volume IV — Simbolismo, por Fernando Góes, 1959, Editora
Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Hermes Floro Bartolomeu de Araújo
Fontes (1888 — 1930), sergipano de Buquim, órfão de mãe ainda criança, aos nove
anos seguiu rumo ao Rio de Janeiro, levado pelas mãos de Martinho Garcez [à
época senador federal], seu protetor, cursou a Faculdade de Ciências Jurídicas
e Sociais do Rio de Janeiro [hoje Faculdade de Direito da UERJ-RJ],
bacharelou-se, não exerceu a profissão, foi poeta, compositor, jornalista,
crítico literário, caricaturista e funcionário público — trabalhou nos Correios
e Telégrafos e foi oficial de gabinete do ministro da Viação —; tendo sido um
dos fundadores do jornal Estréia (1904), também foi colaborador dos jornais
Fluminense, Rua do Ouvidor, Imparcial, Folha do Dia, Correio Paulistano, Diário
de Notícias, e das revistas Careta, Fon-Fon, Tagarela, Atlântida, Kosmos,
Revista Souza Cruz, entre outros periódicos de sua época; como caricaturista, Hermes
Fontes atuou no jornal O Bibliógrafo e também no Tagarela e Brasil Moderno;
obras poéticas: Apoteoses (1908), Gênese (1913), Ciclo da Perfeição (1914),
Mundo em Chamas (sob a impressão da primeira guerra mundial, 1914), Miragem do
Deserto (1916), Epopéia da Vida (1917), Microcosmo (1919), A Lâmpada Velada
(1922), A Fonte da Mata (1930) ...; sua poesia é de estética simbolista; Hermes
Fontes “compôs a letra das músicas Luar de Paquetá e À Beira-Mar com música de
Freire Junior — gravadas por Vicente Celestino e Orlando Silva”, entre outras
composições e gravações; na divulgação de seus textos, Hermes Fontes ainda fez
uso dos pseudônimos Léo-zito, Leléo, Léo-Fábio, P. Q. Nino, H. F., F. H., Rems,
Rins e Roms; o poeta, num processo de depressão, suicidou-se na véspera do Natal
de 1930.




